segunda-feira, maio 02, 2011

É grave a crise no PT

Carlos Chagas

A dúvida limita-se à verdadeira causa de o ex-presidente Lula, estando em Brasília na última sexta-feira, haver voltado repentinamente para São Paulo sem comparecer à reunião do Diretório Nacional do PT. Mandou-se por discordar da escolha de Rui Falcão para a presidência do partido ou por conta do reingresso em suas fileiras de Delúbio Soares, expulso anos atrás como um dos chefes do mensalão?

Tanto faz, porque o Lula e o PT encontram-se em rota de colisão. E o ex-presidente não está sozinho. Com ele encontra-se a sucessora, Dilma Rousseff, que também não compareceu à reunião dos companheiros e nem recebeu Rui Falcão no palácio do Planalto.

Não adianta tapar o sol com a peneira porque é grave a situação. A escolha do novo presidente do partido à revelia e até contra a decisão de Dilma e Lula reflete a insatisfação da maioria dos companheiros diante do governo. A presidente e o antecessor preferiam Humberto Costa para dirigir o PT, estavam comprometidos com ele e viram-se atropelados pela maioria do Diretório Nacional. Lula foi embora, Dilma trancou-se.

E agora? Agora, mesmo com panos quentes já mobilizados e por mobilizar, fica claro que a fonte secou para o PT. Estão suspensas as nomeações de mais companheiros para o segundo escalão do governo, ou, pelo menos, para os que lideraram a rebelião.

***

GRIPE GENERALIZADA

Nem o palácio do Planalto escapou. A gripe que tomou conta de Brasília atingiu a presidente Dilma Rousseff e a quase totalidade dos ministros e funcionários com gabinete na sede do governo. E como os germes chegaram antes da vacina, não adiantou submeterem-se todos à incômoda injeção preventiva. Estarão garantidos, no máximo, para o próximo surto.

Essa gripe começa pelos ouvidos e vai descendo para o nariz, a garganta e a traquéia, quando não para os pulmões. Leva mais de uma semana para sumir, mas não é preocupante. Apenas chata e barulhenta, não havendo quem escape da profusão de espirros e da tosse. Se todos são iguais perante a lei, por que não seriam diante da gripe?

***

A FALTA QUE FAZ UM JURISTA

Por mais de um mês, no Senado, a Comissão Especial da Reforma Política debateu sugestões variadas, fixando-se em algumas, a começar pela supressão do direito de o eleitor escolher seu candidato a deputado, obrigando-se a votar apenas na legenda. Seria uma forma de prestigiar os partidos, cujos caciques iriam elaborar as listas de pretendentes. Nenhum senador, mesmo os advogados, percebeu o que agora acaba de denunciar o jurista Ives Gandra: a proposta é inconstitucional. Nossa Constituição estabelece que nenhuma lei poderá ser aprovada se revogar o voto direto e secreto. Votar nos partidos sem saber para quem irá o voto está proibido…

***

PRESSÃO NECESSÁRIA

A maioria dos onze ministros do Supremo Tribunal sente-se incomodada pela demora como tramita o processo contra os quarenta mensaleiros. Nenhuma crítica fazem ao relator, Joaquim Barbosa, cientes dos meandros processuais que levam os respectivos advogados a tentar livrar os réus seus clientes.

Só que começa a prevalecer na mais alta corte nacional de justiça aquele fator tão discutido quanto poderoso: o clamor das ruas. Não há quem deixe de se espantar pela sombra da impunidade que paira sobre o julgamento. Ou os réus não formaram uma quadrilha empenhada em disseminar a corrupção?

Fonte: Tribuna da Imprensa

Em destaque

Senadores dizem ter recebido pedido de Alcolumbre para votar contra Messias

  Senadores dizem ter recebido pedido de Alcolumbre para votar contra Messias Por  Raphael Di Cunto, Ana Pompeu e Caio Spechoto, Folhapress ...

Mais visitadas