quinta-feira, fevereiro 12, 2026

“Operação Abafa” do caso Master tem vida curta e acaba depois do Carnaval

Os segredos da Suíte Master. Charge de João Spacca para a newsletter desta segunda-feira (9). #meio #charge #bancomaster #vorcaro

Charge do Spacca (Arquivo Google)

Carlos Newton

O governo Lula e importantes figuras do Supremo e do próprio Legislativo, como o senador Davi Alcolumbre (União/AP), presidente do Congresso, organizaram uma “Operação Abafa”, para impedir que a CPI do Crime Organizado venha a investigar o escândalo do Banco Master e suas ligações com os três Poderes.

Alcolumbre faz o pode, expondo-se ao máximo ao sentar em cima do pedido de formação de uma CPI específica para  o caso Master, mas não tem como evitar o andamento dos trabalhos da CPI do Crime Organizado, que já colocou na alça de mira os dois irmãos e o primo do ministro Dias Toffoli, que eram donos de um terço do resort Tayayá, na divisa do Paraná com São Paulo.

MURALHA – A dificuldade maior de Alcolumbre é que a CPI do Crime Organizada está sendo conduzida por três senadores com total independência político-partidária. A comissão é presidida por Fabiano Contarato (PT-ES), delegado de Polícia aposentado; tem como vice-presidente o general da reserva Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e o relator é Alessandro Vieira (MDB-SE), delegado de Polícia licenciado.

Depois do Carnaval, será realizada a mais importante sessão da CPI, que vai decidir a convocação dos primeiros depoentes do caso Master: os irmãos José Eugênio e José Carlos Toffoli, que foram proprietários do resort Tayayá, e Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

Como sabe, os irmãos de Toffoli venderam suas participações no resort ao pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro fraudador Daniel Vorcaro. O piedoso missionário Zettel é alvo da Polícia Federal nas investigações sobre o Master, chegou a ser preso em dezembro e está usando tornozeleira eletrônica. Já a esposa de Moraes será ouvida sobre o contrato de R$ 129,6 milhões com o Master.

ALCOLUMBRE SE VIRA – No desespero para evitar que a CPI do Master seja formada e também para impedir o andamento da CPI do Crime Organizado, o presidente Davi Alcolumbre liberou o comparecimento dos senadores desde a volta do recesso, a pretexto de que as Comissões se reunissem no formato semipresencial. Por isso, o senador Fabiano Contarato nem tentou convocar a sessão da CPI, que somente vai apreciar os requerimentos após o Carnaval.

O relator Alessandro Vieira quer ouvir também Mario Umberto Degani, conhecido como Beto Degani, primo do ministro Dias Toffoli, que é proprietário de um outro empreendimento de luxo vizinho ao resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR).

Para evitar surpresas (que não serão evitadas), a direção do PT colocou na CPI o líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e o líder do partido no Senado, Rogério Carvalho (PT-SE). Mas o presidente da comissão, Fabiano Contarato, e o senador Randolfe Rodrigues não são petistas-raiz e se comportam como parlamentares independentes.

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P.S.
 – É ilusão pensar que Alcolumbre consegue manter a situação está sob controle para Toffoli e Moraes poderem brincar a Carnaval sossegados. Quando vier a quarta-feira de cinzas, os dois ministros terão de cair na real, porque o resto do ano será marcado por cacetadas diárias na cacunda deles. Portanto, comprem bastante pipocas. (C.N.)

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