EDIÇÃO 2: DO PASSADO AO PRESENTE - ACERVO DE FOTOS ANTIGAS DE JEREMOABO
Fonte: JV PORTAL / JEREMOABO TV
RP: 9291/BA
ALERTA URGENTE: O PATRIMÔNIO HISTÓRICO DE JEREMOABO ESTÁ DESAPARECENDO
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EDITORIAL: O Silêncio das Ruínas – A Agonia do Patrimônio Histórico de Jeremoabo
Um alerta urgente ecoa pelo Portal JV e ressoa profundamente nas páginas deste Blog: o patrimônio histórico de Jeremoabo está desaparecendo. Essa depredação não é um fenômeno novo; é uma ferida aberta que sangra há décadas, talvez há quase um século, apagando os rastros da nossa identidade e transformando nossa história em poeira e entulho.
A história de um povo é contada pelas pedras de seus edifícios, pelas sombras de suas árvores e pelas memórias de seus lugares comuns. Em Jeremoabo, essa narrativa está sendo rasgada.
1. O Rastro da Destruição: De Casarões a Refúgios Populares
Edifícios que eram verdadeiros monumentos da nossa formação política e social foram reduzidos ao nada. Onde estão os casarões que abrigaram figuras como o Coronel João Sá e o Barão de Jeremoabo? Esses locais não eram apenas paredes, mas centros de decisão que moldaram o destino da nossa região.
A perda não atinge apenas a elite histórica. A demolição da casa intitulada Cajueiros é um golpe na memória afetiva do nosso povo. Quantas gerações de jeremoabenses não buscaram o frescor das águas e a sombra dos cajueiros para o lazer e o convívio social? Ao derrubar o que é comum a todos, destrói-se o sentimento de pertencimento.
2. O "Golpe de Misericórdia" na Identidade Local
Infelizmente, a história recente de Jeremoabo registrou capítulos sombrios de desleixo deliberado. O ex-prefeito Deri do Paloma parece ter fechado essa demolição histórica "com chave de ouro". Ao adquirir a residência do Coronel João Sá para exploração imobiliária, permitiu que o prédio virasse ruínas. Hoje, o que era para ser um marco de preservação é apenas um símbolo de deterioração.
Mas o descaso não parou na arquitetura. A destruição avançou sobre a natureza e os espaços de fomento econômico e cultural:
O Juazeiro Centenário: Uma árvore que sobreviveu ao tempo foi ceifada, retirando o verde e a memória viva da nossa terra.
Parque de Exposição: Um local de tradição e economia local que também foi entregue à demolição.
Patrimônio Natural: Até mesmo o pé de figo centenário em frente à casa de Dona Olga foi derrubado.
3. A Luta pela Sobra: O Esforço da Gestão Atual
Diante do "leite derramado", o atual prefeito Tista de Deda encontrou um cenário de terra arrasada. Tentou o tombamento do Casarão do Caritá, mas a inércia do passado e a velocidade da degradação já haviam causado danos profundos.
Restou à atual gestão o papel de resistência. O prefeito Tista tem se empenhado em conservar a Residência do Coronel Zizu, uma joia construída com azulejos portugueses que hoje abriga o nosso museu. Embora o prédio tenha sido desfigurado por iniciativas desastrosas de gestões anteriores, mantê-lo de pé é uma tentativa de estancar a hemorragia cultural da nossa cidade.
Conclusão: A Omissão que Condena o Futuro
O ponto mais doloroso dessa tragédia não são apenas as picaretas e os tratores, mas a omissão. A população assistiu a tudo isso sem contestar, muitas vezes ignorando que, ao permitir a destruição do seu passado, está empobrecendo o futuro dos seus filhos.
Jeremoabo precisa despertar. Não podemos aceitar que o progresso seja usado como desculpa para o apagamento da nossa memória. Que o museu atual e as poucas sombras centenárias que restam sirvam de alerta: um povo que não valoriza suas raízes está condenado a viver na mediocridade do esquecimento.
Blog de Dede Montalvão: Defendendo a história, denunciando o descaso e lutando pela memória de Jeremoabo.
José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)