segunda-feira, junho 07, 2021

Ao não conseguir enxergar a suspeição de Toffoli, o Supremo se desmoraliza por completo

Publicado em 7 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Dos 11 do Supremo, só 2 são juízes concursados – Por José Nêumane

Charge do Mariano (Charge Online)

Deu na Gazeta do Povo

Uma decisão do Supremo Tribunal Federal tomada por meio do plenário virtual, sem transmissão na TV Justiça, enterrou de vez qualquer possibilidade de investigação contra um de seus ministros, Dias Toffoli.

O ministro Edson Fachin já havia negado liminarmente autorização para a Polícia Federal investigar a denúncia, feita pelo ex-governador fluminense Sérgio Cabral, de que Toffoli teria vendido sentenças quando era presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

ANULAR A DELAÇÃO – Agora, o plenário da corte decidiu anular a delação toda, que Fachin havia homologado no início de 2020. O pedido de anulação veio da Procuradoria-Geral da República, que não participou do acordo de colaboração premiada.

 Toffoli negou as acusações, e o vice-procurador-geral Humberto Jacques de Medeiros alegou que o ex-governador Cabral agia de má-fé, apresentando apenas fatos já conhecidos e sem provas que embasassem suas alegações – requisito essencial em qualquer acordo de colaboração premiada.

A argumentação da PGR foi aceita por sete ministros e rejeitada por quatro. Não é nosso objetivo, neste momento, analisar as alegações da PGR ou entrar no debate sobre a competência para se assinar acordos de colaboração, mas constatar que o suposto escândalo de venda de sentenças, que agora não terá mais como ser investigado, deu lugar a um escândalo real: o de um magistrado que participa de um julgamento no qual ele tem interesse direto.

SUSPEIÇÃO TOTAL – Ao votar em um julgamento cujo resultado lhe interessava diretamente, Toffoli diz ao Brasil que os ministros do Supremo realmente consideram estar acima de tudo

Isso porque Toffoli, para a surpresa até mesmo de seus colegas de suprema corte, resolveu participar do julgamento, votando – obviamente – pela anulação da delação de Cabral. Juntou-se, assim, a Fachin, Gilmar Mendes, Nunes Marques, Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski e Luiz Fux na formação da maioria que enterrou o acordo de colaboração. E, ainda por cima, fez questão de votar quando a maioria já estava formada. P

ode-se até argumentar que a intervenção feita apenas com a situação já definida seria uma atenuante; muito pior seria proferir voto quando ainda havia risco de a delação acabar mantida. No entanto, a atitude de Toffoli é escandalosa ainda assim, porque manda uma mensagem ao Brasil: o de que os ministros do Supremo realmente consideram estar acima de tudo neste país.

A LEI É CLARA – Diz o artigo 252 do Código de Processo Penal que “O juiz não poderá exercer jurisdição no processo em que (…) IV – ele próprio ou seu cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, for parte ou diretamente interessado no feito” – e era indiscutível o interesse de Toffoli no destino da delação de Cabral.

“Em hipótese alguma o ministro Toffoli poderia ter votado nesse caso”, afirmou a procuradora da República, professora de Processo Penal e colunista da Gazeta do Povo Thaméa Danelon. Várias outras personalidades do meio jurídico e político se manifestaram no mesmo sentido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Muito importante o editorial da Gazeta do Povo, enviado à TI por Mário Assis Causanilhas. Mostra que esse plenário do Supremo tem um peso e várias medidas. Para libertar um criminoso como Lula e permitir a candidatura dele, o STF conseguiu vislumbrar uma indefinida e pouco nítida suspeição do então juiz Sérgio Moro, embora suas decisões tivessem sido confirmadas em instâncias superiores, sempre por unanimidade. No entanto, para blindar um de seus membros, famoso por ter recebido mesada de R$ 100 mil do escritório de advocacia da própria mulher, sem declarar ao Fisco, esse mesmo plenário não conseguiu enxergou que o tal ministro era suspeito para julgar a si próprio. E ainda chamam essa turma de tribunal… (C.N.)   

Bolsonaro recusou a vacina da Pfizer a 50% do valor pago por EUA e União Europeia


O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Pazuello agiu como um idiota, num governo de imbecis

Fernando Canzian E Natália Cancian
Folha

O governo Jair Bolsonaro recusou vacinas da Pfizer no ano passado à metade do preço pago por Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia. Consideradas caras em agosto de 2020 pelo então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, até 70 milhões de doses da Pfizer poderiam ter sido entregues a partir de dezembro por US$ 10 cada. A vacinação antecipada teria evitado mortes e os prejuízos bilionários provocados pelo fechamento da economia.

Com um PIB (Produto Interno Bruto) total de R$ 7,4 trilhões em 2020, os R$ 30 bilhões agora previstos pelo Ministério da Saúde para a vacinação brasileira correspondem a um dia e meio de um hipotético lockdown nacional —desconsiderando domingos e feriados.

COMPARAÇÕES – O valor equivale a 10% do auxílio emergencial pago em 2020 e é menos do que os R$ 44 bilhões previstos neste ano para compensar o fechamento da economia.

EUA e Reino Unido já imunizaram cerca de 40% da população com duas doses das várias vacinas adquiridas e têm economias funcionando quase livremente. Ambos pagaram cerca de US$ 20 pelas doses da Pfizer, o dobro do valor recusado pelo Brasil durante vários meses em 2020. Na União Europeia, as doses do laboratório norte-americano custaram US$ 18,60.

No Brasil, com o atraso nos contratos, as primeiras doses da Pfizer chegaram só em abril. Oito meses se passaram entre a primeira oferta e a entrega.

PFIZER ENVIOU 53 E-MAILS – O vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), contabilizou 53 emails enviados pela Pfizer ao governo a partir de agosto cobrando resposta sobre a oferta dos 70 milhões de doses.

À CPI, Pazuello qualificou a proposta da Pfizer como “agressiva”, apontou entraves em cláusulas do contrato e disse ter considerado muito elevado o preço de US$ 10 por dose —valor acatado meses depois ainda na gestão de Eduardo Pazuello.

Antes das doses da Pfizer, a imunização ocorria com vacinas do Butantan e da AstraZeneca, mas em quantidades baixas. A vacinação brasileira com duas doses limita-se a 11% da população.

CAUSA PREJUÍZOS – Na economia, isso trava principalmente o setor de serviços, responsável por 70% do PIB e dos empregos. Nos serviços atuam sobretudo os mais pobres e menos escolarizados, que dependem do trabalho fora de casa para obter renda.

Sem vacina, a ocupação desses trabalhadores caiu até 20% na pandemia, aumentando a desigualdade e a pobreza extrema a níveis de 15 anos atrás. O colapso nos serviços levou a série histórica de desemprego do IBGE a um recorde: 14,7%, com 14,8 milhões de desocupados.

O Ministério da Saúde diz ter destinado R$ 30 bilhões para a contratação de mais de 660 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 —considerando no cálculo unidades que ainda não encomendou de fato. Em dólares, portanto, o país está reservando cerca de US$ 9, em média, por dose.

PREÇOS COMPATÍVEIS – De um modo geral, na comparação internacional feita pela Folha com base nas informações disponíveis, o Brasil está pagando preços compatíveis com a maior parte dos países. A grande vantagem a favor do Brasil se dá justamente com o imunizante da Pfizer —o primeiro a ter sido oferecido (e ignorado) ao governo Bolsonaro.

Para Paulo Lotufo, epidemiologista e professor da Faculdade de Medicina da USP, o Brasil perdeu “uma chance de ouro de emplacar logo com a Pfizer a preços convenientes”.

“A Pfizer percebeu que estaria na frente [na corrida das vacinas], mas precisaria muito do Brasil porque seria um local de aplicação imediata, uma vitrine maior do que Israel acabou sendo, com a vantagem de o SUS ser bom pagador e único no país”, diz Lotufo.

VALERIA A PENA – “Qualquer que fosse o preço da vacina oferecida ao Brasil, valeria a pena. Seja pelo impacto em vidas, pelas colossais perdas de uma economia fechada ou o custo de R$ 1.500 ao dia de um paciente internado em uma UTI Covid”, diz Eder Gatti, infectologista especialista em imunização.

Segundo Gatti, nos últimos anos o Ministério da Saúde deixou de realizar estudos para aferir o custo-benefício na compra de vacinas, a exemplo do que fez em 2006 para adquirir imunizantes contra o rotavírus —causador da DDA (doença diarreica aguda) e da gastroenterite aguda. Gatti diz que o Reino Unido, por exemplo, tem quase obsessão com esse tipo de cálculo.

Segundo Martin Weale, economista no King’s College, em Londres, a economia potencial com o fato de o Reino Unido ter acelerado seu programa de compra de doses e a vacinação pode ser estimada em cerca de 300 bilhões de libras (R$ 2,1 trilhões) ao ano, já descontado o gasto com todo o processo de imunização.

CUSTO-BENEFÍCIO – O total leva em conta não só a perda potencial de 220 bilhões de libras (R$ 1,6 trilhão) em termos de PIB causada pelo abre e fecha da economia, mas as vidas e gastos adicionais poupados pelos sistemas de saúde e educação.

Para acelerar a vacinação, o Reino Unido pagou US$ 37 por dose da Moderna, embora tenha limitado essa compra a 17 milhões de unidades.

Para Benedic Ippolito, pesquisador especializado em preços de medicamentos no American Enterprise Institute, em Washington, “o custo das vacinas é muito pequeno em relação ao potencial contrafactual [o estrago econômico causado por lockdowns]”. “É como dar de ombros e dizer: ‘OK, esse preço pode estar alto. Mas essa é uma pandemia única e podemos lidar com a questão dos valores depois’.”

Israel informou ter pago há muitos meses US$ 23,50, em média, por imunizantes da Pfizer e da Moderna e já vacinou cerca de 60% da população com duas doses.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A matéria é importantíssima e definitiva. Mostra que, na aquisição de vacinas, o general intendente Pazuello se comportou como se estivesse comprando leite condensado para o Exército, discutindo preços, fazendo birra e pressionando o fornecedor. Jamais lhe passou pela cabeça levar em conta o custo-benefício de comprar imediatamente as vacinas. Em tradução simultânea, agiu como um idiota, num governo de imbecis(C.N.)

domingo, junho 06, 2021

A pandemia de estupidez e o rebotalho civilizatório

 05/06/2021  COVID-19política

WELLINGTON FONTES MENEZES*

O que esperar da civilização quando a estupidez é cultivada como elemento central da cultura? Ao desvalorizar ou minimizar os estudos das Ciências, em prol de outros proselitismos narcisistas na Educação, um ensino voltado para a superficialidade da castração intelectual promove a falta de construção crítica do sujeito-aluno. Por sinal, a Educação é um sintoma dos processos políticos, econômicos e culturais que transita e transforma uma sociedade.

Na trama neoliberal para domesticação social, o dito cidadão, ou seja, aquele sujeito às amarras neoliberal do capital, não consegue ver além do mero horizonte umbilical. Impregnado por subjetividades promovidas pela indústria cultural, o seu mundo não passa de meia dúzia de bricolagens cotidianas, as quais ele não consegue elaborar com um nível maior de profundidade.

Neste percurso da fragilidade excessiva da condição humana pós-moderna sob a égide do capital, a liquidez das relações sociais, como apontou Zygmunt Bauman, se torna inevitável: nada é para durar e tudo é tão perene e instável como uma bolha de sabão. A indiferença e o medo do outro se tornam elementos de uma coletividade que não se enxerga, paradoxalmente, como participante de um coletivo! Temos então mais uma demonstração das contradições inatas do capitalismo que resulta na promoção da “sociedade dos inimigos” que tanto é cultivada pelas barbáries de uma atroz burguesia para enjaular e colocar todos contra todos dentro das classes trabalhadoras e miseráveis.

Na esteira da esquizofrenia, os debates da esfera pública se transformam em um teatro do sanatório, uma vez que nada relevante é questionado e um punhado de polêmicas tolas conquistam vultos de uma demência coletiva. Na onda da destruição dos saberes, em prol da estupidez coletiva, professores e intelectuais são destituídos de seus postos como referências de conhecimento, para ser entronada uma horda de ignorantes e oportunistas que se utilizam das redes sociais, como se fossem um palanque eletrônico de uma imensa “feira do rolo”, diante de um oceano de estupidez.

Durante a pandemia, a escola voltou a ficar em evidência. Não por ela ser uma entidade de importância vital para a Educação da sociedade, mas como depósito de crianças cujos pais não mais aguentam ficar em isolamento social com a sua prole! Mais uma vez, se revela a distorção que vem sendo nutrida na sociedade: o conhecimento no posto de bricolagem descartável e a estupidez como espetáculo! Os impactos com a pandemia atingiram sem piedade os mais pobres. No caso mais específico das famílias de trabalhadores e desempregados, a fome e a falta de estímulos para a Educação compactuam com a falta de estrutura para o ensino à distância. Uma perda significativa de aprendizado já tem sido observada em decorrência dos diversos problemas oriundos da fragilidade do sistema educacional e agravado com a pandemia. Sendo assim, mais um convite para a estupidez crônica, voluntária ou não, aprofunda ainda mais o fosso social.

Ainda no campo da pandemia, a estupidez foi a maior responsável por quase meio milhão de mortos no Brasil, até o momento, e milhões de contaminados. Todo o aparelhamento do governo federal nas mãos da milícia de Jair Bolsonaro produziu uma série de insanidades para desinformar a sociedade, contaminar e sabotar, ao máximo, a aquisição de vacinas contra a COVID-19. Nunca a estupidez genocida estatal matou tantos brasileiros e em tão pouco tempo na história do país. Vivenciamos um genocídio que já deixa marcas horripilantes para as futuras gerações terem ojeriza de nossa geração de bestificados.

Como desgraça pouca é mera retórica diante da realidade, o farelo cultural não para de produzir estupidez. Ao optar pelo desígnio narcísico do sujeito, outro grupo de fanáticos anti-intelectuais ganhou espaço na agenda da estupidez pós-moderna, os chamados identitários. Na onda do revisionismo histórico e cultural, típico das hordas fascistas, os identitários reduzem todo o pensamento à militância histérica e a pregação deste grupo é produzir uma nova onda moralizante da Santíssima Trindade Identitária, cuja visão de mundo se resume em uma tríade de neuroses obsessivas: a infantilização da sexualidade, o alucinado revanchismo racial e o fomento das disputas de pré-adolescentes a respeito dos gêneros durante o recreio escolar! Ao abandonar a complexidade das estruturas socioeconômicas e políticas moldada pelas perversões do capital, os militantes desta simplificação de mundo se embriagam em superficiais elementos narcísicos que buscam operar por via da panfletagem de uma espécie de naturalização de “antagonismos estruturais culturalistas”.

Nada mais sintomático é observar que uma “nova moral”, típica de adolescentes querendo descobrir o mundo, é objeto de “empoderamento” do mercado neoliberal. Claro, toda esta “militância empoderada” conta com a participação ativa e “abençoada” do capital para criar nichos de mercado e atender a novas demandas de consumidores que pulsionam novos fetiches de consumismo. Na onda onde tudo é “preconceito” para “cuidar do meu corpo”, todos são inimigos, exceto o afago das idiossincrasias do mercado. O pior de tudo é observar uma parte significativa de uma esquerda política, sem melhor juízo ou senso crítico, embarcando nesta estupidez sem tamanho, promovida por um “neoliberalismo cognitivo”.

Por mais que a estupidez seja uma desgraça para o conjunto da humanidade, ela oferece espetaculares lucros para o capital que, simultaneamente, mantêm o controle social das massas populares, as quais não enxergam que são exploradas! Reféns de um quadro sistêmico de dominação e subordinação diante das agruras estruturais do capital, um processo de libertação ou emancipação, momentaneamente, é de difícil saída tanto para os trabalhadores, quanto para os que sobrevivem com os farelos do capital. As questões ideológicas sempre foram marcantes nas sociedades de massa e, tal como agora, não seria diferente: a estupidez como um mecanismo de dispersão de ideias e, simultaneamente, um aglutinador de conformismos pasteurizados. Se as utopias ficaram rarefeitas, a depressão consome cada vez mais uma parcela considerável da sociedade.

A ideologia imposta pelo capital em suas diversas variantes é um vírus tão poderoso que nem mesmo o fantasma de antigas vacinas “revolucionárias” parece coibir a contaminação. A estupidez como espetáculo, seja em redes sociais, seja em programas televisivos, demonstra que o processo de imbecilização social é uma perversa construção cultural. Não foi à toa que o Brasil, desde 2013, embarcou na onda da loucura social dos protestos que resultou em um golpe de estado em 2016 e a ascensão da escória miliciana ao poder, em 2018. Com a pandemia, o teatro tétrico da estupidez megalomaníaca brasileira ganhou sua cereja gigantesca sobre o bolo de milhares de covas ao longo das terras de cemitério pelo país.

A estupidez que a indústria cultural impõe como, por exemplo, os dejetos sonoros produzidos pelos divulgadores de músicas no país são alarmantes. O escroque civilizatório da estupidez produziu uma trilha sonora onde se torna emblemático o estrume pastoso em que o capital quer transformar o país. Não é à toa que verdadeiros boçais, sem nenhum talento para sequer balbuciar algumas palavras, se tornam “astros” de uma plateia que não se importa de ser enganada e, pior ainda, ser reduzida ao mesmo nível de excremento dos seus “ídolos”. A decadência cultural é mais um sintoma da destruição corrosiva do capital e a adestração da sociedade para se conformar com a barbárie programada.

O desafio que poucos conseguem enxergar é, de fato, uma colossal e turva batalha civilizacional. Uma nova era de subdesenvolvimento se instalou no país com todo o sortilégio de perversões nos tonéis gigantescos de estupidez para arquitetar uma sociedade tão tosca, quanto passiva. Nossa estupidez não é um fato fortuito de uma depressiva decadência inevitável, mas um mecanismo de controle social que os donos do capital e seus subalternos diretos impõem para manter as velhas rédeas do poder em nome da exploração e miséria física e psíquica de milhões de seres condenados à própria sorte.


* WELLINGTON FONTES MENEZES é Doutor em Ciências Jurídicas e Sociais (UFF); Mestre em Ciências Sociais (UNESP); Bacharel e Licenciado em Física (USP); Pesquisador do Grupo de Pesquisa “Democracia, Cidadania e Estado de Direito” (DeCIED/UFF).

Após o assédio sexual, um homem chamado Caboclo é afastado da presidência da CBF

Publicado em 6 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Rogério Caboclo CBF

Caboclo vai ter de pagar uma bela indenização à secretária

Deu no Lance!

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, foi afastado do cargo de presidente da entidade por trinta dias após decisão do Conselho de Ética. O cartola foi acusado de assédio sexual e moral por uma funcionária da instituição.

Com o afastamento do cartola, quem assume a presidência da CBF é Antônio Carlos Nunes, o vice mais velho da instituição. Uma reunião entre os diretores e vice-presidentes foi convocada para a manhã desta segunda-feira, 7, no Rio de Janeiro.

ASSÉDIO SEXUAL E MORAL – O cartola Rogério Caboclo foi acusado formalmente de assédio sexual e moral por uma funcionária da CBF. Na denúncia, a sua secretária diz que o presidente perguntou se ela se masturbava, além de tentar forçá-la a comer um biscoito de cachorro, chamando-a de “cadela”.

Além disso, o presidente da CBF sofre pressão de jogadores por conta da crise da Copa América, que teve a sua sede mudada para o Brasil, gerando insatisfação de atletas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 O assédio sexual é apenas um detalhe. Rogério Caboclo, presidente da CBF, pagou R$ 10,5 milhões em um apartamento no Rio de Janeiro. O valor foi pago à vista. O imóvel fica localizado na Barra da Tijuca e a compra foi feita em dezembro de 2019. A aquisição foi realizada oito meses após o cartola assumir o cargo na confederação que determina os rumos do futebol brasileiro. A lista de compras de imóveis do dirigente vem aumentando desde 2013. De lá para cá, a empresa da qual Caboclo é sócio gastou mais de R$ 23 milhões na aquisição de imóveis. Ao colunista Diego Garcia, do UOL, o cartola disse que a compra foi compatível com o que ganha. Como dizia Ibrahim Sued, gente fina é outra coisa. (C.N.)

No mundo moderno, não há espaço para aventuras extremistas em países como o Brasil

Publicado em 6 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Genildo (genildo.com)

Merval Pereira
O Globo

O arquivamento do processo de indisciplina contra o General Eduardo Pazuello, sob pressão do presidente Bolsonaro, foi um erro do Comandante do Exército, General Paulo Sérgio Nogueira, gerou insegurança e alimentou suspeitas de que o Exército sucumbiu a um projeto autoritário que está em curso. Suspeitas assumidas por mim, no impacto da notícia surpreendente.

A versão de que o Alto Comando do Exército acatou a decisão de não punir Pazuello para não criar mais uma crise militar pode denotar ingenuidade por parte dos generais quatro estrelas, mas anula a de que o golpe de Bolsonaro representa a submissão política de uma instituição de Estado ao projeto autoritário do governo da ocasião.

SINUCA DE BICO – No caso específico, Comandante e Exército como instituição se encontravam numa verdadeira “escolha de Sofia”, ou, em português popular, numa “sinuca de bico”. O ato do Pazzuelo foi, sem dúvida, contrário aos regulamentos militares. Mas foi praticado, de fato, não pelo General, e sim pelo Presidente, ao chamar um General da ativa para uma manifestação política, e levá-lo ao palanque.

Mais, ao manifestar seu apoio ao general, o Comandante em Chefe colocou o Exército e seu comandante na seguinte situação:

1 – Mantém os regulamentos e pune o General – e implicitamente “pune” o seu comandante em Chefe – tendo como consequência a revogação da punição pelo Presidente e, em seguida, a demissão do General Paulo Sérgio Nogueira (o que, de fato, é um dos objetivos do Bolsonaro). Se o Exército aceita essa decisão está, de fato, “dominado”; se não aceita, tem de “demitir” o Presidente. 

2 – Passa por cima da punição, numa aparente “derrota” imediata da disciplina, mas mantém a linha atual de comando, aprofunda o evidente “desgaste” do Presidente na Força (não há militar que se preze que aceite de bom grado a violação de seus princípios), e com isso se fortalece para uma possível “resistência” futura.

COM OU SEM GOLPE – Nesse caso, pode-se discordar da estratégia adotada pelo Comandante do Exército, mas não se deve desqualificá-la, pois teria tomado uma decisão como chefe de um órgão de Estado, e não de uma corporação.

O importante é definir se as Forças Armadas, mais especialmente o Exército, respaldam o golpe que está sendo articulado por Bolsonaro, com o apoio em seus segmentos subalternos, das polícias militares, da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.

Bolsonaro usa a disciplina para abusar das Forças Armadas, mas não podemos dar ao Exército o epíteto de golpista, mesmo porque, se fosse verdade, o jogo estaria terminado. E não está. A ojeriza dos militares ao PT e a Lula está por trás da condescendência com que Bolsonaro é tratado, mas não pode ser razão para a quebra da ordem democrática.

SEM CONFRONTO – Além do fato de que Lula foi presidente por 8 anos, e não houve confronto entre o então Comandante em Chefe com as Forças Armadas.

 O caso ocorrido no governo Dilma, de tentativa de interferência no ensino militar, quando editou-se um decreto transferindo para o ministério da Defesa algumas das tarefas do Comandante do Exército, inclusive a definição dos currículos das escolas militares, é um osso atravessado na garganta dos militares.

Mas a solução não são as escolas militarizadas incentivadas pelo governo Bolsonaro, que representam uma tentativa de incutir as regras militares aos estudantes civis, numa ação tão perniciosa quanto a petista.

VENEZUELA AO CONTRÁRIO – No mundo moderno, não há lugar para aventuras extremistas, pelo menos em países como o Brasil, com um peso geopolítico específico de líder regional.

Não podemos virar uma Venezuela com sinal trocado, nem uma Bielorússia. O fato é que estamos isolados no mundo, e temos que voltar a nos unir aos organismos internacionais que regem os países democráticos do Ocidente. O receio da volta da esquerda ao poder nos aproxima de um pensamento regressivo que torna o Brasil um pária internacional.

Não é possível que a maioria das Forças Armadas admita respaldar um regime autoritário comandado por um capitão que abusa do “seu Exército” em nome da proteção contra uma assombração esquerdista. É o mesmo erro cometido pelos que consideravam as milícias uma solução para a segurança pública.


Relatório da PF indica que servidores repassaram verba ao blogueiro Allan dos Santos

Relatório da PF indica que servidores repassaram verba ao blogueiro Allan dos Santos
Foto: Alessandro Dantas / Agência Senado

Obtido pela TV Globo, um relatório da Polícia Federal enviado à Procuradoria Geral da República (PGR), no escopo do inquérito que apura atos antidemocráticos praticados por bolsonaristas (saiba mais), apontou que servidores federais fizeram repasses de dinheiro ao blogueiro Allan dos Santos. 

 

A PF apreendeu uma planilha que indicava valores repassados por servidores públicos ao canal Terça Livre, de Allan. Segundo informações do G1, dentre as indicações está a transferência de R$ 70 mil de uma funcionário do BNDES a um sócio do blogueiro.

 

As investigações apontaram que entre abril e maio de 2020, ápice dos atos antidemocráticos, foram feitas cerca de 650 repasses para Allan, sem identificação do CPF do doador. "A quantidade de doações, o valor repassado por servidores públicos, a forma do repasse [...] indica a necessidade de compreender os fatos e circunstâncias", diz o relatório da PF.

 

Dentro da mesma apuração, a PF identificou ainda a articulação de bolsonaristas para evitar que um sócio do blogueiro fosse convocado para depor na CPI das Fake News. 

Bahia Notícias

Investigação da PF mostra que Allan dos Santos tentou derrubar prefeitos e governadores

Investigação da PF mostra que Allan dos Santos tentou derrubar prefeitos e governadores
Foto: Divulgação

Um relatório parcial da Polícia Federal (PF) sobre os atos antidemocráticos revelam que o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos tentou interceder para derrubar desafetos do presidente Jair Bolsonaro.

 

Um manuscrito encontrado na casa do blogueiro embasou esta tese. "Objetivo: materializar a ira popular contra os governadores/prefeitos; fim intermediário: saiam às ruas; fim último: derrubar os governadores/prefeitos”, diz o bilhete.  

 


Relatório obtido pela TV Globo | Foto: Reprodução

 

Segundo a investigação, os “objetivos antidemocráticos externados” no material apreendido “têm de ser interpretados em conjunto com o interesse demonstrado (e ratificado nos relatórios em análise) em obter espaço junto à área de comunicação do governo federal".

 

Neste sentido, a investigação cita que no ano passado o blogueiro enviou mensagens ao tenente-coronel Mauro Cesar Cid, ajudante de ordens de Bolsonaro, na tentativa de provocar o rompimento institucional com os atos antidemocráticos. "As FFAA [Forças Armadas] precisam entrar urgentemente", escreveu Allan, à época. 

 

A investigação da PF apontou ainda que o blogueiro recebeu dinheiro de servidores federais (saiba mais).

Bahia Notícias

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