sexta-feira, maio 08, 2026

EDITORIAL: O Luto de uma Herança – A Agonia do Casarão da Fazenda Caritá


EDITORIAL: O Luto de uma Herança – A Agonia do Casarão da Fazenda Caritá


Por José Montalvão

O que deveria ser um motivo de orgulho e um símbolo de altivez para cada cidadão jeremoabense, hoje, infelizmente, desperta apenas náuseas e uma profunda indignação. Assistir a documentários ou visitar o que restou do Casarão Histórico da Fazenda Caritá — o berço do Barão de Jeremoabo — é testemunhar o sepultamento de uma identidade. O local, que foi palco de decisões cruciais para o Império, para a República e para a construção da nossa cidade, hoje não passa de um esqueleto abandonado e severamente danificado.

A ruína da Caritá é o resultado amargo de décadas de incompetência e de uma falta crônica de vontade política para manter intacta essa parte vital da nossa memória.


1. O Engenho que o Tempo não Venceu

Apesar do descaso humano, a resistência da estrutura é impressionante. Nem mesmo o tempo, em sua fúria implacável, conseguiu destruir totalmente o local onde funcionava o engenho. Lá ainda resistem peças, poços e madeiramentos que, com uma dose mínima de determinação e boa vontade, poderiam ser a base de uma reconstrução histórica.

Entretanto, o que vemos é a aplicação prática da advertência bíblica: "Não deem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos". O patrimônio sagrado de Jeremoabo foi atirado ao descaso, pisoteado pela ignorância daqueles que deveriam protegê-lo e que, em sua cegueira política, permitiram que a história fosse despedaçada.

2. A Herança do Desmembramento e da Omissão

É necessário fazer justiça aos fatos: a atual administração municipal não pode ser culpada pelo início do sepultamento dessa história, pois o "leite já estava derramado" quando os processos de tombamento foram tentados recentemente. O erro capital reside naqueles que permitiram o desmembramento territorial para a criação do município de Sítio do Quinto, entregando o berço do Barão a uma nova jurisdição sem as devidas garantias de preservação.

A responsabilidade recai sobre os prefeitos que por ali passaram e os que ainda estão na ativa, cuja incompetência e desconhecimento sobre a grandeza do que possuíam levaram ao estado atual de ruína. Eles não compreenderam que a Caritá não era apenas uma fazenda, mas o DNA histórico de uma região.


3. Um Povo que Chora por sua Memória

Jeremoabo assiste, a conta-gotas, ao desaparecimento de seus marcos. Primeiro foi o Casarão do Coronel João Sá, agora a agonia da Caritá. Resta ao povo jeremoabense — aquele que ainda guarda amor pelas suas raízes — chorar pela história que está sendo sepultada à míngua.

O descaso com a Fazenda Caritá é a prova de que, para muitos gestores, a cultura e a história são fardos, e não ativos. Enquanto o esqueleto do casarão resiste ao sol e à chuva, ele grita por socorro, lembrando-nos de que um povo sem memória é um povo sem destino.


Blog de Dede Montalvão: Em luto pela Caritá, mas sempre vigilante pela história que ainda resta.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)

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