Foto Divulgaçao
A VERDADE QUE PRECISA SER DITA SOBRE O CEMITÉRIO DE JEREMOABO
Por José Montalvão
Caros leitores,
Em tudo na vida, a verdade deve prevalecer. E é justamente em nome da verdade — ainda que tardia — que escrevo este editorial para reconhecer um equívoco que, por décadas, muitos de nós cometemos: criticar injustamente os prefeitos de Jeremoabo pela falta de limpeza e manutenção do cemitério local.
A bem da verdade, é preciso deixar claro: a Prefeitura não tem obrigação legal de realizar a manutenção interna de um cemitério pertencente à Igreja Católica. Trata-se de propriedade privada da instituição religiosa. Cemitérios administrados por paróquias, dioceses ou irmandades são bens particulares da Igreja, cabendo a ela a responsabilidade pela conservação, limpeza, segurança e gestão das sepulturas.
À família do falecido compete a manutenção do túmulo. Ao Município, cabe apenas a fiscalização sanitária e a limpeza das vias públicas no entorno — não da área interna de um cemitério privado.
Portanto, é justo corrigir essa distorção histórica. Durante anos, prefeitos foram acusados por algo que, juridicamente, não lhes competia.
Contudo, a verdade precisa ser dita por completo.
Se por um lado a Prefeitura não é responsável pela manutenção interna, por outro lado há, sim, responsabilidade política e administrativa quando se permite, de forma questionável, a construção irregular em área estratégica destinada à ampliação de um cemitério já defasado e insuficiente para atender à população.
É público e notório que, na gestão do ex-prefeito conhecido como Deri do Paloma, foi autorizada a construção de uma nova capela no terreno em frente ao cemitério — área que poderia e deveria ter sido preservada para a expansão do campo santo. O máximo que se poderia admitir seria o alargamento ou melhoria da capela já existente, e não a edificação de uma nova estrutura que compromete a possibilidade de ampliação futura.
A decisão prejudicou toda a comunidade.
Mais grave ainda foi a postura das autoridades que tinham o dever de fiscalizar. Fecharam os olhos. Permaneceram cegas, surdas e mudas diante de uma situação que exigia responsabilidade e visão de longo prazo.
Não se trata de atacar fé ou instituição religiosa. Trata-se de planejamento urbano, respeito à coletividade e responsabilidade administrativa. O crescimento populacional é uma realidade. A insuficiência do espaço do cemitério é um fato. E decisões equivocadas cobram seu preço com o tempo.
A verdade, quando inteira, não protege nem acusa seletivamente — ela esclarece.
Que este editorial sirva não apenas para corrigir uma injustiça cometida contra gestores passados no que se refere à manutenção, mas também para reafirmar que o interesse público deve sempre prevalecer sobre decisões apressadas ou mal fundamentadas.
Em tudo na vida, a verdade deve prevalecer.
E quando ela prevalece, a consciência se tranquiliza.
* BlogDedeMontalvao: Onde a verdade não tem mordaça.
* José Montalvão - Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025
