segunda-feira, fevereiro 09, 2026

Opinião: Otto vence a batalha contra Coronel no PSD, mas Kassab é quem pode ditar o fim da guerra

 

Opinião: Otto vence a batalha contra Coronel no PSD, mas Kassab é quem pode ditar o fim da guerra
Foto: Reprodução/ Muita Informação

A batalha final do PSD da Bahia parece ter acontecido ao longo da última semana entre o senador Otto Alencar, que preside a sigla, e o ex-aliado Angelo Coronel. No entanto, há quem diga que os fatos subsequentes à filiação de Ronaldo Caiado ao PSD, com o aval de Gilberto Kassab, foram somente uma parte da guerra declarada entre os socialdemocratas – seja no plano estadual, seja no plano federal.

 

Diferente da postura adotada até 2022, quando o PSD funcionava como uma espécie de apêndice de outras legendas, Kassab abriu uma ofensiva ao longo do atual ciclo eleitoral como pouco se viu. O partido, que representa o limite do centro, com um pé em cada governo, independente de quem esteja governando. Seja sob a égide de Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro ou Luiz Inácio Lula da Silva, sempre houve alguém ligado ao PSD no governo, mostrando o quão camaleônico Kassab e a legenda podem ser. Pelo menos, foi assim até agora.

 

A sigla saiu das urnas em 2022 com dois governadores: Ratinho Jr. (Paraná) e Fábio Mitidieri (Sergipe). Aproveitou a fragilidade do PSDB e herdou mais dois, Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Raquel Lyra (Pernambuco). As filiações dos governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, e de Rondônia, Marcos Rocha, completam a atual lista de chefes de Executivo socialdemocrata, evidenciando uma ofensiva até então não vista sob as asas de Kassab. Metade desses governadores são potenciais candidatos à presidência: Ratinho Jr., Eduardo Leite e Ronaldo Caiado.

 

É nesse cenário que o PSD da Bahia vai acabar entrincheirado. É improvável que, com um palanque nacional, a Bahia fique sem permitir a formação de um palanque local para o candidato à presidência. Ainda que Otto Alencar tenha repetido publicamente, em diversas oportunidades, que o PSD daqui é Lula até o fim. Nos bastidores, todavia, há leituras de que não é tão simples quanto Otto tenta pregar. Por isso há a aposta de que a batalha pode ter sido vencida por ele, mas não a guerra eleitoral.

 

Fontes do próprio PSD indicam que a candidatura à reeleição de Angelo Coronel foi rifada a contragosto dos filiados. Otto garantiu o apoio a reeleição de Jerônimo Rodrigues, independente do correligionário estar na chapa majoritária. Por isso, a pecha de traidor começa a circular, especialmente no interior do estado. O movimento de Coronel, de encontrar com Kassab após a filiação de Caiado, foi escolhido então para um revés: de traidor, Otto passa a ser o traído, justificando o empurrão do compadre para a oposição.

 

Obviamente, para o PT e o entorno de Jerônimo, o momento foi icônico, já que a briga interna do PSD justificaria integralmente a chapa puro-sangue desejada, com Jaques Wagner e Rui Costa como candidatos ao Senado. Juntaram a fome com a vontade de comer e o resultado é o retrato vivido ao longo dos últimos dias.

 

Otto fez questão de cobrar de aliados declarações públicas de apoio. Entre eles, alguns dos insatisfeitos com o fato do dirigente ter escanteado Coronel, mas que sabem dos riscos de discordar do presidente do PSD. Publicamente, somente sorrisos. Nos bastidores, a tensão implícita, exposta com vídeos “espontâneos” de visitas e relatos de aliança inquebrantável.

 

Só que a ambição nacional do PSD de Kassab pode criar mais um revés nesse processo. Com a possibilidade de uma candidatura de centro-direita viável – e a chance, ainda que remota, de ACM Neto migrar para a legenda -, manter a postura de independência e liberdade de Otto na Bahia é não saber separar os fios de bigode que tenham sido alinhados entre os envolvidos. Entre ver o partido crescer expressivamente com candidatos ao Planalto, aos governos (incluindo Minas Gerais, cujo vice de Romeu Zema deve tentar sucedê-lo pelo PSD), e bancadas relevantes na Câmara e no Senado, bancar o alinhamento automático com o PT baiano vale a pena? Nem Otto, nem Coronel, muito menos o PT da Bahia, podem responder. Com a palavra, Gilberto Kassab, a iminência parda da República...

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