domingo, fevereiro 08, 2026

Decisão irresponsável de Fux prolonga liberação de apostas com Bolsa Família

Nota da Redação deste Blog - 

EDITORIAL: A mordaça geográfica e o direito sagrado à crítica


Por José Montalvão

O papel de um blog de notícias, em sua essência, é ser o cão de guarda da sociedade. No entanto, vivemos em um Brasil onde o direito à indignação parece variar conforme o código de área do telefone. Enquanto em Brasília a grande imprensa utiliza termos como "irresponsável" para classificar decisões de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) — como no recente episódio em que o ministro Luiz Fux adiou a suspensão do uso do Bolsa Família em apostas eletrônicas —, no interior do país, a realidade é outra.

Em cidades como a nossa Jeremoabo, o exercício da liberdade de imprensa enfrenta uma barreira invisível, mas pesada: a mordaça judicial.

Se este blog utilizasse a mesma contundência permitida aos grandes portais da capital para apontar o dedo a um servidor do judiciário ou a um detentor de cargo público local, o desfecho seria previsível. Em vez do debate democrático, veríamos a força do Estado sendo usada para calar o mensageiro. Ordens judiciais para retirada de textos, multas desproporcionais que visam a asfixia financeira do veículo e processos criminais tornaram-se o "manual de redação" imposto aos comunicadores regionais.

O Servidor Público e o Escrutínio Popular

É preciso que se diga com clareza: o servidor público, do oficial de justiça ao ministro, do prefeito ao secretário, é um agente pago pelo povo. Como tal, seus atos não são privados; são públicos. A crítica à sua atuação não é uma ofensa à sua honra pessoal, mas um julgamento de sua eficiência e moralidade no cargo que ocupa.

Quando a Justiça é acionada para silenciar críticas sobre "penduricalhos", abusos de poder ou ineficiências administrativas, ela não está protegendo o Direito; está protegendo o privilégio. É justamente esse comportamento que explica por que a confiança do brasileiro no Poder Judiciário é, frequentemente, tão sofrível. O cidadão vê na televisão o questionamento livre em Brasília, mas sente na pele a censura em sua própria terra.

A Nossa Linha Editorial: Independência não é Negociável

Este Blog do Montalvão reafirma hoje seu compromisso com a verdade, custe o que custar. A liberdade de expressão não é um presente dado pelo Estado; é um direito natural garantido pela Constituição que não pode ter "donos" ou "castas". Se um ato em Jacarta ou em Brasília pode ser passado pelo crivo da análise crítica, um ato no fórum ou na prefeitura de Jeremoabo também deve ser.

A justiça deve ser cega para não olhar a quem julga, mas nunca deve ser surda para a voz da sociedade que clama por transparência.

Conclusão

Não aceitaremos a mordaça. O jornalismo de interior é o último refúgio da cidadania onde as instituições falham. Modernizar a gestão, como temos defendido, exige também modernizar a mentalidade de quem julga: aceitar a crítica é o primeiro passo para uma democracia de fato, onde ninguém — absolutamente ninguém — está acima do bem e do mal.

 José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025


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