quarta-feira, setembro 10, 2025

Família Bolsonaro transforma prisão domiciliar em QG político durante julgamento no STF


Renan e Carluxo faltam sessões para acompanhar julgamento

Luísa Marzullo
O Globo

Com o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em curso na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), sua família tem se organizado para prestar apoio em Brasília. Ao longo da primeira semana de sessões, os filhos Carlos e Jair Renan viajaram para a capital e estiveram na casa do pai, que cumpre prisão domiciliar, durante os julgamentos.

A decisão custou ausências nos Legislativos municipais do Rio de Janeiro e de Balneário Camboriú, formalmente justificadas como “assuntos pessoais”, mas que coincidem com a mobilização familiar em torno do processo.

AFASTAMENTO – No caso de Jair Renan, vereador em Balneário Camboriú desde janeiro, ele não participou das sessões dos dias 2 e 3 de setembro. O afastamento foi comunicado à Presidência da Câmara por meio de documento assinado por seu assessor Nicholas Meira, datado de 1º de setembro.

O pedido falava apenas em compromissos pessoais, sem mencionar o julgamento, mas Jair Renan embarcou para Brasília já na véspera, quando se juntou aos irmãos numa vigília em frente à casa do ex-presidente.

Carlos Bolsonaro, vereador no Rio, também se ausentou do plenário nos dias 2, 3 e 4 de setembro. A justificativa foi semelhante à do irmão, sem referência direta ao STF. Ambos priorizaram a permanência ao lado do pai, reforçando o simbolismo político da presença familiar durante o julgamento. O Globo procurou os vereadores e o espaço permanece aberto para manifestações.

AGENDA – O único filho que manteve normalmente a agenda legislativa foi o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que chegou a presidir audiências em comissões no Congresso. Já o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos desde fevereiro, segue afastado das atividades no Brasil: já acumula 18 faltas na Câmara e pode perder o mandato ainda este ano por baixo comparecimento.

Na casa do Jardim Botânico, onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, a rotina da semana passada foi de portas abertas para a família. Carlos e Jair Renan passaram longos períodos na residência, acompanhando o pai de perto durante as sessões da Primeira Turma do STF.

EXPECTATIVA – Entre um voto e outro, o ex-presidente recebia informações atualizadas por advogados, enquanto os filhos circulavam entre a sala e a área externa, em conversas com aliados que foram prestar solidariedade. O clima, segundo relatos de quem esteve no local, era de expectativa e nervosismo, com celulares em mãos e olhos fixos nas transmissões do Supremo.

Desde o início de agosto, a casa virou uma espécie de quartel-general improvisado. Parlamentares do PL e assessores próximos fizeram visitas ao longo do último mês. Na segunda-feira passada, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), estiveram com o ex-presidente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Em meio ao julgamento, Bolsonaro pede licença para fazer pequena cirurgia, com suspeitas de câncer de pele. Ao invés de fazer logo a operação, pediu para agendá-la dois dias após o julgamento. Dá para entender? Claro que não. (C.N.)


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