sábado, outubro 04, 2025

Redução de penas deixa margem para STF aplicar benefício menor a Bolsonaro

 Foto: Ton Molina/STF/Arquivo

O ex-presidente Jair Bolsonaro04 de outubro de 2025 | 15:36

Redução de penas deixa margem para STF aplicar benefício menor a Bolsonaro

brasil

Apesar de a Câmara discutir opções de redução de penas aos condenados por ações golpistas buscando mirar também o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), há margem jurídica para que uma das principais apostas desta articulação não se aplique ao ex-presidente e à cúpula da ação sobre a trama golpista.

Segundo especialistas consultados pela Folha, caso venha a ser aprovada uma alteração que busque em alguma medida unificar os crimes de golpe de Estado e de abolição do Estado democrático de Direito, existe a possibilidade de que o STF, ao aplicar a nova lei, interprete que tal mudança não afetaria Bolsonaro e seus aliados.

Essa leitura parte do fato de que, enquanto os executores dos ataques 8 de Janeiro foram condenados por ambos os crimes apenas pelos fatos ocorridos naquela data, no caso de Bolsonaro foram considerados para sua condenação na Primeira Turma uma série de atos de ataques ao Judiciário ao longo do mandato do ex-presidente, como os atos do 7 de Setembro de 2021.

Com isso, no caso de uma unificação, ainda assim o Supremo poderia avaliar que o crime foi cometido mais de uma vez no caso do ex-presidente e da trama golpista.

Um caminho, por outro lado, que dificilmente abriria margem para interpretação do Supremo corresponderia à pura e simples redução das penas máximas e mínimas previstas para estes crimes. Isso beneficiaria tanto os condenados pelo 8/1 quanto os da trama golpista.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão. Deste montante, 6 anos e 6 meses foram por tentativa de abolição do Estado democrático de Direito, enquanto 8 anos e 2 meses se referem à pena por tentativa de golpe.

O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que foi indicado como relator do projeto na semana seguinte à condenação do ex-presidente, tem evitado dar declarações sobre a redação que será adotada e diz que o texto ainda está em negociação.

Conforme mostrou a Folha em reportagem desta sexta-feira, de acordo com pessoas que tiveram acesso ao texto, a proposta seria unificar os crimes de abolição e de golpe. Além disso, fixar que nestes casos o regime de progressão ocorra após o cumprimento de um sexto da pena, não mais um quarto.

Questionado pela reportagem na quinta-feira (2), o relator disse que a proposta de reduzir as penas máximas e mínimas também estava em negociação.

Bolsonaristas, por sua vez, defendem em público que seja aprovada uma anistia ampla, geral e irrestrita. E, conforme revelou a Folha, o caminho de apostar num PL de redução de penas teria aval de parte dos ministros do STF.

A advogada e professora de direito penal da FGV Raquel Scalcon não vê lógica em se alterar o tamanho das penas dos crimes em si, no Código Penal, apontando que elas não são altas.

Ela vê como um caminho adequado incluir uma regra para impedir que os crimes de golpe e de abolição pudessem ser aplicados concomitantemente. “[Assim] não poderia acumular as penas dele, como no roubo e no furto.”

Na avaliação dela, mesmo caso haja este tipo de mudança, há espaço para que o Judiciário entenda que ela não se aplica a Bolsonaro.

“Todas essas regras, para dizer que só um crime prevalece, pressupõem que a gente tenha um grande fato, uma grande conduta”, explica Raquel, acrescentando que, no caso de Bolsonaro, a narrativa da PGR traz muito mais fatos, não apenas o 8/1 e que os ministros podem dizer que não estão aplicando os dois crimes para os mesmos fatos.

Eduardo Muylaert, que é advogado e foi secretário da Segurança e Justiça em São Paulo, entende que a melhor opção seria adotar uma redação que abranja as duas condutas em um único tipo, com a pena atual máxima de 12 anos.

“Em vez de ter dois crimes, passaria a ter um crime só, com dois modos de conseguir o crime”, diz, apontando que essa opção seria melhor por não gerar a discussão sobre se um crime absorve o outro.

Ele não interpreta que haveria uma não aplicação a Bolsonaro e aos réus da trama golpista, mas reforça que caberá ao STF a análise. E, apesar de entender que seria ruim haver uma diminuição das penas atuais, para ele não haveria inconstitucionalidade na medida.

Ademar Borges, advogado e professor de direito constitucional do IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), diz ser contrário a alterações legislativas nesse momento, tanto por não considerar a lei ruim quanto por ver uma espécie de “suspeita de tentativa de alteração de sentenças individuais”.

Desconsiderada essa premissa, ele avalia que, na hipótese de criação de um tipo penal único, a mudança não impactaria Bolsonaro, argumentando que o Supremo pode entender que houve a prática do delito por mais de uma vez, somando as penas.

Para ele, por outro lado, caso seja feita a opção de diminuir as penas dos crimes atuais, a medida poderia ser inconstitucional, se a diminuição for acentuada, especialmente se baixar as penas mínimas para abaixo de 4 anos, permitindo substituição de pena de reclusão por penas alternativas.

Renato Stanziola Vieira, que é advogado criminalista e doutor em direito processual penal pela USP (Universidade de São Paulo), avalia que seria improvável que uma alteração para unificar os crimes beneficie o ex-presidente.

“Acho que vai ser bem difícil mesmo uma alteração de tipo penal abranger a situação do Bolsonaro, do ponto de vista de absolvição de um dos tipos”, diz ele. “Já se o crime vier com a pena mais leve, vai valer para absolutamente todas as pessoas que vieram a ser condenadas por estes crimes.”

Ele reforça ainda que vê como inconstitucional redação que eventualmente busque limitar a interpretação do magistrado quanto a se um crime absorveu o outro ou não. “É uma afronta à independência judicial para análise do caso concreto.”

Renata Galf/Folhapress

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Avião ganha espaço nas viagens nacionais dos brasileiros e já supera ônibus


Gecivaldo Santos Pires Da Silva aescom=transportes.gov.br@imxsnd02.com


 Avião ganha espaço nas viagens nacionais dos brasileiros e já supera ônibus

 

Segundo o levantamento do IBGE, 14,7% das viagens realizadas no país em 2024 foram feitas de avião, contra 11,9% em ônibus
 

A aviação volta a ocupar posição de destaque como meio de transporte coletivo nas viagens domésticas


Pela primeira vez desde 2020, o avião superou o ônibus como meio de transporte mais usado em viagens pelo Brasil. A informação é da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) Turismo 2024, divulgada nesta quinta-feira (2) pelo IBGE. Segundo o levantamento, 14,7% das viagens realizadas no país foram feitas de avião, contra 11,9% em ônibus. Carro particular segue como principal meio de deslocamento.
 

A pesquisa mostra que, em 2024, foram realizadas 20,6 milhões de viagens no território nacional, número estável em relação ao ano anterior, mas bem acima do registrado durante a pandemia, quando o turismo chegou a apenas 12,1 milhões de deslocamentos em 2021. O dado mais simbólico, no entanto, é a recuperação da aviação, que volta a ocupar posição de destaque como meio de transporte coletivo nas viagens domésticas, superando os ônibus.
 

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, isso é resultado de políticas públicas para ampliar a conectividade no país e democratizar o acesso ao transporte aéreo. "Com mais conectividade, tarifas acessíveis e infraestrutura adequada, a aviação civil brasileira avança não apenas como um meio de transporte, mas como vetor de integração nacional, que eleva o turismo, aumenta os negócios e gera empregos e oportunidades", afirmou.
 

Movimentação
 

A escolha do avião como principal meio de transporte coletivo nas viagens pelo Brasil está ligada a um conjunto de fatores. O primeiro é o crescimento da renda média do trabalho em 2024, que avançou 4,7% segundo o IBGE. Esse movimento permitiu que mais famílias optassem pelo transporte aéreo, especialmente em viagens de negócios ou lazer de maior distância.
 

Outro elemento é o próprio perfil das viagens. Em 2024, aumentou a proporção de deslocamentos a trabalho, que representaram 28,8% do total. Esse tipo de viagem tende a privilegiar o avião, pela rapidez e pela necessidade de otimizar o tempo. No lazer, embora o carro siga predominante, o avião também ganhou espaço diante da busca por destinos mais distantes, incluindo o crescimento do turismo cultural e gastronômico, em ascensão em várias regiões do país.
 

Há ainda a questão dos custos. Apesar da alta de 11,7% nos gastos totais com turismo em 2024, o avião tornou-se mais atrativo em relação ao ônibus em percursos de longa distância, oferecendo economia de tempo e maior comodidade.
 

Ambiente favorável
 

O avanço da aviação também está ligado a medidas adotadas pelo Ministério de Portos e Aeroportos para criar um ambiente favorável para que as empresas aéreas reduzam custos, aumentem a oferta de voos e cheguem a novos mercados. Uma das iniciativas recentes é o acordo firmado com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para reduzir a judicialização no setor aéreo e diminuir custos operacionais das companhias.
 

Outro instrumento importante é o Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) que, só em 2025, terá R$ 4 bilhões disponíveis para financiar projetos das empresas aéreas, sendo que uma das condições é que elas aumentem a frequência de voos em aeroportos regionais.
 

O ministério também conduz o programa AmpliAR, criado para modernizar e aumentar aeroportos regionais, permitindo que cidades médias e pequenas tenham acesso a voos regulares e ampliando a oferta de assentos no mercado.
 

Mesmo não sendo uma ação direta do MPor, é possível citar as reduções contínuas nos custos do querosene de aviação (QAV) como mais um fator importante, já que isso representa cerca de 40% das despesas operacionais das companhias, o que contribui para aliviar a estrutura de custos do setor e amplia as condições para tarifas mais acessíveis.

Recompensa a Lira sai mais rápido que Pix

Tixa News tixanews@substack.com

Arte: Marcelo Chello

dos ricos nem foi aprovado ainda no Senado, mas o deputado Arthur Lira, nosso Arthurzito, eterno dono da Câmara frigorífica, já está sendo recompensado por sua eficiência. O deputado não só conseguiu tudo o que o governo queria no projeto aprovado na Câmara, como ainda obteve unanimidade dos deputados.

Lula, nosso atual e aquele que nunca antes na história, sancionou nesta sexta-feira uma lei que amplia o prazo para que parlamentares atinjam a idade mínima exigida para tomarem posse no cargo. Ganha um picolé de chuchu e uma lagartixa na parede quem adivinhar quem é o nepobaby que poderá ser beneficiado com a medida? Isso mesmo, o filho de Arthurzito.

O projeto de lei tramitou tão rápido na Câmara e no Senado esta semana que a gente até perdeu a notícia por aqui. Em três dias, ele foi votado pelas duas casas e sancionado por Lula. Nem o Lira era tão rápido em fazer isso quando comandava a Câmara. Mais rápido do que isso, só a comunidade da Tixa no Zap. Você clica e já está dentro.

Vai ter Bolsonaro na chapa

Os aliados de Bolsonaro, sempre eles, alardearam hoje pela imprensa que Michelle será vice na chapa do Tarcísio e que Bolsonaro vai apoiar Tarcísio (tudo isso se o Centrão der apoio total à chapa). Que Bolsonaro já deu o aval para Tarcísio, noticiamos aqui há vários dias (apesar do teatro do governador de São Paulo). Hoje perguntei às mesmas fontes sobre essa história da Michelle e me garantiram duas coisas:

  1. Ninguém tem a informação se vai ter Michelle na chapa.

  2. O nome Bolsonaro vai estar na chapa!

Pensamento aleatório: se depender da Joice Hasselmann, não vai ter Michelle. Ela já andou dizendo que nossa ex-primeira-dama foi amante de Bolsonaro e inclusive ameaçou revelar otrascositasmas. Mas nada que uma candidatura e apoio fortes para Joice se eleger deputada não resolva.

Zema, zema

E o Zema, o governador de Minas Gerais, disse hoje que não faz sentido o Tarcísio não disputar a reeleição para o governo de São Paulo. Falou a pessoa que já é candidata à presidência e quer eliminar concorrentes.

Vendendo habeas corpus

Lembram que Moro, o Serginho, foi gravado num estacionamento insinuando que o supremo Gilmar Mendes vendia habeas corpus? Eis que hoje os supremos Xandão e Carminha votaram a favor da ação penal contra o senador por calúnia. O caso está na Primeira Turma e ainda faltam os votos dos supremos Zanin, Dino e Fux. Moro alega que era só uma brincadeira e que o vídeo foi gravado antes do início do seu mandato (isso é importante porque pode definir se é caso de foro privilegiado ou não).

Esperança de paz?

O Hamas disse hoje que está disposto a libertar os reféns israelenses, mas que, para selar o acordo, quer negociar detalhes dos 20 pontos da proposta de paz feita por Donald J. Trump (J de João). O presidente americano já saiu cantando vitória, disse para Israel parar os ataques. Bibi Netanyahu, o chefe de Israel, também já começou os preparativos como se o acordo já estivesse fechado. Eu fiquei pensando aqui: os Estados Unidos vão negociar com terroristas?

Mas queremos paz, BRASEW. E que a situação do metanol se resolva.

Bora sextar sem álcool! 

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