domingo, fevereiro 01, 2026

Sem trabalho, sem leitura: relatório detalha custódia de Bolsonaro na Papudinha

 


Caminhada, atendimento médico e 12 dias sem ler livro

Mariana Muniz
O Globo

Um relatório encaminhado pela Polícia Militar do Distrito Federal ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), detalha a rotina do ex-presidente Jair Bolsonaro no 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha. O documento abrange os dias 15 a 27 de janeiro de 2026 e reúne, de forma cronológica, registros sobre atendimentos médicos, visitas, atividades físicas e demais procedimentos realizados pela PM.

De acordo com o relatório, Bolsonaro não participou de atividades de remição de pena por leitura em nenhum dos dias analisados, apesar de ter feito o pedido para participar do programa. Em todos os registros diários, a PMDF assinala que “não houve” leitura com fins de remição, assim como não foram realizadas atividades laborais durante o período de custódia.

ATENDIMENTO MÉDICO – Bolsonaro está preso na Papudinha desde 15 de janeiro, onde cumpre a pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado. O documento aponta que o ex-presidente recebeu atendimentos médicos praticamente diários, realizados tanto por profissionais da Secretaria de Saúde do Distrito Federal quanto por médicos particulares. Segundo a observação final do relatório, as consultas consistiram, em sua maioria, em avaliações clínicas de rotina, com monitoramento de sinais vitais e acompanhamento preventivo do estado geral de saúde do custodiado.

Também foram registradas sessões de fisioterapia em diversos dias, além de atividades físicas supervisionadas, principalmente caminhadas, realizadas em horários determinados. Em alguns dias, Bolsonaro chegou a realizar mais de um período de caminhada; em outros, não houve atividade física registrada, conforme os controles da unidade.

VISITAS – A rotina descrita inclui ainda a presença frequente de advogados, com atendimentos que variaram de poucos minutos a mais de duas horas, além de visitas familiares. O relatório registra encontros com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e com o vereador Carlos Bolsonaro, em datas e horários previamente definidos. Houve também registro pontual de assistência religiosa, com a presença de pastor em dois dias distintos. Já atividades como trabalho interno ou participação em programas educacionais não constam no período analisado.

O relatório foi elaborado em cumprimento a determinação de Moraes. No documento, a Polícia Militar afirma que todos os procedimentos seguiram as normas legais, administrativas e operacionais, e destaca que a unidade permanece à disposição da Corte para eventuais esclarecimentos adicionais sobre a custódia do ex-presidente.


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