Publicado em 20 de fevereiro de 2026 por Tribuna da Internet

Alexandre de Moraes acolheu parecer da PGR
Fernanda Vivas
G1
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou um inquérito que apurava se a ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) tentou obstruir, com a fuga do Brasil, o processo penal sobre a invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que resultou na sua condenação. Zambelli foi condenada por unanimidade pelo próprio Supremo a 10 anos de prisão por envolvimento no episódio.
Segundo as investigações, ela atuou em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto para inserir documentos falsos na base de dados do CNJ, incluindo um suposto mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. Ao arquivar o inquérito, Moraes acolheu um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que não viu elementos para iniciar mais um processo criminal contra Zambelli.
FUGA DO BRASIL – Em maio de 2025, Carla Zambelli foi condenada por unanimidade pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão em regime fechado. Cerca de 20 dias após a decisão, a parlamentar deixou o Brasil por via terrestre através da fronteira com a Argentina e seguiu para os Estados Unidos, alegando posteriormente que buscaria tratamento médico na Europa.
A saída foi classificada por ministros do STF como um movimento de fuga, o que levou o ministro Alexandre de Moraes a decretar sua prisão preventiva e incluir seu nome na lista de difusão vermelha da Interpol. Ela foi presa na Itália em julho de 2025.
RENÚNCIA – A situação gerou um impasse entre os Poderes. Em dezembro de 2025, o plenário da Câmara dos Deputados chegou a votar contra a cassação do mandato de Zambelli – foram 227 votos a favor da perda, abaixo dos 257 necessários. No entanto, o ministro Alexandre de Moraes anulou a votação da Câmara, declarando-a inconstitucional por entender que a perda do mandato é automática em casos de condenação criminal transitada em julgado com pena superior a quatro anos.
Diante da pressão e para evitar maior desgaste institucional, Carla Zambelli oficializou sua renúncia ao mandato de deputada federal em 14 de dezembro de 2025, através de uma carta enviada à Mesa Diretora. Com isso, o suplente Adilson Barroso (PL) assumiu a vaga.
EXTRADIÇÃO – Atualmente, Carla Zambelli encontra-se presa na Itália, na penitenciária feminina de Rebibbia, nos arredores de Roma. O governo brasileiro já formalizou o pedido de extradição, que está em análise pela Justiça italiana.
Em audiências realizadas em fevereiro de 2026, a defesa da ex-parlamentar tentou trocar os juízes responsáveis pelo caso, alegando falta de imparcialidade, mas o pedido foi rejeitado. A Justiça da Itália decidiu mantê-la presa durante o julgamento do processo de extradição por entender que ainda há risco de nova fuga.
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