quinta-feira, maio 14, 2026

Prisão da “Papudinha” hospeda personagens da trama golpista e do caso Master

Publicado em 13 de maio de 2026 por Tribuna da Internet

Batalhão concentra presos da elite política investigada

Rafael Moraes Moura
O Globo

Conhecido como “Papudinha”, o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal ganhou um outro apelido dos próprios presos após abrigar em suas instalações o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros condenados da trama golpista.

O batalhão, que acaba de receber mais um detento notável — ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, acusado de corrupção passiva no caso Master — tem sido chamado de “Tremembé de Brasília”, em referência ao presídio de mesmo nome no interior de São Paulo, onde cumpriram pena alguns presos que ficaram célebres nas páginas policiais, como Suzane Von Richthofen, Elize Matsunaga, os irmãos Cravinhos, e Anna Carolina Jatobá, todos condenados por casos de homicídio de grande repercussão na mídia.

NOTÁVEIS – Os notáveis da Papudinha, porém, são de outra turma. Entre os presos que farão companhia ao ex-presidente do BRB estão ainda o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques, todos condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nas investigações da trama golpista.

Enquanto a Tremembé de São Paulo, localizada a 150 km da capital, é administrada pela secretaria da Administração Penitenciária (SAP-SP) do governo paulista, a “Tremembé de Brasília”, apesar de geograficamente localizada na área da Papuda, é gerenciada pela Polícia Militar.

O batalhão da PM em Brasília oferece aos detentos condições melhores do que o resto do complexo prisional de Brasília, com chuveiro quente, cozinha com possibilidade de preparo e armazenamento de alimentos, geladeira, armários, cama de casal e TV. Os presos podem também tomar banho de sol na área externa da própria cela sempre que quiserem.

ESCUTAS AMBIENTAIS –  A transferência de Costa para uma prisão especial em “sala de estado maior” foi pedida por seus advogados, Eugênio Aragão e Davi Tangerino, ao sinalizar “interesse em cooperar com as autoridades competentes, possivelmente por meio de colaboração premiada”. Eles alegaram que as instalações da Papuda não garantem o sigilo das conversas.

O entorno de Costa temia que haja escutas ambientais para monitorar as conversas dos presos na Papuda, o que poderia comprometer as suas tratativas, já que ele deve implicar o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) em sua delação. A governadora Celina Leão (PP), que pretende concorrer à reeleição em outubro deste ano, é considerada outro alvo em potencial.


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