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Parlamentar se referiu ao presidente como “pai do Lulinha”
Rafaela Gama
O Globo
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) gravou um vídeo após a repercussão da operação da Polícia Federal (PF) contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) na última quinta-feira.
Na publicação, o parlamentar se referiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva como “pai do Lulinha”, usando a estratégia de vincular o petista ao caso Master por meio das acusações contra o filho Fábio Luís Lula da Silva, também investigado pela PF. No post, Flávio também afirmou que o PT foi contrário à abertura da CPI para apurar os envolvidos no esquema de fraudes financeiras.
CONTRA CPI – “O pai do Lulinha pode aparecer a qualquer momento dizendo que apoia a CPI do Banco Master. O PT foi contra a CPI do Banco Master. Mas deixa eu te contar uma coisa: o PT foi contra a CPI. Os deputados não assinaram, só que agora não dá mais para segurar. AÍ, vem o teatro”, disse no vídeo.
Flávio também comentou sobre as acusações da ligação entre integrantes do PT na Bahia, como o ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner, e o Banco Master. “Será que o PT está contra a CPI porque ela envolve políticos da Bahia, que eles controlam há mais de 20 anos? Ou será que é porque a família do Jaques Wagner, líder do PT, recebeu R$ 11 milhões em uma empresa ligada ao caso? Ou porque o Guido Mantega, que já foi ministro da Fazenda do Lula, recebia R$ 1 milhão por mês só para fazer lobby dentro do governo?”, afirmou.
Na gravação, Flávio também comentou a consultoria prestada pelo ex- ministro da Justiça Ricardo Lewandowski ao Master e um encontro que teria sido realizado entre Lula e Vorcaro, na presença de Rui Costa. O senador disse que o “PT não quis investigar”, mas afirmou que a oposição assinou o requerimento de abertura da CPI. Ele também afirmou que, a partir de agora, a comissão deve “sair”.
REAÇÃO – O vídeo representou uma segunda reação de Flávio à operação que teve Ciro Nogueira como alvo. Inicialmente, o senador disse, em nota, considerar “graves” as informações divulgadas sobre o caso e defendeu que os fatos sejam apurados “com rigor e transparência”. Flávio também elogiou o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), indicado por Bolsonaro à Corte e responsável por autorizar a operação.
A reação desagradou aliados de Ciro, que esperavam uma demonstração mais explícita de solidariedade política diante da ofensiva da PF. Reservadamente, parlamentares do grupo afirmam que a manifestação do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi interpretada como uma tentativa de distanciamento político em um momento de crise envolvendo um dos principais articuladores da federação Progressista e aliado histórico do grupo bolsonarista. Ciro foi ministro da Casa Civil da gestão Bolsonaro.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Enquanto tenta transformar o caso Master em palanque político e distribui acusações sem apresentar provas concretas, Flávio Bolsonaro parece ignorar o próprio teto de vidro. O senador carrega nas costas investigações e suspeitas que marcaram sua trajetória política nos últimos anos, da “rachadinha” em seu antigo gabinete na Alerj às apurações sobre lavagem de dinheiro e vínculos de pessoas próximas com milicianos do Rio de Janeiro. Ao posar de inquisidor moral nas redes sociais, Flávio acaba revivendo um roteiro conhecido em Brasília: o de políticos que exigem rigor absoluto para adversários enquanto tratam os próprios escândalos como mera perseguição política. E, para fechar, vale lembrar que o próprio Flávio já declarou que Ciro Nogueira era o seu “vice dos sonhos”. Fecha a conta. (M.C)