domingo, dezembro 11, 2022

Alemanha demonstra que cabe a cada país enquadrar extremistas e submetê-los à lei

Publicado em 11 de dezembro de 2022 por Tribuna da Internet

Chifrudo do Capitólio' não come desde que foi preso por falta de comida  orgânica

Nos EUA, este chifrudo pegou 3 anos e 5 meses de prisão

João Gabriel de Lima
Estado

A polícia alemã desbaratou, na quarta-feira, dia 7, uma organização que planejava um atentado contra o Parlamento do país. Foram presos 25 integrantes do Reichsburger, um grupo que armazenava armas e treinava militantes com o intuito de realizar atos terroristas.

Investigam-se ainda 27 suspeitos de manter laços com a quadrilha ou apoiá-la financeiramente. Seu líder é o autodenominado príncipe Henrique XIII, descendente de nobres e renegado pela própria família.

EXTREMISMO, NÃO! – “Foi entre os constitucionalistas alemães de 1945 que surgiu a distinção entre extremistas e radicais. Radicais são os que querem mudanças drásticas, mas dentro da Constituição. Extremistas são os que atuam de forma violenta contra a democracia”, diz o cientista político italiano Riccardo Marchi, estudioso do assunto.

Segundo ele, a Alemanha tem um histórico de identificação e detenção de extremistas, talvez pela marca do passado nazista.

A ação da Justiça alemã evocou a invasão do Capitólio e a imagem do militante Jacob Anthony Chansley, apelidado de “Xamã” – inesquecível em sua pintura facial com as cores da bandeira americana e um par de chifres pregados na testa. Por causa dele, os vândalos americanos ficaram conhecidos nas redes sociais como “os chifrudos do Capitólio”. A polícia dos Estados Unidos já efetuou mais de 700 prisões entre os fanáticos trumpistas.

GRAVE PROBLEMA – Com indumentária bizarra ou delírios de nobreza, extremistas dão bons memes. O assunto, no entanto, é sério e é estudado na academia, que identifica padrões nos diferentes grupos.

Um ponto em comum é acreditar em teorias conspiratórias, como as que veem em tudo um suposto “perigo vermelho” – como se a União Soviética não tivesse se dissolvido há mais de 30 anos.

Outra coisa é o aliciamento de integrantes do Exército e de forças policiais. “Na Alemanha, os militares são monitorados por causa disso, e algumas brigadas chegam a ser desativadas pela proximidade com extremistas”, diz Marchi.

AGIR PREVENTIVAMENTE – A pluralidade de ideias, à esquerda e à direita, é saudável e desejável nas democracias. As exceções, como diz Marchi, são os que advogam a destruição da própria democracia. A invasão do Capitólio deixou cinco mortos e vários feridos. Felizmente os alemães agiram antes que houvesse vítimas.

As democracias vêm aprendendo, aos poucos, a identificar e punir seus extremistas. Cabe a cada país nomear seus bois, agarrá-los pelos chifres e – respeitado o devido processo legal – submetê-los aos rigores da Justiça.

Alemães e americanos vêm fazendo isso, pelo bem de suas democracias. Dão um exemplo ao mundo.

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