Publicado em 6 de fevereiro de 2022 por Tribuna da Internet

Ciro Gomes e Eduardo Paes se unem para defender o Rio
Vinicius Neder
Estadão
Ao comentar a formalização da aliança entre o PSD e o PDT para as eleições estaduais no Rio, fechada na última quarta-feira, dia 2, o pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, acusou o ex-presidente Lula (PT) de “despolitizar” o debate eleitoral e de “destruir” partidos aliados, como PSOL e PSB, na formação de palanques regionais para as eleições gerais de outubro.
pré-candidato, que veio ao Rio se encontrar com o prefeito Eduardo Paes (PSD), disse que gostaria de ter o apoio do partido no plano nacional, mas esperará por uma decisão.
DISSE CIRO – “O Brasil está vivendo um plebiscito, em que a força dominante, na proporção de 70% a 80%, é contra Bolsonaro. E o Lula está tentando que a questão seja só essa, quando a questão não é só essa. Derrotar o Bolsonaro é uma questão gravíssima, urgente, imediata, porém mais grave do que ela é o que pretendemos colocar no lugar da terra arrasada que vai ficar. Nesse sentido, o Lula tem despolitizado o debate de forma muito perigosa”, afirmou Ciro, após participar de reunião do secretariado da Prefeitura do Rio, na manhã deste domingo, dia 6.
Segundo o pré-candidato do PDT, o PT errou porque, ao longo de três mandatos e meio, não mudou instituições nem ofereceu uma estratégia para fazer o País voltar ao crescimento econômico e ao desenvolvimento.
Quanto à aliança entre PDT e PSD no palanque fluminense, disse que foi negociada por Paes e pelo presidente nacional do PDT, o ex-ministro Carlos Lupi. A aliança se dá em torno dos nomes do ex-prefeito de Niterói (RJ) Rodrigo Neves (PDT) e do ex-presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Felipe Santa Cruz (PSD). A definição de quem encabeçará a candidatura a governador ficará para depois.
ATAQUE A LULA – Ciro acusou Lula de “destruir” partidos aliados na formação dos palanques regionais, ao ser questionado sobre como ficará a divisão do palanque no Rio entre a sua candidatura e a do PSD, já que o presidente do partido, Gilberto Kassab, tem repetido publicamente que terá candidato próprio a presidente, e por enquanto, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), é o mais cotado para sair candidato.
“No Rio, fizemos um entendimento que é local, não tem a ver com a questão nacional, ainda”, afirmou Ciro, que minimizou o fato de Paes, de quem se disse amigo, não ter acompanhado a entrevista ao seu lado.
“Hoje, Paes tem uma delicadeza que eu respeito muito. Ele pertence a um partido que tem candidato a presidente. Não sou como Lula, que está destruindo os partidos, o PSOL, o PCdoB, o PSB, porque, para o Lula, tem que ficar o PT sozinho. O único partido progressista que resiste a esse assédio é o PDT, já desde antes, com o Brizola. Mas eu, não. Eu respeito muito e quero que o PSD tenha o tempo dele. Gostaria muito de ter esse apoio, mas respeito o tempo deles”, afirmou Ciro.
NO PLANO LOCAL – Na quarta-feira, Paes ignorou o plano nacional, ao comentar a aliança regional com o PDT nas redes sociais.
“Os desafios do Rio são muito grandes. Felipe (Santa Cruz) e Rodrigo (Neves) representam um projeto consistente e maduro para fazer nosso Estado voltar a dar certo. Lembrem-se do ex-juiz em 2018. Não temos mais como errar”, escreveu Paes no Twitter, numa referência a eleição de Wilson Witzel (PSC) em 2018.
Sobre as articulações no plano nacional, Ciro disse também que é preciso “paciência, paciência e paciência”. Segundo o pré-candidato, as articulações são conduzidas pela direção do PDT.
DISSE LUPI – Ao lado de Ciro neste domingo, dia 6, o presidente do PDT, Carlos Lupi, afirmou que, no momento, “todo mundo conversa com todo mundo” e garantiu que Ciro será candidato em outubro. A definição de apoios dependerá do desempenho nas pesquisas de intenção de voto.
“Março, prazo final para as filiações a partidos políticos dos candidatos, e julho, prazo para a formalização das coligações partidárias, são datas importante”, disse Ciro.
O pré-candidato do PDT e o ex-prefeito Neves Rodrigo aproveitaram também para criticar o pré-candidato do PSB ao governo fluminense, o deputado federal Marcelo Freixo, que terá o apoio do PT. Para Ciro, Freixo se rendeu ao “jogo de Lula”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A campanha enfim começa a esquentar. Entre os candidatos da terceira via, os destaques continuam sendo Sérgio Moro (Podemos) e Ciro Gomes (PDT) – não necessariamente nesta ordem. Entrincheirados aqui na Tribuna, fazemos votos de que o bom senso prevaleça e na reta final os dois candidatos se unam para enfrentar essa polarização entre dois candidatos que revelam não ter escrúpulos nem condições de presidir novamente o país. E vamos em frente, com Ciro e Moro, sempre juntos. É disso que o país precisa – um choque de moralidade e gerência administrativa. (C.N.)