Fica explicado por que há tanta disputa para “ganhar” cargo de ministro no STF
Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)
Roberto Nascimento
Se um ministro do Supremo Tribunal Federal, um desembargador ou um juiz singular – enfim, um togado qualquer – tem fazenda, resort de luxo, é acionista de banco ou grande empresa, por que razão luta tanto para se tornar magistrado ou operador do Direito?
É uma pergunta sem resposta lógica, salvo irresistível vocação, o que representaria uma exceção infinitesimal. Assim, a nação ficou estupefata diante dos argumentos pueris, singelos e desprovidos de razoabilidade, defendidos por Alexandre de Moraes e Dias Toffoli na sessão plenária do Supremo na última quarta-feira.
PIOR A EMENDA – Seria bem melhor se permanecessem calados, pois o ditado ensina que a emenda pode ficar pior do que o soneto.
No início, até custei a acreditar nas afirmações dos dois magistrados, mas conferi a transcrição e minha decepção foi definitiva.
Por que lutam tanto para se tornarem ministros do STF e depois vem com essa choradeira chata, reclamona, de que não podem receber dividendos, não podem participar de palestras patrocinadas por empresários com processos para serem julgados pela Suprema Corte.
NUMA BOLHA? – Ora, se acham que não podem ser fazendeiros, empresários nem banqueiros, que se encontram numa bolha, porque desejaram tanto a entrada no STF. Por que então, não pedem para sair, como Barroso fez e tem dado palestras na Sorbonne, livre, leve e solto?
O pior foi que ainda tivemos que assistir ao Dias Toffoli fazer gracinha. Não combina com a carranca habitual dele.
Enquanto isso, o STF sangra com a imagem arranhada na opinião pública. A meu ver, somente Edson Fackin e Carmem Lúcia lutam pelo Código de Conduta, que ao final e ao cabo, não vai servir para nada.
SIGILO ABUSIVO – E a transparência dos processos judiciais? Foi jogada no lixo. O sigilo está falando mais alto.
É urgente a quebra do sigilo bancário e fiscal do caso Master, inclusive do presidente e dos diretores do Banco Central, que estão proibidos de conceder entrevista e até falarem sobre todos os atos que dizem respeito à liquidação extrajudicial do grupo financeiro.
Mas existe um problema. Quem vai colocar o guizo nos gatos (ou gatunos), que hoje habitam o templo de nossa Justiça? Nenhum Código de Ética será capaz de restituir o que se perdeu.