domingo, fevereiro 16, 2020

Bolsonaro repete “banana” a jornalistas ao ser questionado sobre desmonte da biblioteca do Palácio


Biblioteca perderá espaço para receber equipe de Michelle 
Vera Batista
Correio Braziliense
O presidente Jair Bolsonaro repetiu o gesto de “banana” para jornalistas, fazendo o sinal com os braços para os profissionais de imprensa que trabalhavam em frente ao Palácio Alvorada, neste sábado, dia 15.
Desta vez, a “banana” foi motivada por perguntas sobre o desmonte da tradicional Biblioteca da Presidência da República, no Anexo I do Palácio do Planalto, para abrigar a equipe do programa Pátria Voluntária, coordenado pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
“DE GRAÇA” – “Vocês só se preocupam com besteira. Nenhum livro vai embora, vai ficar tudo lá. A primeira-dama faz um trabalho de graça para o Brasil. Então, em vez de vocês elogiarem, vocês criticam. Tenha paciência”, disse. “Quem age assim merece uma banana”, completou.
A biblioteca tem um acervo de 42 mil itens e 3 mil discursos de presidentes. Com a chegada da equipe de Michelle, serão ocupados os espaços de estudo, convivência e leitura. O local tem a função de preservar a memória dos presidentes do Brasil.

SEGUNDA VEZ – Esta é a segunda vez que Bolsonaro dá uma “banana” para a imprensa este mês. No último dia 8, ele fez o gesto ao avisar que não daria entrevista devido à repercussão negativa a um declaração sua sobre pessoas com HIV representarem uma despesa.
A fala ocorreu na quarta-feira dia 5, quando o presidente saiu em defesa do programa de prevenção à gravidez na adolescência, lançado pela ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves.
Depois da repercussão negativa, Bolsonaro buscou esclarecer melhor sua declaração: “Eu falei de uma menina que deu à luz pela terceira vez aos 16 anos de idade sendo aidética. Foi isso que eu falei. O que faltou? Faltou uma mãe, uma avó, para não começar a fazer sexo tão cedo. Qualquer pessoa com HIV, além do problema de saúde dela gravíssimo, que nós temos pena, é custoso para todo mundo. Vocês focaram no que o aidético é oneroso para todo o Brasil. Estou levando porrada de tudo quanto é grupo de pessoas que têm esse problema lamentavelmente”.
REDUÇÃO – A tradicional biblioteca da Presidência da República, em Brasília fica em um prédio anexo ao Palácio do Planalto, ao lado da vice-presidência. Segundo reportagem publicada na edição de “O Globo” na internet, que o espaço será reduzido pela metade.
Essa é a segunda vez que o governo federal banca uma reforma para abrigar Michelle Bolsonaro e sua equipe na Esplanada. Há sete meses, foram gastos R$ 330 mil em obras no Ministério da Cidadania para adaptar salas para a primeira-dama e servidoras do Pátria Voluntária.
TRANSFERÊNCIA – O Programa Nacional de Incentivo ao Voluntariado – o Pátria Voluntária – foi criado em julho. Tem por objetivo promover, valorizar e integrar o trabalho voluntário no país. Era ligado ao Ministério da Cidadania, mas em dezembro passou para a Casa Civil. Por isso, a transferência para o Palácio do Planalto.
A biblioteca da Presidência foi criada no governo do presidente Wenceslau Brás, entre 1914 e 1918, quando a sede do governo ainda era no Rio de Janeiro. Com a construção de Brasília, primeiro foi instalada no prédio principal do Planalto, mas em 1979 foi transferida para o anexo.
O presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia, Fabio Cordeito, conta que esteve na biblioteca. E que viu o andamento das obras. Ele disse que conversou com servidores e foi informado que o acervo está acomodado no novo espaço. Mas a área disponível ao público terá de ser reduzida. Para Fabio Cordeiro, a preocupação é com o futuro da biblioteca.
MEMÓRIA – “O risco de diminuir de tamanho é porque uma biblioteca é um organismo em crescimento, então ela tem que ter espaço para garantir que os acervos futuros caibam nesse espaço físico. Então, a medida que os governos forem passando, novas políticas vão sendo criadas, políticas precisam ser preservadas para a história do país e para memória institucional de todo o governo”, disse.
Em nota, a Secretaria- Geral da Presidência informou que “a biblioteca da Presidência da República, inclusive em razão de sua relevância institucional, vem passando por um permanente processo de modernização”, e que “no que se refere às recentes alterações do espaço físico destinado à biblioteca da Presidência da República, é importante registrar, primeiramente, que 100% do acervo físico será preservado, em condições técnicas adequadas.”
“Ainda a esse respeito”, diz a nota, “cabe esclarecer que havia em torno de 40% de espaço não utilizado nas estantes da biblioteca, de forma que, mesmo com as alterações promovidas, ainda restará margem para ampliação do acervo.”
OTIMIZAÇÃO –  A Secretaria informou também que “por outro lado, essas mudanças também visam otimizar os espaços físicos da Presidência, permitindo que outras atividades relevantes possam ser desempenhadas pelos seus servidores.”
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Mais uma vez, Bolsonaro perdeu o tom e a oportunidade de valorizar o cargo que ocupa.  Embevecido pelos gritos de “mito” e a euforia cegamente inexplicável dos seus fiéis apoiadores, se porta como se estivesse discursando para uma torcida organizada ou para os frequentadores de um bar, esquecendo-se que é gravado e está falando com a imprensa. Se surgem dúvidas, é preciso que ela as esclareça. Mas a cada “oposição”, ou rebate com piadas “marotas” ou faz beicinho e diz que não vai responder. (Marcelo Copelli)

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