Por: O Liberal
A denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, com a citação de 40 pessoas que estariam envolvidas no chamado mensalão, engrossou a lista de pessoas que, aparentemente próximas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT, acabam agindo como algozes do governo. Indicado para a Procuradoria-Geral pelo próprio Lula, Souza conduziu toda a investigação sobre o mensalão e optou ao final por uma denúncia, não hesitando em investir contra políticos do alto escalão petista, como o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, e o deputado e ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (SP). Não foi a primeira vez que se viu esse tipo de situação no atual governo. O senador Delcídio Amaral (PT-MS) era líder do PT no Senado quando recebeu a indicação para presidir a CPI dos Correios. Na época, a oposição temia que ele usasse o posto para criar uma espécie de blindagem em torno do governo e do presidente Lula, dificultando as investigações. Antes de aceitar o cargo, Delcídio chegou a se reunir com Lula para discutir o assunto. Mas depois que assumiu a direção da comissão, acabou tomando rumo próprio, o que lhe rendeu pesadas acusações entre seus próprios pares do PT. Chegaram a classificar sua atuação de antigovernista e antipetista. As tensões entre Delcídio e o seu partido ficaram mais evidentes na votação do relatório final. Ele foi pressionado pelo deputado Jorge Bittar (PT-RJ), a quem acusou de tê-lo xingado no final da sessão. O relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), também tinha sido indicado para a função pela ala governista do PMDB, próxima do Palácio do Planalto. Por causa disso também carregou por algum tempo a suspeita de ser aliado do governo. Em poucas semanas de trabalho da comissão, porém, o deputado paranaense deixou claro que não mantinha nenhum tipo de alinhamento com a bancada governista. No relatório que apresentou ao final dos trabalhos, pediu o indiciamento de políticos e dirigentes petistas - o que também lhe rendeu críticas nas hostes governista. O ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF) pode ser o próximo da lista. Também nomeado por Lula, ele é o encarregado de relatar a denúncia apresentada pelo procurador-geral.
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