Por: Reinaldo Azevedo
A campanha de alguns jornalistas da Folha de S.Paulo contra Primeira Leitura prossegue. É a tropa de choque do petismo se alinhando. O último ataque vem de Nelson de Sá, que assina a coluna Toda Mídia. Faz tempo desisti de ler o que ele escreve. Não gosto de seu estilo covarde, todo cheio de sugestões malandrinhas. Ele sempre dá a entender que pensa mais do que escreve. É mentira. É um ignorante político que se esconde num estilo estudadamente seco. Tentou ser ator, autor, crítico de teatro. Terminou glosando jornais. É um destino justo.
Que lhe seja facultado falar sobre política revela um tanto também do seu entorno. Ele me lembra Tersites, uma personagem da Ilíada. Era tão chato, que Aquiles o matou com um murro na cabeça. Sorte do cara que não sou Aquiles. Acho que vivo ele é mais irrelevante e pode contribuir com mais eficiência para o destino geral: a decadência. Essa gente é massa negativa. Quanto mais soma, diminui.
Do seu jeito, ele me acusa de anti-semitismo. Não de forma direta. Porque sabe que é crime acusar alguém de... um crime. Está por fora. Seus companheiros do PT são mais verossímeis: dizem que sou agente do Mossad. Não chego a tanto, mas defendo que Israel elimine os líderes do Hamas, mesmo os eleitos, e bombardeie o Irã se os aiatolás facinorosos tentarem fazer bomba nuclear.
E a que vem a acusação, certamente de encomenda? O Office-boy do insulto terceirizado reage nesta quarta a um texto que escrevi no dia 31 do mês passado (clique aqui), em que criticava um comentário de Gilberto Dimenstein na rádio CBN. O jornalista classificou a renúncia de Serra de o “dia mais negro de sua [de Serra] história”. Embora Dimenstein não estivesse na Folha — de que já foi diretor, é colunista e membro do conselho editorial —, empregou o termo com um sentido que é proibido pelo Manual de Redação do jornal.
É claro que Dimenstein, a exemplo do De Sá, pode ser um daqueles que usam os termos segundo as regras de quem lhe paga o salário. Problema deles. O fato é que a Folha proíbe a referência a uma raça ou cor de pele para indicar uma realidade negativa. Censurei-o por isso. E escrevi: “não uso a palavra ‘negro’, a que recorre Dimenstein, porque, claro, não empregaria ‘judiação’, por exemplo, para indicar a prática de castigos” — outra recomendação do Manual.
De Sá, na sua lógica perturbada, considera tal referência anti-semita. É um misto de burrice com má-fé. Herança do anti-semitismo seria justamente empregar “judiação” na acepção que rejeito. E, é evidente, ao classificar de “negra” uma decisão que vê como ruim, Dimenstein está fazendo com os negros o que não se deve fazer com judeus, ciganos, alemães, japoneses ou javaneses.
A pistolagem de aluguel do tatibitate de Nelson de Sá opta pelas generalidades. Diz que fiz “diversas citações históricas sobre anti-semitismo”. Não fiz. Nenhuma! Aquela a que ele alude não é exatamente “histórica” — ele não sabe também o que é história. Uma outra referência que talvez esteja próxima do tema é esta: “Se Chamberlain e Daladier fizeram o Pacto de Munique, não adianta argumentar que achavam um absurdo a pregação anti-semita de Hitler”. Ora, leitores, façam o que Nelson de Sá não faz: estudem, pesquisem.
Estou me referindo aos dois covardes, canalhas históricos, o britânico e o francês, que assinaram o Pacto de Munique — ambos, sim, suspeitos de anti-semitismo, não eu. O comportamento vergonhoso dos dirigentes que fizeram o acordo com Hitler levou o grande Churchill a pronunciar uma de suas frases históricas: “Entre a desonra e a guerra, escolheram a desonra e terão a guerra”.
As “diversas” citações são, forçando a barra, duas. Não são anti-semitas, mas justamente o contrário: combatem o preconceito. Nelson de Sá é que tem de dizer por que o emprego de “negro” para designar algo que se considerava ruim, como fez Dimenstein, não incomodou nem o autor nem o glosador. Quem esteve na Aliança Francesa, unidade do Centro, no dia 27 de março, acompanhou um debate de que participei.
Estávamos lá, entre outros, o psicanalista e colunista da Folha Contardo Calligaris, o professor e também articulista do jornal Demetrio Magnoli e eu. Debatíamos a reação mundial às charges de Maomé, a natureza dos protestos etc. Eram dois intelectuais à mesa e este que vos fala, “quase que maldito” (como diria Drummond), um simples jornalista. E a conversa foi boa.
Os árabes presentes me acusaram de só defender Israel e os judeus. Porque disse lá, sobre o Hamas, o que escrevi acima. Hoje em dia, não tenho patrão. Mesmo quando tinha, sempre pagaram o meu salário, não o meu pensamento ou o meu vocabulário. Com Magnoli, tive um pequeno debate sobre o grande Bernard Lewis, que eu adoro e que ele detesta. E também falei de Edward Said, que eu detesto e não tive tempo de saber se Magnoli aprecia. É claro que Nelson de Sá não tem a menor idéia do que estou falando. O debate não é para a sua baba.
Aquele mesmo texto a que se refere o estafeta está disponível na edição de hoje. Releiam-no e vejam se há lá algo de anti-semita. Sua razão de ser está em submeter o discurso de Gilberto Dimenstein aos 38 estratagemas identificados por Schopenhauer para se vencer um debate mesmo sem ter razão. É claro que ele deixou o filósofo de lado. Duvido até que tenha lido o texto. A tarefa não exigia.
Está em curso um “delenda Primeira Leitura”. Não vai funcionar. Não vai morrer — exista na forma em que existir. A afirmação de que aqui se pratica anti-semitismo tem tanta credibilidade e se sustenta tanto nos fatos como a ilação de que a revista deste site tinha anúncios da Nossa Caixa porque era aliada de Geraldo Alckmin e contou com sua especial proteção. Certas acusações precisam ao menos ser verossímeis para que não sejam ridículas.
[reinaldo@primeiraleitura.com.br]
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