A saúde pública em Aracaju atravessa um período crítico que coloca em xeque a dignidade e a segurança dos pacientes que dependem do SUS. Relatos que chegam a este Blog pintam um cenário de abandono, onde a lógica da gestão parece ter dado lugar ao improviso, deixando o cidadão à mercê da própria sorte.
1. O Drama do Carbonato de Lítio: Dois Meses de Silêncio
Um dos pontos mais alarmantes é a falta de medicamentos de uso contínuo, como o Carbonato de Lítio. Pacientes que dependem dessa medicação para manter o equilíbrio de sua saúde mental estão há dois meses encontrando prateleiras vazias nos postos de saúde.
O pior não é apenas a falta, mas a ausência de uma previsão de chegada. Para quem faz uso contínuo, interromper o tratamento não é uma opção, é um risco de vida. A prefeitura não pode tratar o fornecimento de remédios essenciais como algo opcional; é uma obrigação básica que está sendo negligenciada.
2. A "Fila Mágica" dos Exames: Onde a Lógica Não Existe
Outro absurdo relatado diz respeito à marcação de exames complexos, como a Punção de Nódulo na Tireoide. Além da espera que já dura meses, os pacientes enfrentam um fenômeno inexplicável no sistema de regulação: a fila que sobe em vez de descer.
Em um dia, o paciente está em uma determinada posição na fila.
Na consulta seguinte, a numeração da ordem está mais alta, o que desafia qualquer lógica de atendimento.
Pela regra do serviço público, o número deveria regredir conforme os atendimentos ocorrem, e não aumentar.
Essa desorganização — ou falta de transparência — gera a sensação de que nomes estão sendo passados à frente, ferindo o princípio da equidade no atendimento público.
3. O Sentimento de Impotência
O que mais dói no cidadão aracajuano é perceber que reclamar parece não adiantar. O sistema tornou-se uma barreira intransponível onde o paciente, já fragilizado pela doença, é obrigado a aceitar o "seja o que Deus quiser".
A saúde não pode ser tratada com esse fatalismo. É preciso que a Secretaria Municipal de Saúde venha a público explicar por que os remédios faltam e por que as filas de exames funcionam de trás para frente.
Conclusão: Respeito é o Mínimo
Aracaju precisa de um choque de gestão na saúde. Não se faz política pública com prateleiras vazias e filas misteriosas. O povo paga seus impostos e merece, no mínimo, a segurança de que o remédio estará no posto e que sua vez na fila será respeitada.
Blog de Dede Montalvão: Fiscalizando o poder e cobrando o que é de direito do povo.
José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025