Água Branca e Lajes: raízes de uma história que floresceu no sertão de Jeremoabo
Falar do povoado de Água Branca e da comunidade de Lajes, em Jeremoabo, é revisitar minha própria juventude, minhas origens e as lições que moldaram meu caráter. Foi ali, entre o cheiro da terra molhada e o cantar dos pássaros ao amanhecer, que aprendi o valor do trabalho, da simplicidade e da dignidade.
Meu saudoso pai, João Isaías Montalvão, era praticante do esporte da caça e da pesca. Ainda adolescente, eu o acompanhava nessas jornadas pelo sertão, hospedando-me na residência da também saudosa Emiliana, figura marcante pela hospitalidade e generosidade. Eram tempos difíceis, mas repletos de significado. Posteriormente, meu pai adquiriu um terreno em Lajes e também uma fazenda, fortalecendo nossos laços com aquela terra abençoada.
Se a memória não me falha, entre os pioneiros plantadores e cultivadores de algodão na região estavam os Ribeiros — Amaro Ribeiro, João Ribeiro e outros desbravadores. Foram homens que, enfrentando sol escaldante e estiagens severas, apostaram na força do braço e na coragem para transformar a paisagem árida em campo produtivo.
Água Branca sempre foi marcada por um povo alegre, honesto e trabalhador. Seus moradores sobreviviam da agricultura primária, cultivando milho, feijão e algodão. Criavam também bovinos, caprinos e ovinos de forma rudimentar, mas com dedicação. Era o suor derramado no roçado que garantia o sustento das famílias e o desenvolvimento da comunidade.
O progresso veio a passos firmes. Hoje, Água Branca produz tomate, banana, melão e uma agricultura diversificada que abastece não apenas Jeremoabo, mas também outros municípios e até estados. A comunidade inicia agora um novo ciclo com a piscicultura, ampliando as oportunidades e demonstrando que o sertanejo não desiste — ele se reinventa.
Não se pode falar do avanço de Água Branca sem reconhecer a contribuição de gestores que ajudaram a pavimentar esse caminho, como os ex-prefeitos José Lourenço e João Ferreira, e o atual prefeito Tista de Deda, que tem demonstrado compromisso com o desenvolvimento rural e a valorização do homem do campo.
Outro ponto que merece destaque é a abundância de água de boa qualidade, garantida por poços artesianos, fator essencial para o crescimento agrícola e a qualidade de vida da população.
Entretanto, é preciso avançar ainda mais. A Secretaria de Agricultura tem papel fundamental nesse novo momento. É necessário ampliar o apoio com maquinários, assistência técnica e políticas públicas que fortaleçam o pequeno produtor. A implantação de uma cooperativa é urgente e estratégica: permitirá organizar a produção, garantir melhores preços, ampliar mercados e fortalecer a economia local.
Água Branca e Lajes não são apenas povoados — são símbolos de resistência, trabalho e superação. São páginas vivas da história de Jeremoabo. Que o passado de luta continue inspirando o presente de progresso, e que o futuro seja ainda mais promissor para esse povo que nunca teve medo de enfrentar o sertão de cabeça erguida.
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* José Montalvão - Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025