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Costa encontra-se em “isolamento sanitário” por 10 dias
Rafael Moraes Moura
O Globo
Transferido na última sexta-feira (9) da Papuda para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, com o aval do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa está na mesma cela já ocupada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Bolsonaro ficou na Papudinha entre 15 de janeiro e 24 de março deste ano, antes de ir para a prisão domiciliar para se recuperar de um quadro de broncopneumonia. Mas Costa, acusado de receber seis imóveis de luxo como propina para facilitar a compra de carteiras fraudulentas do Master, só deve ficar na mesma cela do ex-presidente por um período de 10 dias, por conta de um “isolamento sanitário” recomendado pela própria Vara de Execuções Penais, segundo a equipe da coluna apurou.
CELA COMPARTILHADA – O objetivo é afastar o risco de ele eventualmente ter contraído alguma doença ou infecção na Papuda que possa se espalhar na Papudinha – um procedimento comum adotado com detentos que passam por transferência. Depois desse período, a expectativa das autoridades do governo do Distrito Federal é a de que o ex-presidente do BRB seja realocado para uma cela compartilhada com outros dois advogados. Isso porque não está descartada a possibilidade de Bolsonaro retornar ao batalhão da PM. Nesse caso, a cela precisará estar livre para recebê-lo.
Ao conceder a prisão domiciliar para Bolsonaro em março deste ano, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, estabeleceu que a medida valeria pelo prazo inicial de 90 dias, que expira no fim de junho, quando o ministro vai reavaliar a situação e decidir se mantém o ex-presidente em casa ou não. Na prática, Moraes não afastou totalmente o “risco Papudinha”.
A Papudinha recebeu dos próprios presos o apelido de “Tremembé de Brasília”, em referência ao presídio de mesmo nome no interior de São Paulo, onde cumpriram pena alguns presos que ficaram célebres nas páginas policiais, como Suzane Von Richthofen, Elize Matsunaga, os irmãos Cravinhos, e Anna Carolina Jatobá, todos condenados por casos de homicídio de grande repercussão na mídia.
CONDIÇÕES – As duas celas por onde passaram por Bolsonaro antes de ir para a prisão domiciliar estão sendo ocupadas por personagens-chave do escândalo do Banco Master. A de Paulo Henrique Costa na Papudinha tem 55 metros quadrados, enquanto a sala da superintendência da Polícia Federal – onde está o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro – tem apenas 12. Bolsonaro ficou lá após tentar romper a tornozeleira eletrônica, em novembro do ano passado.
O batalhão da PM oferece aos detentos condições melhores do que o resto do complexo prisional, com chuveiro quente, cozinha com possibilidade de preparo e armazenamento de alimentos, geladeira, armários, cama de casal e TV.
Na Papudinha, também são servidas cinco refeições diárias (café da manhã, almoço, lanche, jantar e ceia), enquanto na superintendência da PF são apenas três (café da manhã, almoço e jantar). Lá também é possível os presos tomarem banho de sol na área externa sempre que quiserem, enquanto na PF é necessário o deslocamento do preso por várias salas administrativas até chegar a um pátio externo.
NEGOCIAÇÃO – Apesar de geograficamente localizada na área da Papuda, a Papudinha é administrada pela Polícia Militar. Ainda estão presos lá o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques – ambos condenados a 24 anos de prisão pela articulação num golpe de Estado para impedir a posse de Lula.
A transferência de Costa para uma prisão especial em “sala de estado maior” foi pedida por seus advogados, Eugênio Aragão e Davi Tangerino, ao sinalizar “interesse em cooperar com as autoridades competentes, possivelmente por meio de colaboração premiada”. Eles alegaram que as instalações da Papuda não garantem o sigilo das conversas.