quarta-feira, fevereiro 25, 2026

A Verdade como Fundamento da Nova Jornada Legislativa em Jeremoabo

 

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A Verdade como Fundamento da Nova Jornada Legislativa em Jeremoabo


Por José Montalvão

Na abertura da primeira sessão ordinária do primeiro período legislativo, realizada em 24 de fevereiro de 2024, a Câmara Municipal de Jeremoabo viveu um momento que foi além do rito formal. Sob a presidência de Neguinho de Lié, os trabalhos foram iniciados com um gesto simbólico e significativo: a palavra foi concedida ao Padre Neto, que, com serenidade e firmeza, falou sobre um tema essencial para a vida pública — a Verdade.

O sacerdote foi direto ao ponto. Exortou os vereadores a deixarem de lado as “cigas” partidárias, as disputas menores e os interesses pessoais, para que o bem do município prevaleça. Não se trata apenas de um apelo moral, mas de um chamado à responsabilidade histórica. Quando a política se distancia da verdade, o povo paga o preço.

Falar com profundidade sobre a verdade exige ir além do senso comum de simplesmente “dizer o que aconteceu”. A verdade é um dos grandes temas da filosofia, da teologia e da ciência. Ela representa a busca humana por correspondência entre o pensamento e a realidade, ou, mais profundamente, por um horizonte de sentido que dê coerência às ações humanas.

A Verdade como Correspondência

A definição clássica da verdade, formulada por Aristóteles e posteriormente desenvolvida por Tomás de Aquino, afirma que a verdade é a adequação do intelecto à coisa (adaequatio rei et intellectus). Algo é verdadeiro quando o que pensamos ou dizemos corresponde à realidade objetiva.

Na tradição grega, a palavra Aletheia significa “o não-oculto”, o “não-escondido”. Verdade é, portanto, aquilo que se revela, que se desvela. Na política, isso significa transparência. Significa governar e legislar à luz dos fatos, sem dissimulação, sem maquiagem dos números, sem manipulação do discurso.

Verdade e Perspectiva

No entanto, pensadores como Friedrich Nietzsche questionaram a ideia de uma verdade absoluta e imutável. Para ele, a verdade seria um “exército de metáforas”, construções históricas e linguísticas que aceitamos por conveniência. Não haveria fatos, apenas interpretações.

Essa visão nos convida à prudência: reconhecer que todo ser humano enxerga a realidade a partir de um ponto de vista. Porém, também nos alerta para o perigo do relativismo extremo. Se tudo é relativo, inclusive a própria afirmação de que “tudo é relativo”, caímos em um paradoxo. A sociedade precisa de referências sólidas para não se perder na confusão moral.

Verdade Absoluta ou Relativa?

O debate filosófico permanece atual: existe uma verdade universal ou tudo depende do observador? No campo científico, certos fatos são independentes da opinião — leis físicas, dados concretos, evidências verificáveis. Já no campo cultural, há interpretações variadas.

Para o legislador, essa distinção é crucial. Opiniões podem divergir, mas fatos não devem ser manipulados. A responsabilidade do vereador é fiscalizar com base na realidade, não em narrativas convenientes.

A Verdade na Vida Pública

Falar a verdade tem um custo. Muitas vezes ela confronta interesses, desagrada aliados e expõe erros. Contudo, é a mentira que constrói realidades artificiais e destrutivas. A mentira gera desconfiança, rompe laços e corrói instituições.

A verdade, ao contrário, é libertadora. Ela fortalece a credibilidade, constrói confiança e sustenta relacionamentos políticos e sociais baseados no respeito. “Ser de verdade” é agir com autenticidade, independentemente de pressões ou conveniências.

A Dimensão Espiritual e o Poder

Na tradição cristã, a verdade não é apenas um conceito abstrato, mas um princípio moral absoluto. E, como analisou Michel Foucault, também pode se tornar instrumento de poder. Existem “regimes de verdade”, estruturas que determinam o que pode ou não ser considerado aceitável em determinada época.

Por isso, o compromisso com a verdade exige vigilância constante. Não basta proclamá-la; é preciso praticá-la.

A Palavra ao Delegado e aos Vereadores

Na mesma sessão, foi concedida a palavra ao novo delegado de Polícia, reforçando a importância da integração entre os poderes e instituições para a manutenção da ordem, da justiça e da segurança pública. A fala dos vereadores também marcou o início de um ciclo que se espera pautado pela responsabilidade, pelo diálogo e pela transparência.

A sessão de abertura, portanto, não foi apenas o começo formal de um período legislativo. Foi um convite à reflexão. Se os parlamentares assumirem a verdade como princípio orientador — acima das disputas partidárias — Jeremoabo poderá trilhar um caminho de maturidade política e respeito ao cidadão.

A verdade não é apenas um conceito filosófico. É uma prática diária. E quando ela orienta o Legislativo, fortalece a democracia e honra o povo que confiou seu voto aos seus representantes.

BlogDedeMontalvao: Onde a verdade não tem mordaça.

 José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025

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