sábado, fevereiro 21, 2026

Segurança pública: inteligência é o começo, não o fim

 

Segurança pública: inteligência é o começo, não o fim


Por José Montalvão

Reduzir a criminalidade e enfrentar o tráfico de drogas é uma missão complexa. Não existe solução mágica, nem medida isolada capaz de resolver um problema que envolve fatores sociais, econômicos, institucionais e culturais. O trabalho de inteligência policial é fundamental para atacar o núcleo financeiro e organizacional do crime, mas ele é apenas o primeiro passo na construção de uma política de segurança pública eficaz e duradoura.

A inteligência permite identificar lideranças, mapear rotas, rastrear movimentações financeiras e desarticular redes criminosas antes que o crime aconteça. É a diferença entre agir preventivamente e apenas reagir após o dano. O policiamento orientado por inteligência otimiza recursos, evita ações aleatórias e direciona esforços para onde realmente há risco.

Mas, sozinha, a inteligência não sustenta resultados permanentes.

O primeiro grande desafio é a integração institucional. A cooperação entre Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Federal, Polícia Penal e Guardas Municipais precisa superar rivalidades históricas e falhas de comunicação. Sem troca eficiente de informações, o crime organizado se aproveita das brechas. Segurança pública exige atuação coordenada, com bancos de dados integrados e estratégias conjuntas.

Além disso, segurança não se faz apenas com polícia. A criminalidade nasce também da ausência de oportunidades. Por isso, políticas de saúde, educação, assistência social, cultura e urbanismo são parte da equação. Investir em escolas de qualidade, programas para juventude, tratamento de dependência química e melhoria de espaços urbanos reduz vulnerabilidades e diminui o recrutamento pelo tráfico.

Outro eixo essencial é o investimento contínuo em tecnologia. Ferramentas como análise de dados, sistemas de monitoramento, reconhecimento facial (dentro dos limites legais), rastreamento financeiro e uso de inteligência artificial podem ampliar a capacidade investigativa. Porém, tecnologia exige manutenção, capacitação e controle para evitar abusos.

O policiamento comunitário também é decisivo. Quando a polícia constrói laços de confiança com a população, aumenta o fluxo de informações e fortalece a prevenção. Comunidades que confiam nas forças de segurança colaboram mais, denunciam mais e se sentem protegidas, não intimidadas. Respeito e responsabilidade são pilares dessa relação.

Há ainda um ponto sensível: o sistema prisional e o funcionamento da Justiça. De nada adianta uma investigação bem-feita se não houver condenações eficazes e cumprimento adequado da pena. Presídios não podem servir como centros de comando de facções. É necessário investir em controle interno, bloqueadores de sinal, separação adequada de lideranças criminosas e políticas reais de ressocialização.

A experiência de estados que investiram em inteligência e integração, como São Paulo, mostra que quedas consistentes nos índices criminais estão associadas a planejamento estratégico de longo prazo, uso de dados e atuação coordenada. Mas mesmo nesses casos, os resultados só se mantêm quando há continuidade administrativa e políticas sociais complementares.

Em síntese, a inteligência policial permite agir no momento certo, de forma preventiva e estratégica. Contudo, a efetividade duradoura depende da união entre tecnologia, integração institucional, políticas sociais e fortalecimento do sistema de Justiça. Combater o tráfico e reduzir a criminalidade não é tarefa de um único órgão, nem de um único governo — é um compromisso coletivo e permanente.

Segurança pública se constrói com firmeza, planejamento e responsabilidade. E, acima de tudo, com visão de longo prazo.

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 José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025

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