Visita a Otto Alencar reacende especulações sobre eventual desembarque de Mário Negromonte Júnior no PSD
Por Política Livre
20/02/2026 às 19:05
Atualizado em 20/02/2026 às 22:02
Foto: Reprodução/Instagram
Mário Negromonte Jr. publicou foto ao lado de Otto e do ex-deputado federal Mário Negromonte, seu pai
A visita do deputado federal Mário Negromonte Júnior (PP) ao senador Otto Alencar (PSD), registrada nas redes sociais, movimentou os bastidores da política baiana e reacendeu especulações sobre uma possível mudança partidária. No Instagram, Mário publicou foto ao lado de Otto e do ex-deputado federal Mário Negromonte, seu pai, destacando que foi “visitar o amigo senador depois da sua cirurgia” e desejando saúde ao presidente estadual do PSD.
Otto, que recentemente passou por um procedimento cirúrgico no coração, respondeu nos comentários agradecendo o gesto: “Fico muito agradecido pelo carinho e pela visita”.
A interação pública entre eles foi interpretada no contexto das articulações pré-eleitorais deste ano, em meio a rumores de que Mário Júnior poderia se filiar ao PSD.
Atual comandante do PP na Bahia, Mário deve buscar um novo abrigo partidário, já que a legenda firmou federação com o União Brasil e, por consequência, apoiará a candidatura de ACM Neto (União Brasil) ao governo do Estado.
A permanência do cacique pepista na base governista é associada à expectativa em torno da escolha do novo conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA). A esposa do deputado, Camila Vasquez Gomes Negromonte, do Ministério Público de Contas (MPC), integra a lista tríplice encaminhada ao governador Jerônimo Rodrigues (PT), que deverá indicar o nome para a vaga aberta com a saída de Mário Negromonte, pai do parlamentar.
Nota da Redação Deste Blog - Na política, há dois tipos de atores: os que pensam estrategicamente e os que apenas reagem emocionalmente. Estes últimos, muitas vezes, são os chamados “aculturados” politicamente — não no sentido de falta de inteligência, mas de falta de compreensão sobre como o jogo realmente funciona. Tornam-se massa de manobra, bucha de canhão em disputas que não lhes pertencem.
Enquanto brigam com amigos, rompem com familiares e até cometem excessos em nome de políticos, continuam anônimos. Só são lembrados na hora do voto. Depois, voltam ao esquecimento. Já os caciques seguem firmes nas mordomias, transitando entre partidos, alianças e cargos com a leveza de quem joga xadrez com peças previamente combinadas.
O episódio recente envolvendo o senador Otto Alencar e o deputado federal Mário Negromonte Júnior é um retrato claro dessa lógica. Uma visita “cordial”, registrada nas redes sociais, reacendeu especulações sobre eventual mudança partidária. Oficialmente, o gesto foi de solidariedade após a cirurgia do senador. Politicamente, porém, o movimento foi lido como articulação pré-eleitoral.
Negromonte Júnior, atual dirigente do PP na Bahia, vê seu partido federado com o União Brasil, que deve apoiar outro projeto estadual. Diante disso, aproxima-se do PSD de Otto. Até aqui, nada de ilegal. Política é também construção de alianças. O problema não está na articulação — está na narrativa vendida à base.
O eleitor apaixonado acredita em fidelidade ideológica quase religiosa. Defende bandeiras como se fossem dogmas. Já os líderes, quando convém, atravessam pontes sem constrangimento. Dane-se o discurso de ontem, dane-se a convicção partidária. O que vale é a sobrevivência política.
O caso ganha contornos ainda mais emblemáticos quando entra em cena a expectativa pela escolha do novo conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA). A esposa do deputado integra a lista tríplice encaminhada ao governador Jerônimo Rodrigues. Coincidência? Pode ser. Estratégia? Também pode ser. Na política, quase nada é ingênuo.
Enquanto isso, o militante de rede social segue atacando adversários, compartilhando memes e acreditando que trava batalhas épicas. Não percebe que, no topo da pirâmide, o diálogo raramente é interrompido. Adversários públicos muitas vezes mantêm portas abertas nos bastidores.
O velho princípio do “primeiro eu, segundo eu, terceiro eu — e se sobrar algo para os outros” continua atual. O chamado “metal vil” fala alto. Cargos, espaços institucionais, influência e proteção pesam mais que discursos inflamados.
Isso não significa que toda política seja fisiologismo ou interesse pessoal. Existem homens e mulheres públicos comprometidos com causas reais. Mas é ingenuidade negar que, para muitos caciques, o eleitor é instrumento — não prioridade permanente.
Talvez o maior erro do cidadão seja personalizar excessivamente a política. Transformar líderes em ídolos intocáveis ou inimigos absolutos. Política é estrutura de poder, não torcida organizada. Quem briga na base por paixão cega geralmente não participa da divisão do bolo.
O eleitor consciente precisa compreender isso: alianças mudam, partidos se reorganizam, interesses se reacomodam. Quem não entende o jogo acaba jogado por ele.
No fim das contas, depois da eleição, muitos daqueles que brigaram por políticos voltam à vida comum. Já os caciques seguem articulando, visitando, sorrindo para fotos e preparando o próximo movimento.
E o eleitor? Se não aprender a ler o tabuleiro, continuará apenas peça — nunca jogador.
* BlogDedeMontalvao: Onde a verdade não tem mordaça.
* José Montalvão - Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025