quarta-feira, setembro 10, 2025

Centrão arma aliança para 2026 e ameaça agenda de Lula

Publicado em 9 de setembro de 2025 por Tribuna da Internet

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Catia Seabra e
Victoria Azevedo
Folha

Aliados do presidente Lula (PT) temem que a aliança que partidos do centrão costuram em torno de uma candidatura de direita para 2026 prejudique a pauta do governo até o fim do mandato. O medo é que, unidos em torno da candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos), parlamentares do grupo se juntem ao bolsonarismo e travem a agenda do Executivo, em especial a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000.

Na última semana, as cúpulas do Progressistas (PP) e do União Brasil anunciaram o rompimento com o governo petista. As legendas determinaram que “detentores de mandato” deixem seus cargos na Esplanada até o próximo dia 30, sob risco de expulsão. O movimento ocorreu em meio ao julgamento de Jair Bolsonaro (PL) no STF (Supremo Tribunal Federal).

ENTRAVES – Governistas reconhecem que a saída desses dois partidos pode dificultar a aprovação de projetos, já que o governo reduziria sua base oficial para 259 deputados —apenas dois a mais do que a metade.

Uma amostra dos efeitos do desembarque foi vista no Senado, quando senadores do PP e do União Brasil votaram contra a PEC (proposta de emenda à Constituição) que cria novas regras para os precatórios. A proposta, que permite ao governo um gasto extra de R$ 12,4 bilhões em 2026, foi aprovada com o número mínimo de votos necessários.

Além disso, integrantes do governo temem que o avanço da articulação pela anistia aos condenados do 8 de Janeiro atropele a pauta, já que o debate impossibilita o andamento de outras matérias no plenário da Câmara.

OPOSIÇÃO – Há também uma avaliação entre aliados do presidente de que os partidos de centro poderão atuar contra a agenda do governo, justamente para evitar que o petista possa ter ganhos eleitorais com essas medidas, principalmente no caso da isenção do Imposto de Renda.

Auxiliares de Lula apontam que esse rompimento poderia servir de matéria-prima para um discurso de combate aos privilégios. A estratégia seria mostrar que, em vez de aprovar isenção do IR para milhões de brasileiros, os apoiadores de Tarcísio priorizam a anistia para envolvidos em atos antidemocráticos, que culminaram na depredação das sedes dos três Poderes em Brasília.

A ideia seria reforçar que os bolsonaristas mantêm seus interesses políticos acima dos nacionais, a exemplo do apoio manifesto às sanções econômicas impostas pelo governo Donald Trump ao Brasil.

PRESSÃO – No Congresso, articuladores do governo já admitem, sob reservas, que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve sucumbir à pressão para incluir a anistia na pauta. O esforço, agora, será para convencê-lo a levar o projeto do IR a voto antes da anistia, sob o argumento de que a aprovação de uma medida popular será importante para a imagem da Câmara e do próprio Motta.

A proposta do IR foi aprovada em comissão especial no mês de julho, mas não avançou desde então. Ela ainda precisa ser votada no plenário da Câmara antes de seguir para o Senado.

Aliados de Lula avaliam que, ao priorizar a anistia em detrimento do IR, Motta estaria empoderando o mesmo grupo que obstruiu a mesa na Câmara durante uma rebelião no plenário —o que, até o momento, não resultou em punições aos envolvidos.

MEDIDA IMPOPULAR – Além disso, dizem que o centrão, ao embarcar no debate da anistia, apoia uma medida impopular e gera mais desgaste à imagem do Congresso como um todo. Nas últimas semanas, foram alvo de críticas propostas que estavam em discussão no Parlamento, como a PEC da Blindagem, que dá poder ao Congresso para barrar qualquer investigação e processo contra parlamentares.

No Planalto, a orientação será de oposição à anistia. A avaliação de aliados de Lula e do próprio presidente é que a aprovação dessa proposta seria uma vitória da direita radical e representaria uma rendição a Trump, já que o governo americano impôs sanções econômicas ao país em resposta ao julgamento de Bolsonaro no STF.

Um aliado de Lula avalia que hoje a pauta principal do bolsonarismo é a anistia. A aprovação desse projeto, portanto, daria uma vitória política importante ao grupo, às vésperas das eleições.

DIVISOR DE ÁGUAS – Líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ) afirma que essa votação será um divisor de águas para o governo, um risco no chão. “O governo tem um compromisso de defesa das instituições democráticas, do STF. O deputado que votar pela urgência estará optando pela saída do governo”, afirmou.

Em reuniões políticas e atividades públicas, Lula tem se manifestado contra a anistia. Na quinta-feira (4), fez um apelo por mobilização popular contra a proposta. “Nós estamos vendo agora os falsos patriotas nos EUA pedindo intervenção do presidente Trump no Brasil. Os caras que fizeram campanha embrulhados na bandeira nacional, dizendo que eram patriotas, agora estão embrulhados na bandeira americana, pedindo para o Trump intervir no Brasil”, disse o petista ma última quinta-feira (4) em conversa com lideranças e influenciadores da periferia em Belo Horizonte.

EXTREMA DIREITA – “Agora, outra coisa que nós temos que saber: se for votar no Congresso, nós corremos o risco da anistia. O Congresso, vocês sabem, não é um Congresso eleito pela periferia. O Congresso tem ajudado o governo, o governo aprovou quase tudo que o governo queria, mas a extrema direita tem muita força ainda. Então é uma batalha que tem que ser feita também pelo povo”, acrescentou.

No centrão, a estratégia será pela conclusão desse debate ainda neste ano, para não contaminar o calendário eleitoral de 2026. A tática é para que temas espinhosos, como sanções econômicas e anistia para quem atentou contra a democracia, estejam longe da disputa para que Tarcísio ou outro candidato da direita não se vejam obrigados a se justificar para os eleitores.


A grande novidade é Tarcísio estar pisando firme no palanque dos aflitos

Publicado em 9 de setembro de 2025 por Tribuna da Internet

Com Tarcísio e bandeiras dos EUA, bolsonaristas pedem anistia para golpistas na avenida Paulista

Tarcísio defende Bolsonaro junto de Michelle e Malafaia

Vicente Limongi Netto

Michelle chorou, atacou Moraes e declarou amor eterno ao marido; o senador Flávio Bolsonaro tingiu a alma de chocolate,  culpando desde já o ministro Alexandre de Moraes pela eventual segunda facada; e o governador Tarcísio de Freitas entrou na pilha.

Fogoso, pisou firme no palanque dos aflitos. Olhos sangrando de rancor. Respirou fundo e foi logo tirando o. couro de Moraes para fazer cuica. Como pode ser tudo, menos bobo, vestiu Bolsonaro com a imagem do Cristo Redentor.

A MESMA LINHA – Mais figurantes da ópera bufa seguiram a mesma linha despudorada da pieguice explícita. Zelando pelas marionetes suadas, gordas, mal vestidas e indóceis, estava o pastor das almas penadas, Malafaia de tal. Que também abriu o bico, blasfemando contra tudo e todos.

A esta altura, até a mãe de Moraes já havia sido docilmente homenageada pela multidão. As televisões mostraram o medonho, inacreditável e inútil show de demagogos, oportunistas e desocupados. Todos com o peito ardendo de ódio. Alucinados e reféns do sol escaldante.

LEITE CONDENSADO – O doce Jair Messias Bolsonaro, chorando em casa, forrado de fervor cívico, de dieta braba, se fartando com pão com leite condensado, frango assado e camarão empanado, o canastrão principal da pantomima, perto de ser canonizado, antes de ser fritado.

Nas ruas, fantoches com a bandeira dos Estados Unidos nos ombros. Um mendigo, acordado pela barulheira, coçou a cabeça piolhenta e lascou para o segurança grandalhão do palanque com voz fraca e esfomeada: “Que horas vão distribuir o sanduiche que prometeram?”


Família Bolsonaro transforma prisão domiciliar em QG político durante julgamento no STF


Renan e Carluxo faltam sessões para acompanhar julgamento

Luísa Marzullo
O Globo

Com o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em curso na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), sua família tem se organizado para prestar apoio em Brasília. Ao longo da primeira semana de sessões, os filhos Carlos e Jair Renan viajaram para a capital e estiveram na casa do pai, que cumpre prisão domiciliar, durante os julgamentos.

A decisão custou ausências nos Legislativos municipais do Rio de Janeiro e de Balneário Camboriú, formalmente justificadas como “assuntos pessoais”, mas que coincidem com a mobilização familiar em torno do processo.

AFASTAMENTO – No caso de Jair Renan, vereador em Balneário Camboriú desde janeiro, ele não participou das sessões dos dias 2 e 3 de setembro. O afastamento foi comunicado à Presidência da Câmara por meio de documento assinado por seu assessor Nicholas Meira, datado de 1º de setembro.

O pedido falava apenas em compromissos pessoais, sem mencionar o julgamento, mas Jair Renan embarcou para Brasília já na véspera, quando se juntou aos irmãos numa vigília em frente à casa do ex-presidente.

Carlos Bolsonaro, vereador no Rio, também se ausentou do plenário nos dias 2, 3 e 4 de setembro. A justificativa foi semelhante à do irmão, sem referência direta ao STF. Ambos priorizaram a permanência ao lado do pai, reforçando o simbolismo político da presença familiar durante o julgamento. O Globo procurou os vereadores e o espaço permanece aberto para manifestações.

AGENDA – O único filho que manteve normalmente a agenda legislativa foi o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que chegou a presidir audiências em comissões no Congresso. Já o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos desde fevereiro, segue afastado das atividades no Brasil: já acumula 18 faltas na Câmara e pode perder o mandato ainda este ano por baixo comparecimento.

Na casa do Jardim Botânico, onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, a rotina da semana passada foi de portas abertas para a família. Carlos e Jair Renan passaram longos períodos na residência, acompanhando o pai de perto durante as sessões da Primeira Turma do STF.

EXPECTATIVA – Entre um voto e outro, o ex-presidente recebia informações atualizadas por advogados, enquanto os filhos circulavam entre a sala e a área externa, em conversas com aliados que foram prestar solidariedade. O clima, segundo relatos de quem esteve no local, era de expectativa e nervosismo, com celulares em mãos e olhos fixos nas transmissões do Supremo.

Desde o início de agosto, a casa virou uma espécie de quartel-general improvisado. Parlamentares do PL e assessores próximos fizeram visitas ao longo do último mês. Na segunda-feira passada, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), estiveram com o ex-presidente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Em meio ao julgamento, Bolsonaro pede licença para fazer pequena cirurgia, com suspeitas de câncer de pele. Ao invés de fazer logo a operação, pediu para agendá-la dois dias após o julgamento. Dá para entender? Claro que não. (C.N.)


Militância leva à irracionalidade no dia-a-dia do jornalismo brasileiro


Não existe bom senso em SP. – Junião

Charge do Junião (Arquivo Google)

Rodrigo Constantino
Gazeta do Povo

O jornalista sério da “velha guarda” Carlos Alberto Di Franco escreveu sobre a crise do jornalismo moderno, com muita ideologia e militância e pouco apreço pelos fatos. O resultado é a perda de credibilidade perante o público, algo difícil de reverter.

Di Franco comenta: A sociedade está exausta do clima de militância que contaminou a agenda pública. Sobra opinião; falta informação. A notícia foi engolida pelo achismo. Os leitores estão perdidos em meio a afirmações categóricas, declarações de “especialistas” de ocasião e uma avalanche de colunismo militante. O denominador comum? Radicalização e politização. Uma distorção que fragiliza a credibilidade da imprensa, alimenta o ceticismo das novas gerações e abre espaço para teorias conspiratórias. A informação, que deveria ser um bem público, confiável e transparente, converteu-se – em muitos casos – numa trincheira ideológica.

EXEMPLO CLARO – Basta ver a cobertura do julgamento de Jair Bolsonaro para verificar isso. É uma escancarada militância disfarçada de jornalismo, e qualquer pessoa minimamente atenta pode perceber.

Para pintar Bolsonaro como golpista vale tudo, inclusive ignorar o bom senso. Os “especialistas” são escolhidos a dedo, como o jurista Miguel Reale Jr. que concedeu uma entrevista à Folha de São Paulo, rasgando seu conhecimento de Direito para vestir o boné de militante que votou em Lula por ódio a Bolsonaro. É o típico tucano.

OUTRO EXEMPLO – Ódio comparável ao que nossa imprensa sente por Bolsonaro só mesmo aquele nutrido contra Trump. O presidente americano precisa ser retratado como o Diabo na Terra.

A mesma Folha de São Paulo usou uma manchete que só a ideologia impede de constatar o absurdo, o ridículo mesmo da chamada: “Em nova investida contra sistema eleitoral, Trump diz que exigirá identificação de eleitor para voto”.

IDENTIFICAÇÃO – Então exigir identificação é uma “investida contra sistema eleitoral”? O simples ato de comprovar que quem vota é mesmo aquele eleitor, isso fere como exatamente o sistema eleitoral?

Folha não explica, nem tenta. Até porque o jornal parece ter virado “golpista” por sua própria ótica: o Brasil exige identificação do eleitor! Seria o Brasil “racista” por isso?

Esse caso é apenas um entre tantos, mas ilustra bem o grau de insanidade a que chegou a velha imprensa. No afã de atacar Trump, a Folha condena algo básico que qualquer pessoa com um pingo de bom senso concordaria: é preciso saber quem vota, ponto.

DEVER DE TODOS – Evitar fraude eleitoral deveria ser uma meta de todos, não? Mas quando vem de Trump a proposta, o jornal não consegue se conter e parte para o ataque.

Di Franco critica o afastamento da imprensa de seu público em geral: “Com frequência, passou a falar para si mesma, para suas bolhas cognitivas, esquecendo o cidadão comum – o leitor silencioso, mas atento. Esse leitor – homem ou mulher, jovem ou adulto – deseja ser informado com seriedade, não catequizado por ativismos ideológicos”

De fato. Mas cá entre nós: está bem difícil encontrar jornalismo sério na velha imprensa!

(Artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

Ministros do Supremo criticam Barroso e veem risco político em fala sobre anistia


“Não defendi ideia de anistia”, diz Barroso

Catia Seabra
Folha

A declaração em que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) atribui o avanço de negociações sobre a anistia de envolvidos na trama golpista a uma avaliação do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, provocou a irritação de ministros da corte com o colega.

Barroso contrariou integrantes do tribunal ao afirmar que, após o julgamento e a eventual condenação dos réus, a anistia seria uma decisão política. Embora o ministro negue essa intenção, a fala foi interpretada por bolsonaristas como um aval à deflagração de uma articulação no Congresso para concessão de indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

AMBIENTE PROPÍCIO – Em entrevista à Folha, Ciro Nogueira, que é presidente do PP e foi ministro de Bolsonaro, afirmou que a declaração de Barroso criou o ambiente propício para o debate no Congresso. Contrário à tese de Barroso, um ministro do STF fez duras críticas, sob reserva, à declaração do presidente do tribunal. Esse magistrado aponta que o regime democrático é uma cláusula pétrea da Constituição, sendo absurdo considerar perdoável um ataque à democracia.

O mesmo ministro classificou como uma barbaridade a avaliação de Barroso, por entender que o caso não estaria suscetível à anistia —nem antes nem depois do julgamento. Uma ala do tribunal considerou a declaração como um desrespeito à maioria do tribunal, que seria contrária à anistia. Barroso teria dado uma justificativa para a deflagração de um movimento de bolsonaristas no Congresso sem consultar a corte.

Um magistrado acrescenta que, do ponto de vista jurídico, não haveria nem mesmo impedimento à anistia antes da decisão da corte, como afirmou Barroso. Outro ministro, também contrário à anistia, avalia que a visão expressada por Barroso é minoritária no plenário. Ele calcula que apenas três ou quatro dos 11 integrantes do STF pensam dessa maneira, o que incluiria o próprio presidente do tribunal.

“CHANCE ZERO” – Nas palavras desse magistrado, há “chance zero” de o tribunal avalizar uma anistia ampla, mesmo que tenha apoio em massa no Congresso Nacional. Esse ministro interpreta as declarações de Barroso como uma tentativa de fazer um gesto político num momento considerado delicado, diante das ameaças constantes de sanções do governo dos EUA a integrantes do Supremo.

Ministros lembram que Barroso deu um dos oito votos no STF que invalidaram o indulto concedido por Bolsonaro ao então deputado Daniel Silveira. Em 2022, ele foi condenado pelo STF por incitação à abolição violenta do Estado Democrático de Direito e coação no curso do processo.

Então presidente, Bolsonaro concedeu o indulto ao parlamentar, mas a medida foi derrubada pela corte. Na ocasião, Barroso acompanhou a tese de que o ato do presidente havia sido marcado por desvio de finalidade e apontou que o Supremo tinha a prerrogativa de avaliar os atos do Executivo.

ALINHAMENTO – Outro ministro que votou pela derrubada do indulto foi Luiz Fux, que tem dado sinais de alinhamento às teses da defesa dos réus dos ataques de 8 de janeiro e da trama golpista. Naquele julgamento, Fux afirmou que não caberia perdão do Congresso no caso de crimes contra a democracia.

“Entendo que crime contra o Estado democrático de Direito é um crime político e impassível de anistia, porquanto o Estado democrático de Direito é uma cláusula pétrea que nem mesmo o Congresso Nacional, através de uma emenda, pode suprimi-la”, disse o ministro.

OUTRO LADO –  Depois que bolsonaristas espalharam a ideia de que o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, seria favorável à anistia, o ministro esclareceu que ainda não fez juízo de valor sobre a proposta.

“Não defendi a ideia de anistia. E, caso o tema seja judicializado, não emiti opinião sobre como o tribunal se posicionará neste caso. Nunca antecipo voto”, afirmou nesta quinta-feira, em mensagem à CNN.

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro têm utilizado uma fala de Barroso feita em agosto, durante um evento da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), como um indicativo de que o STF poderia validar a anistia.

QUESTÃO POLÍTICA – Na ocasião, o presidente da Corte disse que, juridicamente, é impossível aprovar uma anistia antes da conclusão de qualquer julgamento – mas que, depois disso, o tema “passa a ser uma questão política” a ser definida pelo Congresso.

“Não estou dizendo que acho bom, nem ruim, nem que deve fazer e nem que não deve. Mas pode ser um fator de pacificação”, disse ele em Cuiabá. A frase tem sido replicada nos últimos dias, em meio ao julgamento de Bolsonaro.

“Indagado sobre anistia, em um evento em Mato Grosso, disse que não achava que ela pudesse ser possível antes do julgamento. E que após o julgamento, entendia que essa passava a ser uma matéria para o Congresso. Não defendi a ideia de anistia. E, caso o tema seja judicializado, não emiti opinião sobre como o tribunal se posicionará neste caso. Nunca antecipo voto”, afirmou o ministro.


“Daniele foi retirada do tratamento e colocada pra morte”, diz advogado

 A defesa destacou que a médica já havia comunicado, durante audiência, que caso fosse levada para a prisão, poderia tentar contra a própria vida

(Foto: arquivo/Sejuc)

O advogado de defesa de Danielle Barreto, encontrada morta na tarde desta terça-feira, 9, afirmou em entrevista que a cliente havia alertado as autoridades sobre os riscos à própria vida caso fosse levada de volta ao presídio. A médica, acusada de planejar a morte do marido, o advogado José Lael, estava internada em uma clínica de repouso e retornou à prisão após audiência de custódia.

“Eu nunca imaginei que fossem cumprir um mandado de prisão em uma pessoa em tratamento, tratamento esse por tempo indeterminado. Ela foi retirada do tratamento e colocada para a morte”, disse o advogado Fábio Trindade em entrevista à TV Atalaia.

Segundo ele, Danielle demonstrava sinais graves de sofrimento, como automutilação e pensamentos suicidas. Durante a audiência de custódia, ela já havia avisado que não resistiria ao retorno à prisão. “A última palavra que Dani disse lá na audiência é que se viesse pra cá, ela iria fazer isso. Disse pra mim, pro irmão, pra cunhada, a todos que estavam ali presentes. Eu alertei de todas as formas, eu documentei, eu disse que ela não podia vir”, relatou Trindade.

O advogado acrescentou que Danielle chegou a perguntar à magistrada se seria internada novamente, ouvindo como resposta que, no presídio, receberia tratamento adequado e atendimento psiquiátrico imediato. Ainda assim, reagiu: “A primeira coisa que vou fazer é tirar a minha vida.” “E assim ela fez e cumpriu”, lamentou Fábio.

Danielle havia sido beneficiada com habeas corpus e cumpria prisão domiciliar, que foi posteriormente revogada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Desde então, passou por internação em clínica psiquiátrica até ser encaminhada novamente ao Presídio Feminino, onde foi encontrada morta horas após a audiência.

Por Verlane Estácio

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