Por José Montalvão
A oposição brasileira parece cada vez mais incomodada com o protagonismo internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto setores adversários tentam reduzir o debate político a disputas ideológicas internas, Lula intensifica sua agenda externa e amplia parcerias estratégicas que podem gerar impactos concretos na economia nacional.
Após uma visita considerada produtiva à Indonésia, onde reforçou laços comerciais e diplomáticos com uma das maiores economias do Sudeste Asiático, o presidente seguiu para a Coreia do Sul, país referência mundial em tecnologia e inovação. O foco da agenda é claro: atrair investimentos e firmar acordos nas áreas de semicondutores, fármacos, inteligência artificial e transição energética.
Não se trata apenas de diplomacia protocolar. A indústria de semicondutores, por exemplo, é estratégica para o século XXI. Chips estão presentes em praticamente tudo: celulares, automóveis, equipamentos hospitalares, sistemas de defesa e infraestrutura digital. Ao buscar cooperação com a Coreia do Sul — potência global nesse setor — o Brasil tenta reduzir sua dependência externa e abrir espaço para desenvolvimento tecnológico interno.
Na área de fármacos, o fortalecimento de parcerias pode significar mais autonomia produtiva, geração de empregos qualificados e avanço científico. Já em inteligência artificial, o intercâmbio tecnológico é fundamental para que o Brasil não fique à margem da nova revolução digital. E, na transição energética, o país já é protagonista global graças à sua matriz relativamente limpa — podendo ampliar ainda mais esse papel com cooperação internacional.
O incômodo da oposição decorre, em parte, do contraste: enquanto o governo investe em relações multilaterais e diversificação de parceiros comerciais, os críticos tentam manter a narrativa de isolamento ou ineficiência. No entanto, os números do comércio exterior e o interesse crescente de investidores estrangeiros indicam que o Brasil voltou ao radar estratégico de grandes economias.
A política externa ativa não é uma agenda partidária; é uma estratégia de Estado. O Brasil é grande demais para se fechar em disputas internas enquanto o mundo se reorganiza em blocos econômicos e cadeias produtivas mais integradas. Estabelecer pontes com Ásia, Europa, África e América Latina é ampliar mercados para o agronegócio, para a indústria e para os serviços brasileiros.
Lula demonstra que o papel de um presidente não se limita às fronteiras nacionais. Governar também é negociar, articular e posicionar o país em setores-chave do futuro. Enquanto isso, a oposição se vê diante de um desafio: criticar viagens produtivas que trazem acordos e investimentos pode soar como resistência ao próprio desenvolvimento nacional.
No cenário internacional, o Brasil volta a falar de igual para igual. E isso, inevitavelmente, altera o jogo político interno.
Nota da Redação Deste Blog - Como observação final, vale destacar que o exemplo de articulação política não se restringe ao cenário nacional.