Publicado em 2 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

Vieira diz que encontro entre Lula e Trump está sendo acertado
Eliane Oliveira
O Globo
Em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Creden) da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira, o chanceler Mauro Vieira afirmou que o governo brasileiro continuará firme em sua posição de não misturar comércio com política em uma negociação com os Estados Unidos. Vieira acredita que, iniciado o diálogo bilateral, os governos dos dois países devem chegar a um acordo dentro de cerca de 210 dias.
Segundo o ministro das Relações Exteriores, o encontro que deverá acontecer nos próximos dias entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump demonstram uma nova posição da Casa Branca que poderá ajudar a superar as sanções impostas ao Brasil, como a sobretaxa de 50% e a aplicação Lei Magnitsky ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua esposa Viviane.
DIÁLOGO – “Há uma perspectiva de diálogo, mas sem jamais abrir mão da disposição naquilo que não confrontar com nossa soberania. Permaneceremos atentos”, disse o ministro. Vieira afirmou que razões expressamente políticas relacionadas a processo judicial no STF contra o ex-presidente Jair Bolsonaro não encontram espaço entre estados soberanos e independentes.
Ele lembrou o discurso de Lula na ONU, na semana passada, quando o presidente afirmou que o Brasil é uma nação independente, com um povo livre de qualquer tipo de tutela. “São inaceitáveis medidas com pretensão extraterritorial”, afirmou Vieira, em uma referência às sanções contra cidadãos brasileiros que impedem, entre outras coisas a realização de comércio e operações financeiras com empresas americanas, com efeito no Brasil.
REUNIÃO – O chanceler de Lula disse que ainda não estão definidos o local e a data da reunião, que poderá ser presencial ou por videoconferência. Ele afirmou que não há nada combinado entre os dois governos sobre uma possível vinda de Trump ao Brasil ou do presidente brasileiro aos EUA e comentou que considera difícil que ocorra uma conversa nesta semana. “Estamos todos muito interessados em que esse encontro aconteça”, disse Vieira.
Ele defendeu o pragmatismo no diálogo com os EUA. Disse que é preciso trabalhar com dados concretos e sem provocações ou confrontações. “A defesa dos interesses econômicos e comerciais do Brasil é uma causa que diz respeito a todos os brasileiros. Essa defesa seguirá sendo firme, mas serena, baseada em dados concretos e fidedignos, sem provocações ou confrontações estéreis, cientes todos que estamos da importância de buscar soluções mutuamente benéficas e de preservar as excelentes e proveitosas relações que Brasil e Estados Unidos mantém há mais de dois séculos”, afirmou o ministro.
A expectativa é que Lula e Trump tenham uma conversa telefônica, antes de uma reunião presencial. Para interlocutores do governo brasileiro, o mais provável é que o encontro ocorra no fim deste mês, na Malásia, durante uma cúpula de líderes da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
BLOCO – Lula será o primeiro presidente brasileiro a participar de uma cúpula da Asean. O bloco é formado por Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Brunei, Vietnã, Laos, Mianmar e Camboja.
Há nove dias, depois de ouvir o discurso do brasileiro na ONU, em defesa da soberania nacional, Trump anunciou, em sua fala, que iria se reunir com Lula nesta semana. Os governos dos dois países estão em tratativas para que a reunião aconteça. Existe a expectativa de o encontro presencial ser antecedido por uma conversa telefônica entre os dois mandatários.
O gesto de Trump surpreendeu e trouxe alívio ao governo Lula, mesmo que temporário. Até o início da semana passada, cidadãos brasileiros eram alvos de sanções devido ao julgamento e condenação de Bolsonaro a 27 anos de prisão pelo (STF) por tentativa de golpe de Estado. Entre os alvos principais estavam o ministro da Corte, Alexandre de Moraes, e sua esposa, Viviane.

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