terça-feira, abril 06, 2021

Ministério Público investiga concessão de empréstimo de R$ 3,1 milhões a Flávio para compra de mansão


Charge do Duke (domtotal.com)

Constança Rezende
Folha

O MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios) abriu um procedimento para investigar a concessão de um empréstimo de um banco público ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) para a compra de uma mansão em Brasília.

A casa no Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul, bairro nobre da capital federal, foi adquirida pelo filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro em janeiro deste ano. O BRB, instituição ligada ao governo do Distrito Federal, financiou R$ 3,1 milhões. O imóvel de 1.100 m² de área construída, em um terreno de 2.500 m², custou R$ 6 milhões.

CONDIÇÃO ESPECIAL – O caso será investigado pela Prodep (Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social). O objetivo é saber se o empréstimo foi feito fora das condições normais do banco para qualquer pessoa. Procurada, a assessoria de Flávio não se manifestou até a publicação desta reportagem.

O senador conseguiu uma taxa reduzida junto ao banco, de 3,65%. Para isso, precisou fazer a portabilidade de salário para o BRB e contratar produtos como cheque especial e cartão de crédito. A taxa efetiva, após acréscimo de encargos, é de 3,71%. Caso ele desista dos produtos financeiros da instituição no meio do contrato, ele precisará pagar a “taxa de balcão”, que é de 4,75%, disponível para quem não é cliente do banco.

Segundo o contrato de compra e venda, ao qual a Folha teve acesso, a prestação assumida pelo parlamentar e por sua mulher, a dentista Fernanda Bolsonaro, foi de R$ 18.744,16 por mês. Com base na escritura do imóvel, o valor compromete 50% da renda do casal. Juntos, segundo o documento, eles têm renda líquida de R$ 36.957,68. Flávio declarou ganhar R$ 28.307,68 e sua mulher, R$ 8.650.

SIMULAÇÃO – Os valores somados são menores que o mínimo exigido pelo BRB para a contratação de financiamento nessas condições. Segundo simulador disponível no site da instituição, nessa linha, o tomador precisaria ganhar pelo menos R$ 46.401,25. O prazo de financiamento do imóvel é de 360 meses —30 anos. O contrato foi registrado em Brazlândia (a 45 km de Brasília).

A mansão no Lago Sul é o 20º imóvel que Flávio adquire em um intervalo de 16 anos —considerando um andar com 12 salas comerciais de que foi proprietário. O procedimento foi aberto no MPDFT no dia 18 de março, após o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) entrar com uma representação na ouvidoria do órgão.

De acordo com o MPDFT, no momento, a promotoria ainda está reunindo informações sobre o caso. A situação patrimonial do senador não será objeto de análise neste procedimento, já que seria uma atribuição do MPF (Ministério Público Federal). Na denúncia oferecida contra o senador no caso das “rachadinhas”, o MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) apontou que as operações de compra e venda de dois imóveis por Flávio foram usadas para lavagem de dinheiro.

RISCO DE CRÉDITO – Em nota, o BRB afirmou que as taxas de juros de seus produtos “estão disponíveis a todos os seus clientes, conforme análise de risco de crédito”. “O financiamento mencionado pela reportagem diz respeito a uma operação de crédito tradicional do BRB, cujas condições são disponibilizadas a todos os seus clientes. Conforme já divulgado pela imprensa, 87% dos clientes que contrataram operação semelhante tiveram acesso a taxas inferiores à praticada”, disse.

O banco acrescentou que a concessão de qualquer operação de crédito “segue padrões e normas bancárias e se fundamenta em documentos e informações fornecidos pelos clientes e/ou em informações de mercado disponíveis sobre os clientes”. “Todas as operações de crédito imobiliário no banco são submetidas a avaliação e consideram renda individual ou composição de renda, seguindo práticas do mercado bancário brasileiro”, disse.

Em nota divulgada à imprensa no dia 2 de março, Flávio disse que usou recursos da venda de um imóvel no Rio de Janeiro para comprar a casa. Ele negou qualquer ilicitude no negócio. “Tudo registrado em escritura pública”, afirmou nota divulgada pela assessoria de imprensa do parlamentar. “Qualquer coisa além disso é pura especulação ou desinformação por parte de alguns veículos de comunicação.”

Aras pede a Fux que entregue a Kassio Nunes processo sobre missas e cultos


por Rafael Bragança | Folhapress

Aras pede a Fux que entregue a Kassio Nunes processo sobre missas e cultos
Augusto Aras | Foto: José Cruz/ Agência Brasil

O procurador-geral da República, Augusto Aras, fez um pedido nesta segunda (5) ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux, para que o processo sobre a liberação de missas e cultos saia das mãos do ministro Gilmar Mendes e passe para as de Kassio Nunes Marques. Com a troca na relatoria, a permissão para a realização das celebrações seria mantida e o julgamento da matéria no plenário da Corte poderia ser evitado.

O julgamento pelo plenário foi marcado por Fux para esta quarta-feira (7), após duas decisões contraditórias sobre o tema.

No sábado (3), Nunes liberou os cultos presenciais no estado de São Paulo, acatando ação do PSD (Partido Social Democrático) e do CNPB (Conselho Nacional de Pastores do Brasil) que argumentava que o decreto baixado pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), proibindo celebrações com presença do público era inconstitucional por ferir a liberdade religiosa.

Já nesta segunda-feira, Gilmar manteve o veto a cultos religiosos presenciais no estado de São Paulo.

No plenário, a tendência é de que a proibição das celebrações seja referendada, fazendo valer a decisão de Gilmar Mendes. O que Aras argumenta é que a ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) deve se juntar ao processo mais antigo no STF que trata do assunto, ou seja, o relatado por Nunes -ministro indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido)

"A regra de distribuição estabelecida pelo regimento interno visa a evitar decisões conflitantes ou contraditórias e a gerar economia processual", escreveu Aras no pedido feito a Fux.

No caso, o processo relatado por Gilmar se juntaria a outra ADPF, esta de relatoria de Nunes Marques, sobre a qual o tomou a decisão da liberação das celebrações no último final de semana. Nunes Marques afirmou na liminar concedida anteontem (3) que a proibição feria o "direito fundamental à liberdade religiosa".

Na decisão que manteve a proibição de missas e cultos em São Paulo, Gilmar Mendes argumentou que "apenas uma postura negacionista" poderia levar à conclusão de que as medidas restritivas quanto às celebrações significam a violação de direitos fundamentais, numa clara referência à liminar de Nunes Marques.

"Em um cenário tão devastador, é patente reconhecer que as medidas de restrição à realização de cultos coletivos, por mais duras que sejam, são não apenas adequadas, mas necessárias ao objetivo maior de realização da proteção da vida e do sistema de saúde", escreveu o ministro do STF.

As visões antagônicas dos ministros da Corte também foram destaque recentemente durante o julgamento sobre a suspeição do ex-juiz Sergio Moro. Os magistrados deram argumentos divergentes na sessão que terminou com Moro declarado como parcial. Nunes Marques chegou a reclamar de uma fala de Gilmar, que contestou veementemente as justificativas do colega de STF no seu voto.

A decisão liminar proferida por Nunes Marques determinou algumas condições para a realização das celebrações religiosas, entre elas a ocupação máxima de 25% da capacidade do local e o uso alternado de fileiras de cadeiras ou bancos por parte dos fiéis. Em missas e cultos celebrados ontem (4), porém, foi possível observar descumprimento aos protocolos.

Nas missas realizadas na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP) e na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, os fiéis mantinham menor distanciamento social do que o determinado, principalmente pela proximidade entre as fileiras. Em culto da Igreja Mundial do Poder de Deus, em São Paulo, a cena também se repetiu.

Os cultos e missas foram suspensos por determinações estaduais e de prefeituras como forma de conter a propagação do novo coronavírus. Em quase todo o país, o sistema de saúde segue pressionado pelo avanço da pandemia, com internações e mortes causadas pela covid-19 em alta.

Bahia Notíciasw

Médicos paspalhões e o descrédito da medicina


por Fernando Duarte

Médicos paspalhões e o descrédito da medicina
Foto: Sérgio Lima/ Poder360

Médicos têm contribuído para desacreditar a medicina no contexto da pandemia do novo coronavírus. Os casos mais corriqueiros são os esforços para justificar o uso “off label” de remédios sem eficácia comprovada e que funcionam como placebo em milhares de brasileiros. As consequências desse uso descontrolado de medicamentos como ivermectina, hidroxicloroquina e azitromicina começam a ser sentidas com relatos de hepatite medicamentosa e reações adversas. Tudo com anuência do Conselho Federal de Medicina e sem qualquer manifestação de órgãos como o Ministério Público. Clique aqui e leia a coluna completa!


https://www.bahianoticias.com.br/noticia/257962-medicos-paspalhoes-e-o-descredito-da-medicina.html


Agência europeia diz que trombose tem 'relação' com dose da vacina de Oxford


Agência europeia diz que trombose tem 'relação' com dose da vacina de Oxford
Foto: Tânia Rego/ Agência Brasil

Após analisar o desempenho da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford com o laboratório AstraZeneca, a Agência Europeia de Medicamentos chegou à conclusão de que o imunizante tem relação com os coágulos sanguíneos registrados em algumas pessoas vacinadas. A declaração foi do chefe da estratégia de vacinação da agência, Marco Cavaleri.

 

"Agora podemos dizer, é claro que existe uma ligação com a vacina", disse Cavaleri ao jornal italiano Il Messagero. "O que causa essa reação, no entanto, ainda não sabemos". (...) "Para resumir, nas próximas horas diremos que existe uma ligação, mas ainda precisamos entender como ela acontece", detalhou Cavaleri, segundo a coluna de Jamil Chade, no UOL.

 

A publicação lembra que, no mês passado, vários países europeus suspenderam o uso desse imunizante por conta dos casos de trombose identificados em cerca de 30 pessoas (veja aqui). Mas depois de uma investigação, a agência concluiu que os benefícios da vacina superavam os eventuais riscos que ela representava.

 

A agência indica que, no geral, cerca de mil pessoas desenvolvem trombose na Europa por mês. Na população vacinada, a taxa é menor do que o esperado.

 

O Brasil também tem aplicado a vacina de Oxford na população, mas a fonte do abastecimento não é a mesma. O governo brasileiro importa as doses fabricadas na Índia e na Coreia do Sul, além de importar materiais para a produção em solo nacional, na Fiocruz.

Bahia Notícias

Ambiente fechado, pessoas reunidas e cantoria: Entenda riscos da Covid em igrejas


Ambiente fechado, pessoas reunidas e cantoria: Entenda riscos da Covid em igrejas
Foto: Reprodução/TV Aparecida

A realização de missas e cultos presenciais acabam reunindo fatores que contribuem e intensificam a transmissão da Covid-19, mostram pesquisas internacionais. Cientistas destacam que entre eles, está o fato de reunir grande quantidade de pessoas em espaços fechados ou promover atividades que aumentam a chance do vírus se espalhar, como frequentadores que falam alto e cantam.

 

Uma dessas pesquisas foi realizada pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, que elaborou um ranking dos locais mais propícios à contaminação. Pela projeção, as igrejas e templos religiosos aparecem em 6º lugar em grau de risco, na frente de consultórios médicos (7º) e mercados (8º) e atrás de restaurantes (1º), academias (2º), hotéis e motéis (3º), bares e cafés (4º) e lanchonetes (5º). O entendimento é de que as cerimônias podem estar ligadas ao surgimento de surtos, destaca reportagem do Estadão.

 

Para os cientistas, o controle do vírus seria mais eficiente se as medidas de restrições fossem direcionadas a esses locais.

 

No último final de semana, em que foi celebrada a Páscoa, um feriado religioso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques decidiu autorizar celebrações religiosas presenciais. A decisão foi monocrática, e criticada inclusive por outros ministros do STF e gestores públicos.

 

O Brasil vive um dos momentos mais graves da pandemia, com sucessivos recordes diários de morte e hospitais superlotados.

 

“Em um momento menos intenso poderíamos ser mais flexíveis. Não precisa esperar acabar tudo, mas estamos no momento de transmissão mais intensa”, diz Marcio Sommer Bittencourt, mestre em saúde pública pela Universidade de Harvard e médico do centro de pesquisa clínica e epidemiológica do Hospital Universitário da USP em entrevista ao Estadão.

Bahia Notícias

Pensões de militares pioram contas, e União acumula passivo recorde de R$ 4,4 tri


por Fábio Pupo | Folhapress

Pensões de militares pioram contas, e União acumula passivo recorde de R$ 4,4 tri
Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil

A União registrou um patrimônio líquido negativo de R$ 4,4 trilhões no fim de 2020. O resultado é recorde e foi influenciado pela atualização de despesas projetadas com benefícios de militares e pela pandemia de Covid-19. ?

O patrimônio líquido da União representa a diferença entre os ativos e direitos do país (como dinheiro em caixa, receitas a receber, ações de estatais e imóveis) menos as contas que precisa pagar (como dívidas, aposentadorias e passivos de decisões judiciais).

O patrimônio líquido fica negativo quando há mais obrigações do que bens e direitos (quando é chamado também de passivo a descoberto). Isso ocorreu pela primeira vez em 2015, após o Tesouro Nacional começar sua adesão a normas internacionais de contabilidade, e a situação vem se agravando desde então.

Em 2020, o tamanho do patrimônio líquido negativo cresceu 49% em relação a 2019. O valor representa 59,4% do PIB (Produto Interno Bruto).

“É um valor muito forte e significa que temos uma dívida em montante muito superior aos ativos. Isso implica uma necessidade de correção com as reformas que estão pautadas [pelo Ministério da Economia] para reverter essa tendência”, diz Heriberto Vilela do Nascimento, coordenador-geral de contabilidade da União.

Ele afirma que diversos países acompanhados pelo Tesouro têm patrimônio líquido negativo, mas que o caso brasileiro chama atenção. “Todos os países têm patrimônio líquido negativo, é normal. Mas o nosso, proporcionalmente ao PIB, é muito forte”, disse.

Em 2020, um dos principais fatores para a piora foi a conta de R$ 703 bilhões em despesas projetadas com benefícios e pensões de militares (R$ 563 bilhões acima do registrado em 2019).

Esse é o montante projetado a ser destinado por 70 anos, a partir de 2020, pelo Tesouro aos integrantes das Forças Armadas e seus familiares, mesmo após eles passarem para a reserva.

Nascimento diz que a diferença em relação ao balanço de 2019 foi significativa porque as despesas com integrantes das Forças Armadas não eram interpretadas como passivos anteriormente.

Segundo ele, a mudança ocorreu no balanço de 2020 devido a uma adaptação aos padrões internacionais de contabilidade. “Não tínhamos esse passivo e passamos a ter. Isso impactou bastante”, afirmou.

“Não sei se posso dizer que foi um erro [não considerar despesas com militares um passivo até 2019]. Estamos em um processo de convergência às normas internacionais, a cada ano incorporando ativos e passivos que não eram reconhecidos”, disse.

Ele afirma que o processo de adaptação deve ser concluído no ano que vem e que as diferenças remanescentes devem ser pequenas de agora em diante.

Outro fator para o crescimento do patrimônio negativo foram os mais de R$ 520 bilhões em despesas destinadas a combater a pandemia de Covid-19 e seus efeitos sociais e econômicos.

O valor levou a um déficit nas contas públicas que aumentou a necessidade de endividamento —e, portanto, gerou mais deveres financeiros a serem quitados pela União ao longo dos anos.

O Tesouro também elevou provisões para perdas com dívidas não pagas por estados e municípios. Como a União figura como garantidora em boa parte dos empréstimos de bancos aos entes, é obrigada a honrar os pagamentos em caso de inadimplência.

Ainda assim, o Tesouro pode recuperar os valores por meio da execução de contragarantias (como receitas tributárias a que os entes teriam direito). Mas governadores e prefeitos têm obtido decisões judiciais que, na prática, têm deixado o prejuízo para a União.

Marilu Cardoso da Silva, gerente de demonstrações contábeis da União, afirma que o Tesouro fez uma mudança contábil também nesse caso e passou a considerar em sua metodologia para perdas a capacidade de pagamento (a Capag) do estado ou município (em vez do tempo de inadimplência, como era antes).

Com as mudanças, o ajuste para perdas subiu de R$ 39 bilhões em 2019 para R$ 350 bilhões em 2020. Paralelamente, como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, o Tesouro tem reavaliado regras para conceder novas garantias a estados e municípios como forma de conter parte dos prejuízos observados hoje.

Bahia Notícias

Malhada de Pedras: MP-BA apura suspeita de contratação irregular de médicos

por Cláudia Cardozo / Francis Juliano

Malhada de Pedras: MP-BA apura suspeita de contratação irregular de médicos
Foto: Reprodução / Ddez

Um caso suspeito de superfaturamento em contratos de médicos em Malhada de Pedras, no Sertão Produtivo, Sudoeste baiano, será objeto de um inquérito. Segundo a 1ª Promotoria de Brumado, na mesma região, os fatos ocorreram entre 2013 e 2016 quando a prefeitura contratou os profissionais com dispensa de licitação. Pelo contrato, cada médico ganharia R$ 19,2 mil mensais, soma maior do que o teto municipal, recebido pela prefeita à época, Terezinha, de R$ 10 mil.

 

Em publicação desta terça-feira (6), o promotor Millen Castro justificou a abertura do inquérito pelo fato de algumas questões ainda não estarem claras. “Como a documentação é extensa, os valores dos pagamentos variam e não restou claro se tais atos teriam causado, além de violação aos princípios administrativos, prejuízo ao erário, ou se houve prestação de serviço que os justificasse, faz-se necessário uma análise técnica dos referidos documentos”, escreve o representante do Ministério Público do Estado (MP-BA) na região.

Bahia Notícias

Após sugerir novo AI-5, Eduardo Bolsonaro rejeita ditadura ‘porque o poder já está em nossas mãos’


Charge do Amarildo (Arquivo do Google)

Danielle Brant
Folha

O relator da representação contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no Conselho de Ética da Câmara por declarações sobre a volta do AI-5 no Brasil votou nesta segunda-feira, dia 5, pelo arquivamento do processo contra o filho 03 do presidente Jair Bolsonaro. Na avaliação do deputado Igor Timo (Podemos-MG), autor do parecer preliminar, não há justa causa para que o processo seja admitido. Por isso, argumentou, a representação deve ser arquivada.

A oposição, no entanto, discordou da decisão e pediu vista (mais tempo para análise) do relatório. A ideia é apresentar parecer alternativo na sessão de quinta-feira, dia 8, quando a análise será retomada. Apesar de votar pelo arquivamento, o relator disse que queria “deixar claro” e “registrar” que o AI-5 foi um “tempo obscuro” e que o “Brasil não permite, em tempo algum, referenciar ou citar com saudosismo tempos sombrios” de sua história.

CRÍTICAS AO PARECER – Já a oposição fez fortes críticas ao parecer. “O relatório de Igor Timo é uma vergonha. Um salvo conduto para a extrema-direita que ameaça as liberdades democráticas”, afirmou a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS).

“Eduardo Bolsonaro cometeu um crime grave ao ameaçar o país com o AI-5, o ato mais brutal da ditadura civil militar. É incoerente inclusive com o andamento do processo de cassação de Daniel Silveira. Na prática um peso e duas medidas que pode estar relacionado a relação do relator com a família Bolsonaro.”

Antes da leitura, Eduardo Bolsonaro também criticou a oposição, autora da representação. “Eles [a oposição] entendem que a maneira de se fazer política é judicializando e, por vezes, dando entrada, também, neste conselho de ética”, disse. “De maneira alguma eu fiz metade ou 10% daquilo que eles me acusam neste processo.”

“MENOS INTERESSADO” – Ao final, após o voto do relator, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro era o “menos interessado” em que o Brasil vire uma ditadura. “Em igual monta também, eu, deputado federal mais votado da história do país —e muitos aí dizem que eu deveria ser cassado, uma total violação do nosso sistema representativo— sou o menos interessado também em ter qualquer tipo de ditadura, porque o poder já está em nossas mãos”, afirmou.

Eduardo era alvo do Conselho desde novembro de 2019 por dizer que o resultado de uma hipotética radicalização da esquerda seria a volta do AI-5, o ato que marcou o início do período mais duro da ditadura militar (1964-1985).

As declarações foram dadas em entrevista à jornalista Leda Nagle em 31 de outubro do ano passado. Na conversa, o deputado disse que, se o Brasil tivesse protestos como os que ocorriam na ocasião no Chile, chegaria um momento igual ao do final dos anos 1960, quando houve sequestros de aviões e autoridades durante a ditadura militar.

AMEAÇA – “Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta. E a resposta, ela pode ser via um novo AI-5, via uma legislação aprovada através de um plebiscito, como ocorreu na Itália. Alguma resposta vai ter que ser dada”, afirmou, fazendo referência ao ato institucional que determinou o fechamento do Congresso e a suspensão da garantia de habeas corpus no país.

Duas representações foram protocoladas no conselho por causa do episódio: uma pela Rede, e outra assinada por PSOL, PT e PC do B — essa última foi incorporada à primeira. Durante o processo, o relator foi criticado pela proximidade com o presidente Bolsonaro. Reportagem do Uol mostrou que Timo gravou um vídeo com Bolsonaro agradecendo o presidente por ter repassado verbas para seu estado.

Em nota enviada ao portal na época, a assessoria afirmou que o parlamentar mantinha sua imparcialidade e disse que o episódio não interferia no trabalho que ele realiza no conselho.

IRRITAÇÃO – O episódio gerou mal estar no conselho e irritou a oposição, que enviou um ofício ao presidente do conselho de ética, deputado Juscelino Filho (DEM-MA), pedindo a adoção de medidas por causa da suspeição ou impedimento do relator.

No final de fevereiro, Eduardo já havia tido outro processo arquivado pelo conselho de ética. O deputado era acusado de ter ofendido a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) nas redes sociais, em 2019.


Robôs de Bolsonaro intensificam ações nas redes para tentar contornar desgastes diante da crise sanitária


Charge do Luiz Gê (Arquivo Google)

Ingrid Soares e Augusto Fernandes
Correio Braziliense

Março foi um dos meses em que a popularidade do presidente Jair Bolsonaro mais oscilou desde que ele assumiu o Palácio do Planalto, em 2019. O recrudescimento da pandemia da Covid-19 no país, que tornou o último mês o mais letal da crise sanitária, com 66.573 mortes, foi um dos principais fatores para a má avaliação do chefe do Executivo.

Também contribuíram para impopularidade a demora do governo em disponibilizar mais vacinas à população e algumas condicionantes políticas, como a mudança no comando do Ministério da Defesa, que desencadeou uma reformulação em todas as Forças Armadas. Mas em meio a esse cenário negativo para Bolsonaro, cresceu a quantidade de interações no Twitter de perfis considerados inautênticos em favor do presidente.

LEVANTAMENTO – Segundo levantamento feito pelo Correio com base em números da plataforma Bot Sentinel, que analisa publicações feitas na rede social por robôs, o número de postagens com hashtags de apoio a Bolsonaro deram um salto vertiginoso entre fevereiro e março. Se, há dois meses, a ferramenta mapeou pelo menos 1.392 posts produzidos por bots bolsonaristas, no mês passado foram contabilizados, no mínimo, 49.302. O crescimento foi de 3.441%.

Dentre as publicações feitas pelos robôs, destacaram-se hashtags que enaltecem o trabalho desempenhado pelo mandatário. Houve, por exemplo, mais de 15,2 mil publicações com #opovoestacombolsonaro, #bolsonaroheroidobrasil, #contecomigobolsonaro, #bolsonarotemrazao e #vaipracimapresidente. Além disso, foram bastante comuns posts pedindo que Bolsonaro seja reeleito no ano que vem. Tags como #bolsonaro2022, #bolsonaroate2026, #bolsonaropresidenteate2026 e outras variantes apareceram em aproximadamente 8,1 mil postagens.

Os dias em que as publicações aconteceram com mais frequência foram no aniversário de Bolsonaro, 21 de março, e na data que marca o início do golpe militar de 1964, 31 de março. Só nesses dois dias, foram quase 14,1 mil posts escritos por robôs. As principais hashtags utilizadas foram #happybirthdaybolsonaro, #parabenspresidente, #deusabencoebolsonaro, #felizaniversariobolsonaro, #viva31demarço, #viva1964 e #viva31demarçovivaobrasil.

EM DEFESA DE ARAÚJO – Com a pressão no fim do mês para que o presidente demitisse o então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, também foram mapeadas cerca de 2,8 mil publicações de bots em defesa do chanceler, tais como #ninguemmexecomernesto e #ernestoaraujofica. Apesar disso, ele foi substituído pelo embaixador Carlos Alberto Franco França.

Um indicativo que aponta para a possibilidade de a atividade no Twitter a favor de Bolsonaro ter sido conduzida por perfis inautênticos é o erro gramatical na escrita de algumas hashtags. Dentre as publicações que mais se destacaram, houve ao menos 459 posts com #parabemsbolsonaro, mais do que as postagens com a escrita correta: apenas 144 estavam com a grafia #parabensbolsonaro. Ainda foram mapeados 153 tweets com #fechadocombolonaroate2026. Por outro lado, 675 foram publicados corretamente (#fechadocombolsonaroate2026).

A atividade dos robôs foi mais comum à noite e nas primeiras horas da madrugada. Quase 45% das publicações (21.780) aconteceram no intervalo entre 21h e 4h. Em contrapartida, a interação dos bots pela manhã e durante a tarde foi bastante reduzida. Apenas 23% das postagens (11.540) aconteceram de 10h a 17h.

DESESPERO – O cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, acredita que o uso de robôs é um sinal de que o bolsonarismo se sente acuado em meio às pressões contra o presidente. “(O bolsonarismo) está tentando não perder espaço na internet, território até hoje muito importante para o presidente. Na campanha de 2018, enquanto outros candidatos corriam para montar equipes nas redes sociais, Bolsonaro já as usava havia um ano ou dois. Portanto, ele sente que sua avaliação está deteriorando e tenta não perder espaço nas redes virtuais”, comenta.

“Segundo as pesquisas, houve um aumento de quem considera ruim ou péssimo e uma queda dos que consideram bom e ótimo. Essa manobra (dos robôs) visa tentar manter a hegemonia e a força do bolsonarismo. Mas há ainda o pensamento nas eleições de 2022, quando Bolsonaro vai buscar a reeleição de todas as formas. Seu projeto de poder depende disso”, completa Prando.

SEM EFEITO – Entretanto, Vera Chemim, especialista em direito constitucional e mestre em administração pública pela Fundação Getulio Vargas, alerta que a atividade de robôs na internet para manter artificialmente o apoio ao governo Bolsonaro pode não surtir efeito para as pretensões do mandatário de vencer as eleições do próximo ano.

“A princípio, o uso de robôs visa maquiar a queda de sua popularidade, decorrente de muitos erros e tropeços, desde o abandono do combate à corrupção até o menosprezo e omissão em razão da pandemia. Porém, caso não haja mudança de postura, em um momento mais próximo às eleições, nem robôs conseguirão fazer milagre no sentido de aumentar a popularidade de Bolsonaro, se ele insistir em continuar a fazer política na base do populismo e do toma lá dá cá”, avalia.


Sem apoio militar, Bolsonaro segue para um final de governo altamente esquizofrênico

Publicado em 6 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Izânio (Arquivo Google)

Miguel Reale Júnior
Estadão

Entre os motivos por que alertava para não se votar em Bolsonaro, eu ressaltava, nesta página de outubro de 2018, ser o candidato pessoa que não tivera ao longo da vida relações sociais ou políticas, sendo um outsider, sem densidade e compreensão da pluralidade própria do nosso mundo e para quem o Brasil, na sua complexidade, era visto como um quartel.

No quartel não há dissidentes ou debate livre entre membros de escalões diferentes, pois, como ensina o Manual de Campanha – Ordem Unida do Exército, 4.ª edição, 2019, as principais características de uma instituição militar são a disciplina e a coesão, entendida a disciplina como o predomínio da ordem e da obediência, sendo esta pronta, espontânea e entusiástica.

QUARTEL DA SAÚDE – Bolsonaro, formatado na ordem unida, transformou o Ministério da Saúde num quartel, com ministro general e secretário executivo coronel, imperando o que haviam aprendido na caserna: disciplina, ou seja, um manda e o outro obedece às ordens superiores, com submissão cega às determinações do presidente Bolsonaro. Conclusão: nem no prédio do ministério se usavam máscaras.

Enquanto o presidente brincava de “marcha soldado”, milhares de brasileiros morriam. Mas quando chegou a três centenas de milhar, as elites políticas e econômicas resolveram dar um basta à brincadeira.

O repertório de encenações do pretenso mito está a se esgotar. Deu, então, uma cambalhota no palco presidencial para reafirmar sua autoridade.

UNIDO COM O CENTRÃO – Tosco no plano político, sem traquejo na montagem de negociação, que presume ter-se fim preciso a ser alcançado e meios a serem negociados para chegar à meta, Bolsonaro imaginou que, abandonando seus correligionários originais e se unindo ao Centrão, estava garantido no poder para o que desse e viesse.

Como o aprendiz de feiticeiro, Bolsonaro desencadeou forças sobre as quais pensou ter controle, mas que o dominam. Como só conhece as regras da ordem unida, e não a arte da mudança de rumos e da aceitação de uma pluralidade de soluções, imaginou que teria à frente da Câmara e no Senado, em razão de seu apoio, dois outros Pazuellos.

Bolsonaro é presidente, mas sente que não mais governa, só administra crises e corre atrás do prejuízo. Diante do desastre sanitário gigantesco, o Centrão resolveu intervir no governo. Forçado pelos dirigentes das Casas do Congresso, Bolsonaro demitiu o ministro da Saúde, mas não seguiu a orientação de nomear médica de São Paulo, para desgosto em especial de Arthur Lira, que chegou a dizer serem os remédios do Parlamento amargos, podendo mesmo ser fatais.

PACTO IMPOSSÍVEL – Bolsonaro, em vista dessa pressão decorrente do número de mortos e do desespero da situação hospitalar, resolveu convocar os chefes dos Poderes para possível pacto, deixando, contudo, de convidar governadores, prefeitos e secretários da Saúde, contra os quais se voltou em posterior reunião do comitê, para culpá-los pelo desemprego decorrente das sabidamente necessárias medidas restritivas. O presidente do Senado, ao contrário, reuniu-se com governadores e deles recebeu várias sugestões.

Há evidente parlamentarismo branco. Os presidentes da Câmara e do Senado impuseram a saída do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, cuja gestão fora desastrosa para o Itamaraty. Araújo pediu demissão, apesar de já demitido por Rodrigo Pacheco e Arthur Lira.

Tendo-se feito de surdos-mudos em meio à tormenta, na resistência, própria das vítimas de estelionato, a se reconhecerem enganadas, como o foram, por Bolsonaro, os agentes econômicos (Fiesp e Febraban) finalmente resolveram se juntar aos presidentes da Câmara e do Senado e tomar posição em face do presidente. Formou-se, então, um conjunto consistente de pressão sobre o governo.

CRISE MILITAR – Em reação, o presidente demitiu o Ministro da Defesa, que preservara as Forças Armadas como instituição de Estado, merecendo por isso o apoio dos comandantes das três Armas. No campo militar e nos ministérios da área jurídica, Bolsonaro tenta criar nichos de obediência, com ministros próximos à família, serviçais como Pazuello, a permitir-lhe até mesmo o devaneio do estado de sítio e de se afirmar como presidente.

A esquizofrenia se faz presente no governo: de um lado, caudatário do Centrão, entrega a Secretaria de Governo para inexpressiva deputada gerenciar emendas e cargos; de outro, temeroso da ingerência do Centrão, reforça com amigos a linha repressiva: delegado ligado à bancada da bala no Ministério da Justiça, o disciplinado André Mendonça na AGU e Braga Netto na Defesa. Com tal time e a possível mobilização de polícias militares pelo governo federal, concretiza-se o risco de caminho antidemocrático.

Pouca preocupação há em dotar o governo de capacidade gerencial ante a pandemia e a crise econômica que se avizinha: o que se quer é poder. E assim o aprendiz de feiticeiro tenta novos contorcionismos visando a sobrenadar no mar dos seus desatinos. Mais poder para quê? Para confrontos e mobilização nacional com o “seu” exército? Não haverá!

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