terça-feira, fevereiro 17, 2026

Entre o Samba e a Política: A Polêmica e o Triunfo da Homenagem a Lula na Sapucaí


Nota da Redação  Deste Blog = O desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí entrou para a história não apenas pelo espetáculo visual, mas pelo debate político que o antecedeu. Antes mesmo do primeiro surdo ecoar na avenida, a homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva já era alvo de ações judiciais e críticas da oposição, que tentaram caracterizar o enredo como propaganda eleitoral antecipada.

As tentativas de impedir o desfile não prosperaram na Justiça. Ainda assim, o assunto ganhou destaque na transmissão da TV Globo, que surpreendeu ao abrir espaço para um boletim ao vivo detalhando as controvérsias jurídicas. O repórter dedicou mais de três minutos à explicação das ações e da discussão sobre repasses públicos — tempo incomum para entradas ao vivo em meio ao ritmo acelerado do Carnaval. O padrão tradicional da emissora costuma deixar polêmicas em segundo plano, comentadas brevemente pelos apresentadores, sem interromper o espetáculo.

A decisão editorial gerou críticas. Parte do público acusou a emissora de “esconder” o início do desfile da Acadêmicos de Niterói, primeira escola a entrar na avenida naquela noite, ao não transmitir os primeiros momentos da apresentação. Para muitos, o gesto foi interpretado como uma tentativa de reduzir o impacto simbólico de uma homenagem que exalta a trajetória de um presidente em exercício.

O debate ultrapassou as fronteiras nacionais. A agência internacional Associated Press relembrou outras ocasiões em que Lula foi tema de enredos carnavalescos, destacando que o desfile poderia fortalecer sua imagem pública, mas também reacender discussões jurídicas e políticas. De fato, a história registra precedentes: em 2003, a Beija-Flor de Nilópolis levou à avenida uma representação simbólica do combate à fome, associada ao início do primeiro mandato do petista. Em 2012, a Gaviões da Fiel também fez referência ao líder político em seu desfile.

O episódio revela algo maior do que uma disputa judicial ou uma divergência editorial. O Carnaval, maior manifestação cultural popular do país, sempre dialogou com a política, com a história e com os personagens que marcam o imaginário nacional. Tentar silenciar esse diálogo é desconhecer a essência da festa. A avenida é espaço de crítica, de exaltação e de memória.

No fim das contas, o que prevaleceu foi o espetáculo. Segundo relatos, o público nas arquibancadas reagiu com entusiasmo, aplaudindo e cantando junto. Independentemente das posições ideológicas, o desfile mostrou que cultura e política, no Brasil, caminham lado a lado — e que a tentativa de impedir manifestações artísticas costuma produzir o efeito contrário: amplia o debate e reforça a visibilidade do que se pretendia conter.

Se há algo que a Sapucaí ensina todos os anos é que o samba não se curva facilmente às pressões. Ele ecoa, resiste e transforma a avenida em palco da história viva do país.(Por José Montalvão)

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