quarta-feira, fevereiro 18, 2026

A opinião ácida de “especialistas” sobre desfile que homenageou Lula na Sapucaí.

 



A opinião ácida de “especialistas” sobre desfile que homenageou Lula na Sapucaí. 

O DEDO DO LULA E AS DESPESAS FEDERAIS

“Dois ídolos do ódio racista que a direita promoveu no Brasil, Bolsonaro e Moro, usaram o dedo do Lula para expressar seus valores. Bolsonaro imprimiu e difundiu camisetas em que aparece a mão do Lula com quatro dedos, explorando o defeito físico do maior líder popular que o Brasil já teve. Moro, conversando com seus comparsas, se refere ao maior dirigente político que o país tem como “nine”, uma forma depreciativa de mencionar Lula. São duas formas de expressão em que se revelam personalidades desprezíveis, odiosas execráveis, de preconceito e de tentativa de desqualificação de um líder popular, de um operário, de um imigrante nordestino. Coisas que incomodam profundamente à direita brasileira e por isso ela se expressa, através de seus líderes, dessa forma.”  Emir Sader.

Para analisar o texto de Emir Sader ("O Dedo do Lula", especialmente a versão atualizada de 2019) à luz da distribuição das despesas do governo federal brasileiro — com ênfase no "gráfico de pizza" que destaca os pagamentos da dívida pública (juros e amortizações) como a maior fatia, beneficiando bancos e rentistas —, podemos seguir uma abordagem estruturada:

•   Resumo do argumento central de Sader: O texto usa o dedo mindinho perdido por Lula (em acidente de trabalho como operário) como símbolo do preconceito de classe e racial da elite brasileira branca (paulista/sulista). Essa elite, segundo Sader, domina instituições de poder (bancos, mídia, FFAA, empresas) e despreza origens populares, nordestinas e trabalhadoras. Bolsonaro e Moro representam esse ódio ao zombar do "defeito" de Lula, revelando uma ideologia que vê o trabalho manual (e quem o exerce) como inferior.

•   Incorporar os dados econômicos atuais: O "gráfico de pizza" famoso, elaborado pela Auditoria Cidadã da Dívida (baseado em dados oficiais do Painel Orçamentário do governo), inclui não só juros, mas também amortizações/refinanciamento da dívida (rolagem). Isso mostra os recursos destinados ao "Sistema da Dívida" como a maior fatia do orçamento executado. Em 2024 (dados mais detalhados disponíveis), o total pago foi R$ 4,648 trilhões, com: 

•   Juros e Amortizações da Dívida: ~42,96% (R$ 1,997 trilhão) — maior fatia, indo principalmente para bancos e investidores (nacionais e estrangeiros).
•   Previdência Social: ~21,16%.
•   Transferências a Estados/Municípios: ~11,07%.
•   Assistência Social: ~5,99%.
•   Saúde: ~4,16%.
•   Educação: ~2,95%.
•   Outras áreas (defesa, trabalho, etc.) ficam com fatias menores.

Para 2025 (dados preliminares de execução até jan/2026), a tendência se mantém semelhante, com dívida pública batendo recordes (R$ 8,6 trilhões, ~78-79% do PIB) e déficits impulsionados por juros altos.

Conexão entre o texto de Sader e a realidade orçamentária

Perpetuação do poder da elite financeira: Sader descreve a elite branca como dona dos bancos e do poder econômico. Os pagamentos da dívida (juros + rolagem) transferem trilhões dos impostos (pagos majoritariamente pela população trabalhadora) para credores — grande parte bancos privados (Itaú, Bradesco, etc.) e fundos de investimento. Essa "sangria" orçamentária beneficia exatamente a classe rentista que Sader critica: uma minoria privilegiada que não produz, mas acumula via especulação financeira.

Contraste de classe (e racial) simbolizado pelo "dedo do Lula": Lula representa o operário que perdeu o dedo no trabalho produtivo. Enquanto isso, a maior fatia do orçamento vai para rentistas que "ganham sem trabalhar" (juros sobre títulos públicos). Áreas que beneficiam o povo (saúde, educação, assistência — fatias mínimas) são sacrificadas para priorizar os bancos. Isso reforça a desigualdade que Sader denuncia: a elite despreza o trabalhador manual, mas o Estado (via dívida) garante seus privilégios.

Ideologia neoliberal e estrutural: Sader liga isso à escravidão (desqualificação do trabalho e dos negros). Hoje, o "Sistema da Dívida" atua como mecanismo moderno: altas taxas de juros (Selic elevada) enriquecem a elite financeira (majoritariamente branca e sulista), enquanto cortes em investimentos sociais afetam desproporcionalmente pobres, negros e nordestinos — o eleitorado que elegeu Lula.

Crítica ao gráfico oficial vs. cidadão: Fontes oficiais separam "despesas primárias" (previdência como maior) das financeiras (juros ~10-15%). Mas a visão da Auditoria Cidadã (incluindo rolagem) revela o privilégio real da dívida, alinhando-se à tese de Sader de que o poder econômico real está com os credores.

Essa análise revela que o preconceito descrito por Sader não é só simbólico (zombaria ao dedo de Lula), mas estrutural e econômico. A priorização da dívida pública sobre investimentos sociais perpetua o domínio da elite financeira criticada pelo autor, transferindo riqueza do povo (trabalhadores como Lula) para bancos. Uma política de auditoria da dívida ou renegociação de juros poderia reverter isso, alinhando-se ao "orgulho operário" que Sader defende.
Por Luis Celso Dirceu Lula


.

Em destaque

BC decreta liquidação do Banco Pleno, do baiano Augusto Lima, ex-sócio do Master

  BC decreta liquidação do Banco Pleno, do baiano Augusto Lima, ex-sócio do Master Por  Eduardo Rodrigues e Cícero Cotrim/Estadão Conteúdo 1...

Mais visitadas