
Charge de Fred Ozanan (Instagram)
Míriam Leitão
O Globo
O mercado está dividido em relação à instalação de uma CPI para investigar o caso do Banco Master. De um lado, há os que avaliam que seria positivo trazer todos os fatos à tona de uma vez, separar o joio do trigo. De outro, estão os que temem que o uso político da comissão gere ainda mais instabilidade e acabe prejudicando os negócios.
Há, sobretudo, o receio de que a CPI produza algum tipo de direcionamento que enfraqueça a independência do Banco Central e da política monetária — cenário considerado o mais negativo possível. Por enquanto, ninguém quer se manifestar abertamente, por se tratar de um tema sensível. Um analista de mercado afirma que existe uma certa “curiosidade” sobre até que ponto a CPI poderia ser positiva ou negativa. Uma depuração do sistema, diz ele, é sempre bem-vinda.
“PRODUTEIROS” – Outra fonte, de uma corretora, avalia que o sistema financeiro poderia até sair fortalecido de uma investigação aprofundada, ao diferenciar os chamados “produteiros” — como são conhecidos no mercado os assessores focados apenas na rentabilidade dos papéis, sobretudo em benefício próprio — daqueles que efetivamente trabalham com foco no cliente, analisando não apenas a taxa de retorno, mas também o risco do negócio. No caso do Master, lembra a fonte, o banco chegou a pagar o dobro da comissão a quem recomendava seus produtos.
Um terceiro analista afirma que quem age de boa-fé e com bom senso não pode ser contra a investigação do caso. O problema, ressalta, é que muitas vezes os fatos não são esclarecidos em CPIs, que acabam se transformando em arenas de disputa política. Na avaliação dele, o mercado já começa a precificar esse desgaste, o que pode ser observado em uma leve alta dos juros futuros à medida que a discussão se intensifica.