quarta-feira, julho 07, 2021

Politicalha, 'acabou, porra', 'não ouse' e militância; veja ataques e ameaças de Bolsonaro ao Supremo

 TAYGUARA RIBEIRO

***FOTO DE ARQUIVO*** SOROCABA, SP, 25.06.2021 - O presidente Jair Bolsonaro durante inauguração do Centro de Excelência em Tecnologia 4.0 no Parque Tecnológico de Sorocaba (PTS). (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** SOROCABA, SP, 25.06.2021 - O presidente Jair Bolsonaro durante inauguração do Centro de Excelência em Tecnologia 4.0 no Parque Tecnológico de Sorocaba (PTS). (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou em reunião ministerial que pretender indicar o ministro André Mendonça, da AGU (Advocacia-Geral da União), para a vaga no STF (Supremo Tribunal Federal) que será aberta com a aposentadoria do ministro Marco Aurélio, que completa a idade limite de 75 anos.

Ao longo de sua gestão, principalmente durante a pandemia, o presidente acumula atritos com a corte, incluindo ameaças aos ministros.

Mais recentemente, no início de maio, Bolsonari ameaçou editar um decreto contra medidas de isolamento social tomadas por governadores e prefeitos. O objetivo, segundo o presidente, seria garantir a realização de cultos e a "liberdade para poder trabalhar".

Bolsonaro ainda afirmou, em recado ao STF : "Não ouse contestar, quem quer que seja".

"Nas ruas já se começa a pedir que o governo baixe um decreto. Se eu baixar um decreto, vai ser cumprido, não será contestado por nenhum tribunal", declarou Bolsonaro, em evento de abertura da Semana das Comunicações.

"O que está em jogo e alguns [governadores e prefeitos] ainda ousam por decretos subalternos nos oprimir. O que nós queremos do artigo 5º [da Constituição] de mais importante? Queremos a liberdade de cultos, queremos a liberdade para poder trabalhar, queremos o nosso direito de ir e vir, ninguém pode contestar isso", declarou o presidente.

"Se esse decreto eu baixar, repito, [ele] será cumprido. Juntamente com o nosso Parlamento, juntamente com todo o poder de força que temos em cada um dos nossos atualmente 23 ministros", completou​.

Essa não foi a primeira ameaça ou ataque de Bolsonaro ao Supremo e a suas integrantes. Em outros momentos de sua gestão, ao reagir a decisões contrárias ao governo federal, o presidente já falou em ativismo, militância, ligação com o PT, politicalha e 'acabou, porra'.

Relembre a seguir alguns desses ataques de Bolsonaro.

*

ALVO: SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Contexto: em 5 de maio de 2021, ao mais uma vez criticar medidas de isolamento nos estados

"Não ouse contestar, quem quer que seja."

"Nas ruas já se começa a pedir que o governo baixe um decreto. Se eu baixar um decreto, vai ser cumprido, não será contestado por nenhum tribunal."

"O que está em jogo e alguns [governadores e prefeitos] ainda ousam por decretos subalternos nos oprimir. O que nós queremos do artigo 5º [da Constituição] de mais importante? Queremos a liberdade de cultos, queremos a liberdade para poder trabalhar, queremos o nosso direito de ir e vir, ninguém pode contestar isso."

"Se esse decreto eu baixar, repito, [ele] será cumprido. Juntamente com o nosso Parlamento, juntamente com todo o poder de força que temos em cada um dos nossos atualmente 23 ministros."

ALVO: LUÍS ROBERTO BARROSO

Contexto: rm 9 de abril de 2021, após ministro determinar abertura da CPI da Covid no Senado

"É uma medida que, não tenho a menor dúvida, é para atingir o governo federal."

"Pelo que me parece, falta coragem moral para o Barroso e sobra ativismo judicial."

"Falta-lhe coragem moral e sobra-lhe imprópria militância política."

"Barroso, nós conhecemos teu passado, a tua vida, o que você sempre defendeu, como chegou ao Supremo Tribunal Federal, inclusive defendendo o terrorista Cesare Battisti. Então, use a sua caneta para boas ações em defesa da vida e do povo brasileiro, e não para fazer politicalha dentro do Senado Federal."

"Agora, no Senado, tem pedido de impeachment de ministro do Supremo. Eu não estou entrando nesta briga, mas tem pedido. Será que a decisão não tem que ser a mesma também, para o Senado botar em pauta o pedido de impeachment de ministro do Supremo?"

ALVO: ALEXANDRE DE MORAES

Contexto: em 30 de abril de 2020, após ministro anular a nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da Polícia Federal

"Eu respeito a Constituição e tudo tem um limite."

"Se [Ramagem] não pode estar na Polícia Federal, não pode estar na Abin [Agência Brasileira de Inteligência]. No meu entender, uma decisão política."

"Agora tirar numa canetada e desautorizar o presidente da República, com uma canetada, dizendo em [princípio da] impessoalidade? Ontem quase tivemos uma crise institucional, quase. Faltou pouco."

"Eu não engoli ainda essa decisão do senhor Alexandre de Moraes. Não engoli. Não é essa a forma de tratar o chefe do Executivo."

"Não justifica a questão da impessoalidade [um dos argumentos usados pelo ministro na sua decisão]. Como o senhor Alexandre de Moraes foi parar no Supremo? Amizade com o senhor Michel Temer, ou não foi?"

ALVO: ALEXANDRE DE MORAES

Contexto: em 28 de maio de 2020, após operação policial ordenada pelo STF que atingiu aliados bolsonaristas no inquérito das fake news

“Não teremos outro dia como ontem, chega.”

"Acabou, porra!"

“Querem tirar a mídia que eu tenho a meu favor sob o argumento mentiroso de fake news.”

"Respeito o STF e respeito o Congresso. Mas para esse respeito continuar sendo oferecido da nossa parte, tem que respeitar o Poder Executivo também."

ALVO: CELSO DE MELLO

Contexto: em 28 de maio de 2020, após ministro decidir tornar público vídeo da reunião ministerial que seria indício de interferência na PF

"Eu peço pelo amor de Deus: não prossiga [com] esse tipo de inquérito, a não ser que seja pela lei do abuso de autoridade. Está bem claro, quem divulga vídeos, imagens ou áudios do que não interessa ao inquérito... Tá lá [na lei], um a quatro anos de detenção."

"Criminoso não é Abraham Weintraub, não é o [Ricardo] Salles [ministro do Meio Ambiente], não é nenhum de nós. A responsabilidade de tornar aquilo público é de quem suspendeu o sigilo de uma sessão cujo vídeo foi chancelado como secreto."

ALVO: EDSON FACHIN

Contexto: em 8 de março de 2021, após ministro anular condenações de Lula na Lava Jato de Curitiba e determinar que o caso seja julgado em Brasília

"O ministro Fachin sempre teve uma forte ligação com o PT, então não nos estranha uma decisão nesse sentido. Obviamente é uma decisão monocrática, mas vai ter quer passar pela turma, não sei, ou plenário para que tenha a devida eficácia."

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Especialista diz que nova lei de licitações é 'esperança de um exército de profissionais'

por Gabriel Lopes

Especialista diz que nova lei de licitações é 'esperança de um exército de profissionais'
Ana Clara Nascimento | Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

Sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro em abril deste ano, a nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos (14.133/21) substitui a de nº 8.666, em vigor desde 1993. A regulamentação tem caráter unificador e visa passar mais transparência nas contratações da administração pública, debate fortalecido para medidas de enfrentamento ao coronavírus, durante o período da pandemia.

 

A lei mescla normas gerais e específicas, unificando a Lei 10.520, do pregão, e a Lei 12.462, que criou o Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC), além de atualização dos procedimentos licitatórios.

 

Em conversa com o Bahia Notícias, a advogada especialista em licitações e contratos, Ana Clara Nascimento, reforça que a nova lei é um compilado de normas e decisões do Tribunal de Contas da União (TCU) e traz segurança jurídica aos servidores públicos e qualificação aos serviços prestados.

 

"Na época existia uma necessidade grande de combate à corrupção e a lei veio para dar esse caminho de anticorrupção e legalidade, no entanto, criou diversos embaraços: diminuiu a flexilidade na aplicação da norma, os processos licitatórios ficaram engessados e isso chancelou e deu espaço para dispêndio de dinheiro público", explica a especialista sobre a Lei 8.666.

 

"Então a 14.133 [nova lei] traz e confirma a necessidade de eficácia do serviço público e também com a demanda de profissionais capacitados, de uma norma específica e qualificada com aplicação de ferramentas da governança. Agora a administração tem essa lei como ferramenta para atingir o interesse público, sustentáculo dessa norma. O objetivo é unificar, criar procedimentos padronizados e eficazes com servidores capacitados. Essa lei é uma esperança de um exército de profissionais capacitados", acrescenta Ana Clara.

 

DISPENSA DE LICITAÇÃO
Outro ponto de mudança com a lei, são as novas regras para dispensa e aditivos contratuais. De acordo com a advogada, que trabalha há 10 anos como pregoeira em uma estatal da Bahia, o que chama a atenção no item é o aumento do valor.

 

"Aquelas dispensas que poderiam ser feitas até o valor de R$ 17.600 majorou, ampliando o limite para R$ 50 mil para aquisições. Para obras e serviços públicos, aumentou para R$ 100 mil", diz.

 

Ela alerta que, em caso de uso dos novos valores, a adoção das medidas e regras impostas pela nova legislação também devem ser seguidas para o processo.

 

A nova Lei de Licitações já está em vigor, mas a revogação das normas anteriores ocorrerá no prazo de dois anos. Durante o período, as regras novas e antigas vão conviver e a administração pública pode escolher qual aplicar.

 

AUMENTO DE PENAS PARA CRIMES
Um dos destaques da nova lei é o aumento de penas para crimes relacionados a licitações e contratos. A mudança pode significar maior segurança jurídica para os servidores. Ana Clara explica que hoje é necessário comprovar a intenção de burlar a norma.

 

"Apesar de trazer o aumento de penalidade, [a lei] também traz segurança para o servidor de boa fé. [...] Muitas vezes o servidor não foi tão capacitado assim e cometia uma falha. Nesse caso, no universo jurídico a gente chama de ato culposo. Antigamente, esse servidor responderia, hoje é necessário a comprovação de um dolo", diz.

 

SOBRE AS MODALIDADES
Segundo a nova lei, a licitação poderá ser por pregão, concorrência, concurso, leilão e cria o "diálogo competitivo", que envolve conversas entre os licitantes, para desenvolver uma solução capaz de atender às necessidades do gestor público.

Bahia Notícias

Conversas de Dominguetti mostram que ele já falava de superfaturamento antes de jantar


Conversas de Dominguetti mostram que ele já falava de superfaturamento antes de jantar
Foto: Edilson Rodrigues/ Agência Senado

Ao periciar o celular do policial militar Luiz Paulo Dominguetti, vendedor de vacinas, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia identificou que ele já falava sobre superfaturamento antes do jantar do dia 25 de fevereiro, quando teria ouvido do então diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, o pedido de propina de US$ 1 por dose (saiba mais aqui).

 

O assunto aparece em conversa dele com o coronel Romualdo, nome apresentado por Dominguetti à CPI como "um coronel da Polícia Militar de Minas Gerais", procurado por ele para fazer a oferta de vacinas chegar ao conhecimento das autoridades devidas. 

 

Segundo o G1, no dia 6 de fevereiro, há o registro de uma ligação de Dominguetti para Romualdo, que responde que passou "para a frente" a demanda dele. Em seguida, em 8 de fevereiro, ele pergunta ao vendedor de vacinas se "aquele assunto evoluiu". Ao que Dominguetti responde: "Parece que vamos conseguir o que é certo e justo". "Porém já falei que, coisa errada, não conte comigo".

 

A partir daí, Romualdo quer saber se "o camarada lá no MS recuou" e Dominguetti responde que "a atravessadores, sim", acrescentando ainda que o "que eles queriam é loucura". Neste ponto, o coronel alerta: "Importante ver quem está nesse esquema lá no MS, identificar o servidor, para monitorá-lo" e Dominguetti concorda.

 

Momentos depois, o coronel volta a dizer que passou a situação adiante e que estão pedindo mais detalhes. Dominguetti pontua que ficaram de ligar para ele, dizendo que "iam avançar", mas nada havia mudado ainda. Com isso, o coronel avaliou que "para a coisa chegar no presidente... tem que ter informação correta", mas não está claro se a referência é ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

 

Depois disso, o coronel anuncia que vai passar o contato dele para um assessor do deputado Junio Amaral (PSL-MG) e aí Dominghetti encaminha uma imagem de outra mensagem, acrescentando: “Cmt absurdo!” e “Queriam que eu superfaturado o valor da vacina para 35 dólares”. "Falei que ninguém fazia".

 

O coronel avaliou o caso como "absurdo" e perguntou sobre o funcionário acusado de pedir propina. "Você me falou de um Dias no MS... Será esse?". Ele enviou também o link de uma reportagem sobre o cancelamento da indicação de Dias para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após denúncias. A resposta de Dominguetti foi uma imagem do diretor, seguida do texto: “Se for este, matou a charada”. “Ele quem assina as compras e contratos no ministério”. Romualdo, então, acrescentou: "Pois é, pilantra", ao que Dominguetti respondeu: "Se depender dele, povo morre". "Se ele não receber o dele por fora".

 

De acordo com a publicação, nessa mesma época, Roberto Dias procurou Cristiano Carvalho, representante oficial da Davati no Brasil. No dia 3 de fevereiro, ele se apresentou como diretor do ministério e os dois começaram a falar sobre a venda de vacinas.

 

Esses detalhes não foram abordados por Dominguetti em seu depoimento à CPI (saiba mais aqui). Na ocasião, ele repetiu o que já havia dito à Folha de S. Paulo: que ouviu o pedido de propina no dia 25 de fevereiro, 17 dias após sua conversa sobre superfaturamento com Romualdo.

 

No jantar em questão, quem também estava presente foi o tenente-coronel Marcelo Blanco, ex-assessor do ministério, que trabalhava com Dias. Integrantes da CPI estão intrigados com uma mensagem de Dominguetti para ele no dia 8 de março: "Vamos depositar US$ 1 milhão agora". Eles querem saber se o dinheiro foi depositado, para quem foi depositado e por que isso aconteceu.

Bahia Notícias

Bolsonaro retira indicação de ex-chefe de gabinete de Ricardo Barros para ANS


por Daniel Carvalho | Folhapress

Bolsonaro retira indicação de ex-chefe de gabinete de Ricardo Barros para ANS
Foto: Cleia Viana/ Câmara dos Deputados

Em meio a denúncias de irregularidades na contratação de vacinas envolvendo o nome do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), o presidente Jair Bolsonaro retirou nesta terça-feira (6) a indicação para que um ex-chefe de gabinete do deputado assumisse a presidência da ANS (Agência Nacional de Saúde Complementar).

 

Paulo Roberto Vanderlei Rebello Filho, atual diretor de Normas e Habilitação das Operadoras na ANS, havia sido indicado por Bolsonaro para exercer o cargo de diretor-presidente da agência em dezembro do ano passado e teria seu nome apreciado pelo Senado nesta semana.

 

Além de ter trabalhado como chefe de gabinete de Barros, quando o deputado foi ministro da Saúde do governo Michel Temer (MDB), Rebello também tem parentesco com um petista, o vereador no Rio de Janeiro Lindbergh Farias, que já foi senador.

 

Além de Barros, Rebello é ligado a outros nomes do PP, como o deputado Aguinaldo Ribeiro (PB), e trabalhou com Gilberto Occhi nos Ministérios das Cidades e da Integração Nacional.

 

A retirada da indicação foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União na noite desta terça-feira.

 

"Solicita ao Senado Federal a retirada de tramitação da Mensagem nº 739, de 14 de dezembro de 2020, referente à indicação do Senhor PAULO ROBERTO VANDERLEI REBELLO FILHO, para exercer o cargo de Diretor-Presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS, na vaga decorrente do término do mandato de Leandro Fonseca da Silva", diz a mensagem 332, publicada como "despacho do presidente da República".

 

A reportagem procurou Rebello no fim da tarde, quando ele disse ainda não ter conhecimento de que haveria um recuo em relação à sua indicação. No fim da noite, com a publicação da mensagem, ele foi novamente procurado, mas não se manifestou.

 

Em 25 de maio, Barros publicou em uma rede social foto com Rebello, já se referindo a ele como "presidente da ANS".

 

"Paulo Rebello, presidente da ANS, na Câmara dos Deputados, para agir em sua brilhante função na Agência Nacional de Saúde Suplementar", diz a mensagem do líder do governo na Câmara.

 

Este não é o primeiro nome ligado a Barros a ser sacrificado nos últimos dias.

 

Roberto Ferreira Dias foi exonerado da Diretoria de Logística do Ministério da Saúde em 29 de junho, logo depois de a Folha de S. Paulo publicar entrevista com Luiz Paulo Dominguetti Pereira, policial militar de Minas Gerais que diz ter recebido de Dias pedido de propina de US$ 1 por dose para negociar vacinas com o governo Bolsonaro.

 

Já a existência de denúncias de irregularidades em torno da vacina indiana Covaxin foi revelada pela Folha de S. Paulo no dia 18 de junho, com a divulgação do depoimento sigiloso do servidor da Saúde Luis Ricardo Miranda ao Ministério Público Federal.

 

Em entrevista à Folha de S. Paulo, o irmão dele, deputado Luis Miranda (DEM-DF), disse que Dias é quem dava as cartas no setor das compras do ministério. "Nada ali acontece se o Roberto não quiser."

 

Dias prestará depoimento à CPI da Covid nesta quarta-feira (7) para explicar o suposto pedido de propina e destrinchar dúvidas sobre aquisições da pasta durante a pandemia, especialmente a da Covaxin, alvo também da Procuradoria e do TCU (Tribunal de Contas da União).

 

Admitido em concurso público destinado a civis, Dias trabalhou até 2009 como controlador de voo no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais (PR), quando se candidatou e foi aceito para o cargo de assessor de investimentos em uma corretora de Curitiba, a CWBX.

 

Por cerca de dois meses, chegou a acumular as duas funções --controlador de tráfego aéreo e assessor de investimentos--, mas acabou optando pelo trabalho no mercado financeiro.

 

Em 2011, Dias deixou a CWBX e fundou, com um amigo, a Dax Cred Assessoria de Crédito e Cobrança. A parceria durou menos de um ano.

 

Com o fracasso da empreitada, prestou concurso público para a Cohapar (Companhia de Habitação do Paraná), sendo aprovado para vaga reservada a afrodescendentes em fevereiro de 2012. Admitido como auxiliar administrativo, ele ocuparia a gerência dois anos depois.

 

Em fevereiro de 2015, o ex-deputado Abelardo Lupion (DEM-PR) assumiu a presidência da Cohapar, onde diz ter conhecido Dias. À época, o governador do Paraná era Beto Richa (PSDB). Sua vice era Cida Borghetti (PP), esposa de Ricardo Barros.

 

Cida assumiu o Governo do Paraná em abril de 2018, quando Richa deixou o cargo para uma mal sucedida candidatura ao Senado.

 

Para a Secretaria de Infraestrutura, ela convidou Lupion, que, por sua vez, nomeou Dias para sua chefia de gabinete. No dia 13 de junho daquele ano, Dias foi alçado ao cargo de diretor de logística da secretaria, chegando a participar de eventos ao lado de Cida.

 

Muito amigo do ministro da Secretaria-Geral da Presidência Onyx Lorenzoni, padrinho de casamento de seu filho, Lupion foi um dos articuladores da campanha presidencial de Bolsonaro no Paraná em 2018.

 

Com a vitória e a posse de Onyx na Casa Civil, no ano seguinte, Lupion passou a ocupar uma assessoria especial da Presidência e, posteriormente, a secretaria Especial de Relacionamento Externo da pasta.

 

Na função de assessor especial, Lupion foi consultado pelo então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, sobre indicações para o Departamento de Logística. Sugeriu o nome de Dias, que também recebeu apoio de Barros.

 

Com a saída de Onyx da Casa Civil em fevereiro de 2020, Lupion foi transferido para a Saúde, para assessoramento de Mandetta no enfrentamento da pandemia. Dois meses depois, Mandetta foi exonerado, e Lupion também deixou o ministério.

 

Dias, porém, foi mantido, sobrevivendo aos três sucessores de Mandetta.

Bahia Notícias

Aumento de R$ 12 mil no salário de conselheiros do Tribunal de Contas no Rio é um acinte

Publicado em 6 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Junião (Arquivo Google)

Deu em O Globo

Alheio ao que se passa no Rio e no país, o conselho de administração do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) aprovou um acréscimo de cerca de R$ 12 mil aos vencimentos dos cinco conselheiros em atividade, sob a justificativa de sobrecarga de trabalho. Com isso, receberão R$ 47 mil, ultrapassando o teto do funcionalismo (R$ 39.200). O TCE alega que, por se tratar de verba indenizatória por acúmulo de serviço, prevista em lei, o valor não está sujeito ao teto.

A sobrecarga de trabalho, segundo o TCE, vem desde 2017, quando os cinco conselheiros foram afastados — chegaram a ser presos — durante a Operação Quinto do Ouro, da PF e do MPF. São acusados de integrar um esquema de propina que desviava recursos de contratos públicos.

SALÁRIOS MANTIDOS – Não bastasse ter sido lesada, a sociedade ainda tem de pagar a mais para que outros façam o trabalho que eles deixaram de fazer. Registre-se que os titulares afastados continuam a receber salários e benefícios.

Apesar da alegação do TCE, os números do tribunal não sugerem sobrecarga de trabalho. Como mostrou reportagem do GLOBO, a produtividade vem caindo nos últimos anos. Em 2015, o plenário aprovou 2.076 acórdãos. Em 2020, o número despencou para 1.339, ou 737 a menos.

Com 1.096 funcionários, o TCE é uma ilha de prosperidade no serviço público. Conselheiros têm direito a duas férias por ano, carro, além de auxílios saúde e educação. O orçamento para este ano, aprovado pela Assembleia Legislativa (Alerj), prevê gastos de R$ 772 milhões, 83% (R$ 642 milhões) em despesas com pessoal.

ESTADO POBRE – O mundo maravilhoso do TCE contrasta com a situação de penúria do estado, que, para não falir, acabou de renovar o Regime de Recuperação Fiscal (RRF) com a União. Não é segredo, especialmente para o tribunal que fiscaliza as contas do governo, que o Rio, devedor de R$ 172 bilhões, não sobreviveria sem o socorro federal.

Mas a ajuda tem contrapartidas. Para obter alívio nas finanças, a administração fluminense terá de implantar uma série de medidas de austeridade. A prebenda aos conselheiros é, por isso, um péssimo sinal enviado a Brasília.

A decisão vai na contramão de uma realidade em que milhares de brasileiros perderam seus empregos na pandemia, ou suas jornadas e salários foram reduzidos. O Brasil tem hoje uma massa de desempregados que soma 14,8 milhões. Outros 6 milhões desistiram de procurar trabalho. Nas favelas, não são poucas as famílias que vivem de doações, porque não têm dinheiro sequer para comprar comida.

SITUAÇÃO COMUM – A decisão do TCE-RJ ilustra uma situação comum no universo do funcionalismo público no Brasil. Trata-se de uma casta que vive num mundo à parte, dissociada da realidade da maioria dos brasileiros, embora sustentada por eles.

Consegue passar incólume, com seus privilégios, pela maior crise da história do país. Pouco importa se a indenização de R$ 12 mil aos estafados conselheiros está dentro da lei — milhões de brasileiros sonhariam só com esse acréscimo. Legal ou não, ela é um acinte à sociedade.


Capitão Jair Bolsonaro jogou os militares num barco que parece fazer água por todos os lados

Publicado em 7 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

(Rio de Janeiro - RJ, 07/06/2019) Presidente da República, Jair Bolsonaro durante revista às tropas.Foto: Marcos Corrêa/PR

Militares que Bolsonaro escolheu falharam nas missões

Eliane Cantanhêde
Estadão

O Ministério da Saúde do governo Jair Bolsonaro, em plena pandemia, embolou militares da ativa e da reserva com PM lotado a quilômetros de distância, pastor dito “humanitário”, empresas fajutas nacionais e internacionais, atravessadores picaretas, apadrinhados do líder do governo e do Centrão. De perder o fôlego. E isso dá em “rolo” na certa.

Se Bolsonaro foi longe demais ao irritar a sociedade, as Forças Armadas precisam agir para evitar o contágio enquanto é tempo, se ainda há tempo. Não é trivial um general da ativa e tantos coronéis e tenentes-coronéis, da ativa e da reserva, citados de forma nada dignificante, inclusive em encontros com gente de péssima reputação, representando empresas suspeitas e oferecendo vacinas a preços exorbitantes.

A FILA ANDA – A lista de oficiais citados, liderada por Eduardo Pazuello, general da ativa, continua aumentando. Os dois novos, trazidos pela Rede Globo, com base em e-mails entre a Saúde e a tal “empresa” Davati, são: coronel Hélcio Bruno de Almeida, que participou de reuniões com um pastor dedicado subitamente ao ramo das vacinas, e um tal “coronel Guerra”, que se mete em negócios do ministério diretamente dos EUA.

Dos oito listados, dois já foram acomodados no Planalto, Pazuello e o coronel da reserva Elcio Franco. Dá para enfiar os outros seis lá? E, afinal, o que a Defesa, o Exército, a Marinha e a Aeronáutica acham de tudo isso? Caiu ou não a ficha? Nenhum outro presidente fez tão mal às FA como o capitão insubordinado Jair Bolsonaro.

Com tantas certezas nesta vida, ele diz que não sabe nada do que acontece nos ministérios e, sempre tão falante, não diz absolutamente nada sobre a versão dos irmãos Luis Miranda, deputado federal, e Luis Ricardo Miranda, diretor de importação da Saúde: de que relataram a ele todo o “rolo” Covaxin – e ele, que nem pareceu surpreso, não fez nada.

MUITAS OBSESSÕES – Bolsonaro tem obsessões: acabar com a urna eletrônica e reinstaurar o voto impresso, que fazia a festa dos “coronéis” da política; armar toda a população civil; derrubar a floresta para “desenvolver” a Amazônia; tirar as reservas dos indígenas, que só querem “celular e internet”.

É uma enxurrada de ideias muito próprias, peculiares, chocantes, mas talvez fosse mais conveniente o presidente acompanhar o que ocorre não só na Saúde e no Meio Ambiente, mas em todos os ministérios. Ou seja, passar a governar, botar a mão na massa, porque a coisa está ficando feia para o lado dele.

A CPI da Covid está indo mais longe do que se imaginava, com depoimentos, dados e provas abundantes do descaso do presidente pela ciência e é impossível achar uma explicação razoável para o desprezo por Coronavac, Pfizer e Covax Facility em favor de Covaxin, Convidecia, Sputnik e a tal Davati, uma farsa.

PREVARICAÇÃO – À CPI, soma-se mais uma investigação no Supremo: além da acusação de Sergio Moro de intervenção política na Polícia Federal, agora a de três senadores de que ele prevaricou, ao desprezar a denúncia dos irmãos Miranda. Pior: depois convocou Pazuello para matar no peito, numa história sem pé nem cabeça.

A isso, acrescentem-se as investigações do Ministério Público e do TCU, os 124 pedidos de impeachment na mesa do presidente da Câmara, Arthur Lira, e as manifestações do “Fora, Bolsonaro”, em São Paulo, Rio, Brasília e todas as capitais. Teve quebra-quebra no fim? Esses vândalos têm cara, cheiro e jeito de infiltrados…

Se a semana passada acabou mal, esta já começa com os áudios da ex-cunhada de Bolsonaro, Andrea Siqueira Valle, no UOL, relatando como ele não apenas participava como tinha voz ativa nas “rachadinhas” dos gabinetes parlamentares da família. Pinga daqui, pinga dali, a sensação é de que o barco Bolsonaro faz água por todo lado.


Simone Tebet fortalece a terceira via contra Lula e Bolsonaro em 2022

Publicado em 7 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Com muita seriedade, Simone Tebet está brilhando na CPI

Renato Machado e Raquel Lopes
Folha

O pré-candidato petista Lula da Silva torce desesperadamente para que o governo Jair Bolsonaro pare de derreter, mas isso é impossível. Lula precisa de um Bolsonaro forte para dividir votos, caso contrário a terceira via pode se concretizar e derrotá-lo nas urnas em 2006. 

Se o governo Bolsonaro continua se derretendo no rigor desse inverno, pode-se imaginar o que acontecerá na política quando entrarmos em primavera e verão. Assim, o sonho de Lula pode ser igual ao de John Lennon e já estar acabando.

LULA PERDERÁ – Se Bolsonaro não estiver robusto e for atropelado na reta final por um tercius, fatalmente Lula perderá no segundo turno, porque os bolsonaristas votarão em peso no candidato alternativo.

Esta é a situação em que estamos, a 15 meses da eleição, com Lula estacionado nos votos que sempre teve (cerca de 33% dos válidos), o suficiente para levá-lo ao segundo turno.

O representante da terceira via será escolhido entre o ex-governador cearense Ciro Gomes, do PDT, o governador paulista João Doria, que deve vencer as prévias do PSDB, favorecido pela existência de outros três pretendentes (Eduardo Leite, governador gaúcho, Tasso Jereissati, senador cearense, e Arthur Virgilio, ex-prefeito de Manaus), o ex-ministro Henrique Mandetta, do DEM, e a senadora Simone Tebet, do MDB. 

NOVA PESQUISA – A mais recente pesquisa MDA trouxe números favoráveis à terceira via, formada por eleitores que não votam em nenhuma hipótese em Lula ou Bolsonaro e que já são 30,1%, aproximando-se de Lula, que tem 40,31%, enquanto Bolsonaro caiu para 25,1%.

Ou seja, somando com os votos de Bolsonaro, que são absolutamente antiLula, a terceira via chega a 55,2% e ganha a eleição no segundo turno.

Conforme ficou acertado na reunião entre os partidos que podem formar a terceira via, o escolhido será quem estiver na frente ao se aproximarem as eleições.

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P.S.
 – A pesquisa MDA pecou por incluir o nome de Sérgio Moro, que já avisou que não será candidato. Ele ficou com 5,9%, empatando com Ciro Gomes. Além disso, não incluiu Simone Tebet, que está brilhando na CPI, em rede nacional. A meu ver, a entrada da senadora no páreo fortalecerá muito a terceira via. Na próxima pesquisa, o nome dela terá de constar. Depois voltaremos ao assunto(C.N.)

Empresa com apenas três funcionários propôs venda de vacinas de US$ 6 bilhões ao governo


Ex-cabo da PM pretendia vender 400 milhões de doses

Patrícia Campos Mello e Marina Dias
Folha

A Davati Medical Supply, que propôs a venda de 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca ao governo federal, um negócio que poderia chegar a US$ 6 bilhões, é uma pequena empresa com três funcionários e faturamento anual estimado em US$ 266.492, segundo uma companhia de dados corporativos.

Aberta em junho de 2020, a Davati Medical funciona no mesmo endereço em Austin, no Texas, onde estão registradas uma incorporadora imobiliária, a Impact Developers, e uma representante de produtos de construção, a Davati Building Products.

VIISIONÁRIO PIONEIRO – Herman Cardenas, CEO da Davati e das outras empresas, descreve-se em seu perfil no LinkedIn como um “visionário, pioneiro e empreendedor em série”, que “fundou e administrou múltiplas empresas em sua carreira”.

No site da Davati, que chegou a ser tirado do ar nos últimos dias, a empresa afirma que vende vacinas, anestésicos como propofol e até o antiviral remdesivir, usado em pacientes hospitalizados com Covid.

O remdesivir vendido pela Davati é manufaturado por uma farmacêutica indiana, Anzalp, que não está listada entre os laboratórios autorizados pela detentora da patente, a Gilead, para fabricá-lo.

VENDA RESTRITA – Além disso, a versão genérica do remdesivir, cuja patente não expirou, só pode ser vendida nos 127 países mais pobres do mundo, segundo regra da Organização Mundial de Comércio.

“Por causa da grande experiência de nossa equipe em produção e administração de logística no mundo todo, a Davati Medical Supply consegue fornecer produtos onde outros fornecedores não conseguem”, diz o site.

Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que se apresenta como representante da empresa Davati Medical Supply, afirmou, em entrevista à Folha, que recebeu de Roberto Ferreira Dias, diretor de Logística do Ministério da Saúde, pedido de propina de US$ 1 por dose em troca de fechar contrato com a pasta.

SEM NEGOCIAÇÃO – O dono da Davati, Cardenas, disse inicialmente que não houve negociação com o ministério. “Simplesmente oferecemos um orçamento, que não foi nem aceito ou reconhecido. Portanto, não houve negociações com o governo, só uma proposta, que não foi aceita”, afirmou

No entanto, e-mails obtidos pela Folha mostram que houve, sim, resposta positiva do ministério, ao contrário do que afirma Cardenas.

“Prezados, este ministério manifesta total interesse na aquisição das vacinas desde que atendidos todos os requisitos exigidos. Para tanto, gostaríamos de verificar a possibilidade de agendar uma reunião hoje, às 15h., no departamento de Logística em Saúde”, diz email enviado pelo departamento de logística a Cardenas no dia 26 de fevereiro.

REPRESENTAÇÃO – Em outro e-mail, Dias diz a Cardenas que, como discutido na primeira reunião, “precisamos de uma carta do representante ou algum documento que mostre a Davati Medical como representante da AstraZeneca. Depois disso, podemos ir em frente, uma vez que essa proposta comercial parece boa diante de outras recebidas até agora”.

Em nota enviada à Folha, a AstraZeneca afirmou que “não disponibiliza a vacina por meio do mercado privado ou trabalha com qualquer intermediário no Brasil. Todos os convênios são realizados diretamente via Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e governo federal”.

Em nota oficial divulgada após a denúncia vir à tona no Brasil, a Davati afirmou ser apenas um distribuidor internacional de remédios e vacinas não para covid. “Não somos distribuidores autorizados da AstraZeneca, e nunca dissemos que éramos”, diz a nota.

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