quarta-feira, fevereiro 25, 2026

Estrada, coerência e responsabilidade: menos politicagem, mais razão

 

Estrada, coerência e responsabilidade: menos politicagem, mais razão


Por José Montalvão

Nos últimos dias, voltou ao debate público a situação de uma estrada vicinal em Jeremoabo, especialmente no trecho que passa em frente à propriedade de um cidadão que se apresenta como advogado e pecuarista. O questionamento é simples e legítimo: até que ponto a crítica é técnica e até que ponto é política?

É importante lembrar que esse mesmo cidadão passou todo o mandato do ex-prefeito Deri do Paloma defendendo a gestão nas emissoras de rádio locais, elogiando ações e afirmando fazer parte do grupo político do então governo. Durante aqueles anos, a estrada já apresentava problemas estruturais. A pergunta que não quer calar é: por que não foi feita, naquele período, uma manutenção consistente e duradoura, sem “prazo de validade”?

Agora, atribuir a deterioração da via exclusivamente à gestão do prefeito Tista de Deda soa, no mínimo, desproporcional. Estradas vicinais sofrem desgaste natural, sobretudo em períodos de chuvas intensas. Transferir para o prefeito a responsabilidade pelas chuvas abundantes seria o mesmo que responsabilizá-lo pelos fenômenos da natureza. Crítica é legítima; exagero, não.

Há ainda outro ponto que precisa ser colocado com serenidade. Estamos falando de um cidadão que é advogado e pecuarista, portanto alguém que, em tese, possui condições estruturais e financeiras de colaborar — inclusive promovendo intervenções emergenciais no trecho que margeia sua própria propriedade, se assim entender necessário. Nada impede que, além de cobrar do poder público, também contribua com soluções práticas.

A gestão municipal, por sua vez, tem adotado um critério que parece razoável: priorizar os agricultores familiares, aqueles que dependem exclusivamente da produção da roça para sustentar suas famílias. São trabalhadores que precisam das estradas para escoar feijão, milho, leite e demais produtos que garantem o pão de cada dia. É natural que, diante de recursos limitados, o gestor público estabeleça prioridades sociais.

Isso não significa que uns serão atendidos e outros ignorados. Significa apenas que, em qualquer administração responsável, o mais carente deve vir primeiro. Depois, todos serão contemplados dentro de um cronograma técnico e financeiro possível.

O debate público é saudável quando feito com honestidade intelectual. O que não contribui é transformar cada problema estrutural em palanque político. Se durante anos se elogiou uma gestão que não resolveu definitivamente a situação da estrada, é preciso coerência ao apontar responsabilidades agora.

Jeremoabo precisa de menos inflamados de microfone e mais compromisso com soluções reais. Estradas se consertam com planejamento, investimento e prioridade social — não com discursos seletivos.

Não façamos politicagem. Façamos justiça. E, acima de tudo, usemos a razão.

BlogDedeMontalvao: Onde a verdade não tem mordaça.

 José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025


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