
Charge do Junião (Arquivo Google)
Rodrigo Constantino
Gazeta do Povo
O jornalista sério da “velha guarda” Carlos Alberto Di Franco escreveu sobre a crise do jornalismo moderno, com muita ideologia e militância e pouco apreço pelos fatos. O resultado é a perda de credibilidade perante o público, algo difícil de reverter.
Di Franco comenta: A sociedade está exausta do clima de militância que contaminou a agenda pública. Sobra opinião; falta informação. A notícia foi engolida pelo achismo. Os leitores estão perdidos em meio a afirmações categóricas, declarações de “especialistas” de ocasião e uma avalanche de colunismo militante. O denominador comum? Radicalização e politização. Uma distorção que fragiliza a credibilidade da imprensa, alimenta o ceticismo das novas gerações e abre espaço para teorias conspiratórias. A informação, que deveria ser um bem público, confiável e transparente, converteu-se – em muitos casos – numa trincheira ideológica.
EXEMPLO CLARO – Basta ver a cobertura do julgamento de Jair Bolsonaro para verificar isso. É uma escancarada militância disfarçada de jornalismo, e qualquer pessoa minimamente atenta pode perceber.
Para pintar Bolsonaro como golpista vale tudo, inclusive ignorar o bom senso. Os “especialistas” são escolhidos a dedo, como o jurista Miguel Reale Jr. que concedeu uma entrevista à Folha de São Paulo, rasgando seu conhecimento de Direito para vestir o boné de militante que votou em Lula por ódio a Bolsonaro. É o típico tucano.
OUTRO EXEMPLO – Ódio comparável ao que nossa imprensa sente por Bolsonaro só mesmo aquele nutrido contra Trump. O presidente americano precisa ser retratado como o Diabo na Terra.
A mesma Folha de São Paulo usou uma manchete que só a ideologia impede de constatar o absurdo, o ridículo mesmo da chamada: “Em nova investida contra sistema eleitoral, Trump diz que exigirá identificação de eleitor para voto”.
IDENTIFICAÇÃO – Então exigir identificação é uma “investida contra sistema eleitoral”? O simples ato de comprovar que quem vota é mesmo aquele eleitor, isso fere como exatamente o sistema eleitoral?
A Folha não explica, nem tenta. Até porque o jornal parece ter virado “golpista” por sua própria ótica: o Brasil exige identificação do eleitor! Seria o Brasil “racista” por isso?
Esse caso é apenas um entre tantos, mas ilustra bem o grau de insanidade a que chegou a velha imprensa. No afã de atacar Trump, a Folha condena algo básico que qualquer pessoa com um pingo de bom senso concordaria: é preciso saber quem vota, ponto.
DEVER DE TODOS – Evitar fraude eleitoral deveria ser uma meta de todos, não? Mas quando vem de Trump a proposta, o jornal não consegue se conter e parte para o ataque.
Di Franco critica o afastamento da imprensa de seu público em geral: “Com frequência, passou a falar para si mesma, para suas bolhas cognitivas, esquecendo o cidadão comum – o leitor silencioso, mas atento. Esse leitor – homem ou mulher, jovem ou adulto – deseja ser informado com seriedade, não catequizado por ativismos ideológicos”
De fato. Mas cá entre nós: está bem difícil encontrar jornalismo sério na velha imprensa!
(Artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)