
Charge do Néo Correia (bocadura.com)
Guilherme Amado e Eduardo Barretto
Metrópoles
O governo Bolsonaro foi denunciado em três organismos internacionais pela fraca atuação da Receita Federal no combate à corrupção. Os documentos foram recebidos na última semana pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Grupo de Ação Financeira Internacional (Gafi) e a Organização das Nações Unidas (ONU).
A denúncia foi elaborada pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco Nacional). A entidade apontou movimentos de “estrangulamento” da Receita Federal. Citou a queda no orçamento do órgão e o esvaziamento do combate à corrupção.
O vice-presidente da associação, Kleber Cabral, afirmou que o país “escolheu abandonar o combate aos ilícitos financeiros e transnacionais, colocando-o na rota inversa dos países desenvolvidos”. A entrega do material à OCDE frustra planos do governo federal, que tenta entrar no organismo internacional.
OUTRA DENÚNCIA – O presidente Bolsonaro interferiu em órgãos de investigação e colocou em risco as eleições ao ameaçar continuamente a democracia no país, apontou um relatório da Transparência Internacional Brasil, distribuído antes das eleições.
A entidade avaliou “graves retrocessos” na forma como o Brasil vem cumprindo compromissos internacionais no combate à corrupção que prometeu respeitar em 2005.
A análise independente mostrou também que o Brasil pode ter mais prejuízos internacionais por causa dos retrocessos do governo Bolsonaro. A almejada entrada do país na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) seria uma das agendas afetadas.
INTERFERÊNCIAS – “Múltiplas agências federais anticorrupção sofreram interferência do Presidente Bolsonaro e de outras esferas do governo nos últimos anos”, disse o texto, citando a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Controladoria-Geral da União.
A entidade apontou omissões da PGR. “O procurador-geral, Augusto Aras, escolhido por Bolsonaro apesar de não estar na lista votada pelos procuradores, trabalhou para proteger o presidente e seus filhos, para enfraquecer as forças-tarefas anticorrupção dentro do Ministério Público Federal e para defender os interesses do governo em múltiplas ocasiões”, diz o relatório.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Para qualquer governante em regime democrático, é ilusão achar que pode interferir e influir em investigações ligadas à corrupção. As corporações, como a Receita e a Polícia Federal acabam reagindo e denunciando as irregularidades. (C.N.)