sábado, fevereiro 04, 2023

Enfurecido, Wagner ameaçou atacar publicamente indicação de Aline ao TCM mas recuou depois de ganhar presidência da Embasa

 

Foto: Reprodução Youtube/Arquivo

Senador Jaques Wagner03 de fevereiro de 2023 | 14:58

A confirmação de que o plano do ministro chefe da Casa Civil, Rui Costa, de transformar em conselheira do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) a mulher, Aline Peixoto, uma enfermeira, é para valer, demonstrada pela reincorporação esta semana do PP à base governista, enfureceu o senador Jaques Wagner (PT).

Pelo menos três deputados governistas relataram a este Política Livre terem presenciado a irritação do senador com a ideia do seu antecessor, que tem recebido críticas da imprensa nacional, chegando a ser chamada de “esposismo” em editorial do jornal Folha de S. Paulo.

Wagner teria demonstrado todo seu desagrado com o plano ainda durante a reunião em que o governador Jerônimo Rodrigues (PT) selou a reaproximação com a bancada na Assembleia do PP, partido que rompeu no ano passado com o governo para apoiar a candidatura de ACM Neto ao governo.

A fim de obter mais segurança para a aprovação da indicação de Aline ao TCM pelos deputados, Jerônimo, a pedido de Rui, inesperadamente tratou de atrair de novo o PP à base, o que pegou de surpresa Wagner, para quem o restabelecimento da aliança com o partido era desnecessário no momento.

Foi ele que praticamente impôs a saída do partido da base antes do início da campanha estadual, abrindo espaço para que o MDB se incorporasse ao projeto de eleição de Jerônimo num momento em que poucos – tanto do lado do governo quanto da oposição – acreditavam na vitória.

Na reunião em que trataram da reaproximação com o governo, os políticos assistiram a pelo menos dois telefonemas disparados pelo senador para os representantes de Jerônimo protestando contra o avanço das negociações pela indicação de Aline ao Tribunal.

Num dado momento, os parlamentares governistas teriam ficado tão constrangidos que fizeram questão de pedir desculpas aos membros da bancada pela interrupção da conversa, além de assegurar que Wagner não tinha, pessoalmente, nada contra cada um dos seis deputados do PP.

Neste mesmo dia, demonstrando toda a sua irritação com a manobra para viabilizar a indicação de Aline, Wagner teria chegado a ameaçar ir à imprensa e mesmo usar as redes sociais para criticar, de público, a ideia de fazer a ex-primeira-dama conselheira, um cargo vitalício com salário estimado em R$ 42 mil.

Ele só teria recuado da ideia, no entanto, depois que, demonstrando habilidade política, Jerônimo entrou em campo e lhe assegurou a indicação da presidência da Embasa, que permanecia até então sem comando exatamente por causa da disputa que o senador protagonizava com Rui pelo controle da estatal.

O ex-governador defendia o nome da diretora de Empreendimentos da empresa, Rita de Cássia Sarmento Bonfim, enquanto Wagner lutava para emplacar o executivo Leonardo Góes, cujo anúncio como presidente da Embasa foi feito por Jerônimo exatamente no dia seguinte à divulgação de que o governo fechou a aliança com o PP.

A escolha causou surpresa nos meios políticos porque apenas dois dias antes Góes havia sido nomeado para a Secretaria Nacional de Segurança Hídrica do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional. Ele também foi secretário estadual de Infraestrutura Hídrica e Saneamento (SIHS).

Política Livre

É preciso punir com todo rigor os garimpeiros ilegais e os golpistas trabalhões


Garimpo ilegal polui as águas e cria crateras na floresta

Vicente Limongi Netto

Fatos se sucedem, pantomimas e acontecimentos são destaques, mas há boas pautas. Cito uma delas: o governo Lula deveria pedir ajuda ao ex-presidente Fernando Collor, que no exercício da chefia da nação expulsou a corja maldita de garimpeiros do território yanomami.  Collor agia com firmeza e determinação. Bandido não se criava na gestão dele.

Lula precisa agir rápido, para ontem, como Collor, se realmente quiser botar ordem naquela região. Indígenas são maltratados, escorraçados, passam fome e sede, sem saúde e remédios, e, soube-se agora, adolescentes são estupradas pelos garimpeiros canalhas, covardes e ordinários.

EXPULSÃO IMEDIATA – Esses garimpeiros são monstros que precisam deixar as terras que não são deles. Por determinação legal, pertencem ao povo yanomami. É preciso expulsá-los, mesmo que seja na força. No cacete, com bombas, granadas, metralhadoras, tanques e outros armamentos pesados.

Eles barbarizam a região, mas permanecem impunes, destruindo e humilhando nossos indígenas. Estão debochando das autoridades federais, com a conivência do estúpido e omisso governador de Roraima.

Garimpeiro ilegal é repugnante e desprezível. Para onde vão, é problema das autoridades policiais federais. Por mim e seguramente para milhões de brasileiros, deveriam ser punidos exemplarmente com prisão, antes de irem para os quintos dos infernos.

OUTRA PAUTA –  Golpistas são desprezíveis,  também merecem mofar na cadeia. No Brasil, além de facínoras, baderneiros e vândalos, trata-se de golpistas trapalhões. Chafurdam na canalhice. Sem neurônios. Dão tiros nas patas imundas. Tropeçam na própria mediocridade.

O quarteto de debiloides, formado por Do Val, Daniel Silveira, Valdemar Costa Neto e Anderson Torres, a serviço do genocida que fugiu para Orlando, agora tenta livrar a própria cara. Dois deles já estão em cana. O senador e o presidente do PL, ainda soltos, tentam confundir a opinião pública com versões malucas e patéticas. São canastrões de chanchadas golpistas.

Por sua vez,  o ministro Alexandre de Moraes, que não teme nem dá trégua para marginais,  já mandou Do Val se explicar direitinho. Hora de chumbo grosso e cadeia na horta dos bazofeiros e energúmenos trapalhões. Faltará Lexotan no porão torpe da politicagem, como observou o ministro do STF, Gilmar Mendes.

Rede acusa Marcos do Val de golpismo e vai pedir a cassação do mandato dele

Publicado em 4 de fevereiro de 2023 por Tribuna da Internet

Charges | Brasil 247

Charge do Nando Motta (Brasil 247)

Bernardo Mello Franco
O Globo

A Rede Sustentabilidade afirma que o senador Marcos do Val (Podemos-ES) cometeu “diversos crimes” e merece ter o mandato cassado. A acusação será enviada ao Conselho de Ética, responsável por julgar senadores por quebra de decoro parlamentar.

Em representação concluída na noite desta sexta-feira, a Rede diz que Marcos Do Val se valeu da proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro para “conspirar em prol de um golpe de Estado”.

INFINITAS VERSÕES – “Não satisfeito em participar de tal reunião e de parecer cogitar participar efetivamente do plano golpista (…), o senador ainda promoveu um verdadeiro tumulto ao divulgar as informações com diversas idas e vindas em suas infinitas versões sobre os fatos”, afirma o documento.

Para a Rede, o senador do Podemos “parece desprezar a Constituição”, “pretende proteger alguém” e montou um circo “de péssima qualidade artística”.

“Qual seria o interesse do senador Marcos do Val em afastar o ministro Alexandre de Moraes dos inquéritos que apuram os gravíssimos e aviltantes atos antidemocráticos e os atos de espalhamento de fake news?”, questiona a representação.

ABERTA INVESTIGAÇÃO – Mais cedo, Moraes mandou a abertura de uma investigação sobre as versões contraditórias do senador sobre sua reunião com Bolsonaro e o ex-deputado Daniel Silveira.

Na representação ao Conselho de Ética, a Rede afirma que Do Val praticou “irregularidade gravíssima no desempenho de suas atribuições”.

“Cometeu, em tese, diversos crimes, a exemplo de obstrução da Justiça, prevaricação, organização criminosa, atentado contra o Estado Democrático de Direito, todos esses gravíssimos”, conclui.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Do Val deveria ser cassado por falta de caráter. Se isso acontecesse, ele seria um vazio que preencheria uma lacuna. Não faria a menor falta(C.N.)


Marcos do Val revela que seu objetivo é afastar Moraes da relatoria do inquérito


Prisão preventiva de Torres pode ajudar a preservar investigações, analisam  juristas | LIVE CNN - YouTube

Do Val quer usar as mensagens de Moraes para afastá-lo

Fernanda Pinotti e Caroline Rosito
CNN

Em entrevista à CNN nesta sexta-feira (3), o senador Marcos do Val (Podemos-ES) disse que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes não orientou que ele formalizasse o seu depoimento sobre a reunião com Daniel Silveira (PTB-RJ) e o então presidente Jair Bolsonaro (PL) e disse que vai pedir o afastamento de Moraes da relatoria do inquérito dos atos antidemocráticos.

O senador afirmou que mandou uma mensagem ao ministro logo após a reunião com um resumo do que havia se passado, e que teve um encontro presencial com Moraes alguns dias depois e “em momento algum ele me disse para fazer um registro oficial da situação”.

SEM ORIENTAÇÃO – “Não fui orientado nem em mensagens, nem no encontro presencial”, disse Do Val. Ele também anunciou que vai pedir à Procuradoria-Geral da República (PGR) o afastamento de Moraes da relatoria do inquérito dos atos democráticos.

O senador disse que solicitou que a Polícia Federal (PF) tenha acesso a todas as mensagens trocadas com Moraes e com Silveira em seu celular, para que passem a fazer parte dos autos do inquérito. “Como ele [o ministro Alexandre de Moraes] vai entrar nos autos, não poderá mais ser relator”, disse.

Na entrevista, Do Val reafirmou que o presidente Jair Bolsonaro ficou em silêncio enquanto Daniel Silveira falava sobre a possibilidade de um golpe de Estado.

FOI INCENTIVADO – Como o repórter que foi autor da matéria da Veja é seu ex-assessor, Marcos do Val também disse que foi “incentivado” por seu ex-assessor a dar o depoimento sobre essa reunião. Leonardo Caldas Vargas, autor da matéria na revista Veja que trouxe à tona a reunião entre ele, Jair Bolsonaro e Daniel Silveira, realmente é ex-funcionário da equipe de comunicação do senador.

Quando questionado sobre as contradições entre sua entrevista para a revista Veja e as declarações dadas durante a coletiva de imprensa na quinta-feira (2), Marcos do Val disse que, ao mencionar o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) ele estava apenas contextualizando quais órgãos precisariam ser acionados para que o plano de Silveira não fosse feito de forma ilegal, e não estava afirmando que o GSI sabia do plano.

FEZ “GLAMOUR” – Do Val ainda disse que “fez um glamour” ao falar que Bolsonaro havia lhe dado uma ordem direta durante a reunião, em entrevista para Leonardo, mas que as mensagens trocadas anteriormente com Alexandre de Moraes deixam claro que o ex-presidente ficou silêncio e apenas escutou enquanto Silveira falava.

Ele frisou que a gravação da conversa pelo repórter da Veja foi feita de forma ilegal, sem seu consentimento. E também negou que alguém da família Bolsonaro tenha o procurado para pedir que ele mudasse sua versão da história.

Em uma live na madrugada de quinta-feira, Do Val havia dito que o ex-presidente Jair Bolsonaro o teria coagido para tentar dar um golpe de Estado, o que conflita com a versão atualmente defendida pelo senador na qual Bolsonaro teria ficado em silêncio.

ESTAVA DESCONTROLADO – “Num momento que você está descontrolado emocionalmente, você fala coisas que não queria falar”. Ele também disse sentir gratidão pelo apoio de Carlos e Eduardo Bolsonaro durante os ataques que ele sofreu nas redes sociais por parte da direita.

Já o ministro Alexandre de Moraes afirmou, nesta sexta-feira (3) pela manhã, que Do Val não quis formalizar uma denúncia. “Eu indaguei ao senador se ele reafirmaria isso e colocaria no papel, que eu tomaria imediatamente o depoimento dele. O senador me disse que isso era uma questão de inteligência e que infelizmente não poderia confirmar”, disse o ministro durante participação virtual em uma conferência do Lide em Lisboa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Toda a armação é para proteger Bolsonaro e o próprio Do Val, que serão inapelavelmente envolvidos no caso de uma delação premiada de Daniel Silveira. Depois voltamos ao assunto(C.N.)

CGU vai revogar sigilo sobre Pazuello e revisar 234 casos no governo Bolsonaro


Pazuello, ex-ministro da Saúde, é eleito deputado federal no Rio

Exército terá de justificar por que não puniu Pazuello

Sofia Aguiar
Estadão

O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Marques de Carvalho, anunciou que o órgão irá revisar 234 casos que estavam sob sigilo durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os processos que serão revistos, 111 pedidos de acesso à informação foram negados alegando risco à segurança nacional e 35, risco à segurança do presidente e de seus familiares.

Como mostrou o Estadão, a CGU vai revogar o sigilo do processo administrativo instaurado pelo Exército em 2021 e que tinha como alvo o então ministro da Saúde e general Eduardo Pazuello. O caso do ex-ministro, agora deputado federal (PL-RJ) é parte desse pacote.

SEM TRANSPARÊNCIA – O ministro da CGU disse que houve retrocessos em relação à transparência do governo durante a gestão Bolsonaro. Ele sustentou que o direito de acesso à informação foi limitado com a banalização do uso de determinadas categorias de sigilo.

De acordo com a Controladoria, dos 234 sigilos que serão analisados, 49 foram casos em que o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro se negou a prestar informações sob alegação de que se tratavam de dados pessoais. Outros 16 processos têm relação com atividades de inteligência. Os casos começam a ser analisados a partir da próxima segunda-feira, 6.

A reavaliação dos pedidos de acesso à informação apresentados por cidadãos foi determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio de despacho assinado em seu primeiro dia de mandato. Na campanha, o petista havia prometido acabar com os segredos do governo Bolsonaro.

INFORMAÇÕES NEGADAS – De acordo com a CGU, durante o período de 2019 a 2022, 64.571 pedidos de acesso à informação foram negados total ou parcialmente. “Foram identificadas decisões baseadas em fundamentos questionáveis que desrespeitaram o direito de acesso à informação, banalizaram o sigilo e caracterizam claro retrocesso à política de transparência pública”, afirmou o ministro.

Para a análise dos 234 casos, a CGU elaborou 12 enunciados que devem orientar o governo federal na aplicação da Lei de Acesso à Informação (LAI). Um desses enunciados vai acabar liberando os dados de casos como o do deputado federal e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello (PL-RJ).

Durante o governo Bolsonaro, o Comando do Exército impôs sigilo de 100 anos aos documentos do processo disciplinar, alegando que se tratavam de informações relativas à vida privada do militar. Agora, a nova orientação da CGU passa a recomendar que são públicas as informações sobre processos disciplinares contra servidor militar ou civil, desde que a apuração já esteja concluída.

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NOTA DA REDAÇÃO DO  BLOG – Sem transparência, não existe democracia. Neste ponto, o governo de Lula é muito mais democrático do que o de Bolsonaro. Desde o início de seu mandato, Bolsonaro vinha flertando com o autoritarismo, e perdeu a eleição justamente por causa disso. (C.N.) . 


Visita presidencial: Lula virá a Sergipe no dia 15 de fevereiro

Visita de Lula acontecerá após pedido de Fábio Mitidieri e intermediação de Marcio Macedo

Atendendo ao pedido do governador Fábio Mitidieri, PSD, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, PT, estará em Sergipe no dia 15 de fevereiro.

A vinda do presidente conta também com a intermediação do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Marcio Macedo, PT.

A visita ao Estado foi solicitada durante encontro do presidente com o Fórum Nacional de Governadores, ocorrido no último dia 27 de janeiro. Além de Lula, o ministro dos Transportes, Renan Filho, também fará parte da comitiva.

Entre as principais pautas a serem tratadas na visita, está a vistoria da BR-101, cujo término da duplicação está previsto para o primeiro semestre de 2024.

Com quase 206 km de extensão, a rodovia é considerada uma das mais importantes de Sergipe, atravessando todo o território sergipano entre os municípios de Cristinápolis e Propriá e passando por 17 municípios.

O aumento da capacidade da BR-235, no trecho que liga Aracaju a Itabaiana, também deverá ser abordado. Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - Dnit -, a rodovia passa por recapeamento e serviços de manutenção.

Mais um tópico a ser debatido na visita é a construção do Canal de Xingó, que compreenderá 300 quilômetros de extensão entre Sergipe e Bahia. A finalidade da obra é levar água para a produção rural e abastecimento humano a partir do Rio São Francisco, reforçando a rede de abastecimento no interior dos dois Estados.

O custo total da intervenção é estimado em R$ 2,4 bilhões em suas quatro etapas, e o canal deverá beneficiar cerca de três milhões de pessoas dos dois Estados. Outro pleito a ser discutido é a construção da ponte entre Neópolis e Penedo, Alagoas.

Durante visita a Brasília no último dia 25 de janeiro, o governador Fábio Mitidieri garantiu R$ 250 milhões em investimentos para obras rodoviárias federais em 2023. O recurso foi assegurado em encontro com o ministro Renan Filho, oportunidade na qual foram mencionadas diversas intervenções estruturantes para o Estado.

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A contaminação da impunidade pode ser devastadora na política




Não houve improviso, e a mensagem embutida sobre a realidade é puro veneno: muita coisa está fora de ordem no sistema político nacional. 

Por José Casado (foto)

Uma insurreição estimulada, coordenada e financiada com intenção golpista. E uma crise humanitária com múltiplos indícios de crimes de genocídio, contra a humanidade e o meio ambiente. Isso aconteceu no Brasil, nas últimas três semanas de janeiro.

Quem quiser pode acreditar que tudo não passou de acaso — é legítimo. Está visível, porém, o excesso de coincidências e o histórico de sincronicidades.

Não houve improviso, e a mensagem embutida sobre a realidade é puro veneno: muita coisa está fora de ordem no sistema político nacional.

A falência múltipla de órgãos de Estado foi determinante na invasão do Palácio do Planalto, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. Foi decisiva, também, para o aumento (cerca de 30%) das mortes por fome e doenças evitáveis entre os ianomâmis de Roraima, sitiados no avanço do garimpo ilegal de ouro e cassiterita (fonte do estanho), que se ampara na coalizão de interesses regionais com os do crime organizado em expansão na Amazônia.

Jair Bolsonaro, filhos parlamentares, aliados civis e militares passaram os últimos 48 meses instigando debate sobre golpe nas ruas, nas empresas, no governo e no Congresso. Banalizaram o discurso de violência, as propostas ilegais e inconstitucionais.

Fomentaram a tragicomédia de 8 de janeiro em Brasília, cuja melhor tradução está numa alegoria de bolso — a minuta de decreto de “estado de defesa” na Justiça Eleitoral para transformar o derrotado Bolsonaro em vencedor nas urnas de outubro. Um exemplar estava com o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, agora preso por conspiração, mas existiam cópias “na casa de todo mundo”, confessou Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal, o maior do Congresso, que abriga e remunera Bolsonaro com recursos públicos (via Fundo Partidário).

Avançou-se na liquefação política nacional, evidente desde os protestos de 2013, com a renovação de relações perigosas entre governo e Congresso, balizadas por verbas secretas, permissividade legislativa e permanente contemporização.

Meses atrás, por exemplo, um deputado condenado a oito anos de prisão e à perda do mandato por crimes constitucionais acabou empossado na Comissão de Constituição e Justiça. No prédio ao lado, um grupo de senadores promoveu audiência pública de escracho institucional, com o Supremo Tribunal Federal no alvo central.

Nessa mesma época, a quase 3 000 quilômetros de distância de Brasília, o governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), liderou a aprovação, em tempo recorde, de lei estadual incentivando a multiplicação das frentes de garimpo ilegal na terra dos ianomâmis, que ele considera “bichos” do mato.

Entorpecidos em lucros financeiros com a alta nos preços do ouro (315 000 reais o quilo) e do estanho (275 000 a tonelada), nos últimos cinco anos, Denarium e aliados restringiram a fiscalização e proibiram a destruição de equipamentos já interditados (dragas e aviões).

Misteriosamente, três dezenas de aviões apreendidos voltaram às rotas de abastecimento. Enquanto isso, um helicóptero venezuelano, camuflado, invadia o espaço aéreo e depositava corpos de garimpeiros brasileiros em Iracema, próximo à reserva indígena.

No Planalto, no Congresso e nas Forças Armadas prevaleceu o silêncio eloquente sobre a tragédia humanitária em andamento, similar ao mantido sobre os acampamentos de bolsonaristas radicais nas portas dos quartéis, em mais de 150 cidades, até o ataque às instituições no domingo 8 de janeiro.

Bolsonaro comandou a etapa mais recente dessa convergência para o vale-tudo, segundo dezena e meia de processos judiciais. Refugiado no exterior, insufla seguidores com uma recalibragem do fracasso: “Vamos mudar o destino do Brasil, podem ter certeza, em pouco tempo teremos notí­cias”, disse na semana passada. Assis­te ao prenúncio de punições num reordenamento institucional que, aparentemente, vai ter baixa tolerância a acordos de impunidade, como a anistia ampla, geral e irrestrita já encaminhada no Congresso.

O excesso de provas e o rito simplificado da Justiça Eleitoral tornam previsível a primeira condenação de Bolsonaro e de alguns dos seus ministros no segundo trimestre. Se confirmada, ele ficaria impedido de disputar eleições como a da prefeitura do Rio no ano que vem ou da Presidência da República em 2026.

Assim como o mercúrio do garimpo na cadeia alimentar dos ianomâmis, a contaminação da impunidade política pode ser devastadora para a sociedade que se acha civilizada.

Revista Veja

Coisa de maluco

 



História contada pelo senador Marcos do Val está repleta de lacunas e contradições, além de ter tido três versões diferentes. 

Por Claudio Dantas (foto)

Marcos do Val, senador do Podemos pelo Espírito Santo e instrutor de técnicas de imobilização, virou o centro das atenções após tornar pública, na quinta-feira 2, uma suposta conspiração para prender o ministro Alexandre de Moraes. O problema é que a história contada pelo parlamentar está repleta de lacunas e contradições, inclusive sobre o possível envolvimento de Jair Bolsonaro na trama. Até o fechamento desta matéria, a mesma história já tinha três versões diferentes.

Na primeira, antecipada durante live com o MBL na noite da quarta-feira 1, Do Val disse que soltaria uma bomba na Veja de sexta-feira sobre “a tentativa do Bolsonaro de me coagir para que eu pudesse dar um golpe de Estado junto com ele”. A própria revista foi obrigada a antecipar a publicação da reportagem “Mensagens de senador revelam operação golpista de Bolsonaro contra Moraes”. Segundo a Veja, Bolsonaro seria o idealizador do plano mirabolante, pelo qual o senador teria a missão de gravar Moraes, aproveitando-se de uma antiga relação de amizade. O objetivo era obter algum tipo de confissão de interferência do ministro no processo eleitoral, a fim de buscar sua anulação.

“Bolsonaro disse que já tinha acertado com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), órgão responsável pela segurança do presidente e que tem a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sob seu organograma, que daria o suporte técnico à operação, fornecendo os equipamentos de espionagem necessários”, disse a revista, que reproduziu troca de mensagens entre Do Val e Silveira. Segundo a publicação, o então presidente teria detalhado como seria a operação.

A segunda versão da história saiu da mesma boca do senador do Podemos, durante coletiva convocada em seu gabinete após a imensa repercussão do caso. “Não houve, eu acho que saiu na imprensa aí que o presidente me coagiu (…) “Eu estava em um momento aí de muita raiva, foi aquele desabafo que você fica nervoso, qualquer discussão de casal você fala coisas e depois se arrepende do que fala, mas isso ai não aconteceu”, disse, se desdizendo e jogando a responsabilidade em Silveira. Nessa versão, Bolsonaro teria permanecido em silêncio durante o encontro, mas sem impedir que Daniel Silveira seguisse o suposto plano.

“O que ficou muito claro para mim era o Daniel tentando achar uma forma de não ser preso de novo […] Ficou muito claro que ele estava num movimento de manipular e ter o presidente comprando a ideia dele se um senador aceitasse a missão.” Coincidentemente, o agora ex-deputado federal foi preso na mesma manhã de quinta, mas por não cumprir medidas cautelares impostas por Moraes no âmbito do inquérito dos atos antidemocráticos. Intimado a prestar depoimento à Polícia Federal, Do Val ainda daria novos contornos à sua rocambolesca história. “Eu estou fazendo um movimento que eu vou chegar no Lula. Na próxima, eu vou chegar no Lula”, disse à GloboNews.

O movimento a que o senador se refere tem a ver com a tentativa de instalar uma CPI do 8 de janeiro, para apurar as responsabilidades de todas as autoridades no episódio. Do Val já criticou ostensivamente a omissão de Flávio Dino, que, na véspera, sabia do risco de depredação das sedes dos Três Poderes, mas nada fez, apesar de ser ministro da Justiça e da Segurança Pública. Também seria apurada a atuação (ou a falta de) do ministro-chefe do GSI, general Gonçalves Dias, nomeado por… Lula. Até agora, só autoridades ligadas ao governo do Distrito Federal viraram alvo de investigação — o governador Ibaneis Rocha foi afastado, enquanto o ex-secretário de Segurança Anderson Torres e o ex-comandante da PM Fábio Augusto Vieira acabaram presos. Com a confusão de versões, a chance de instalação de uma CPI se reduz drasticamente.

Em depoimento à Polícia Federal, Do Val apresentou seu celular com todas as mensagens trocadas com Daniel Silveira, Alexandre de Moraes e Jair Bolsonaro. Elas ainda serão periciadas, mas a impressão é de que o ex-deputado foi de fato o protagonista do enredo golpista. Como O Antagonista revelou, o próprio senador informou o ministro do Supremo sobre o desdobramento da reunião no Alvorada, em dezembro passado. “Quem está fazendo toda a movimentação com objetivo de levá-lo à perda de função e até à prisão é o DS. O PR não está fazendo nenhum movimento neste sentido. O DS que está tentando convencê-lo, dizendo ao PR que eu conseguiria adquirir as peças fundamentais para que a missão fosse um sucesso“, escreveu. A mesma mensagem teria sido reenviada logo depois a Bolsonaro, que respondeu lacônico: “Coisa de maluco.”

Revista Crusoé

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