sábado, fevereiro 02, 2019

Davi Alcolumbre é eleito presidente do Senado

Oponente de Renan Calheiros recebeu 42 dos 77 votos computados


O senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), de 41 anos, foi eleito presidente do Senado Federal neste sábado. Membro do baixo clero do Congresso e candidato sustentado pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), essa será a primeira vez que ele ocupa o cargo. A votação acabou com 42 votos a favor dele e apenas cinco para Renan Calheiros (MDB-AL), seu principal oponente, que retirou sua candidatura no meio do processo, classificado por ele como anti-democrático. Os outros votos foram divididos assim: 13 votos para Esperidião Amim (PP-SC), três para Fernando Collor (PROS-AL), oito para Álvaro Coronel (PSD-BA) e seis para José Reguffe (Sem partido–DF).
O Senado retomou neste sábado a sessão de eleição que foi interrompida no dia anterior, e uma reviravolta se seguiu após a outra. Por decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal,  Antonio Dias Toffoli, ainda na madrugada, a votação passou a ser secreta e a condução dos trabalhos foi atribuída ao senador José Maranhão (MDB-PB), que é o mais idoso do Senado. O processo ocorreu por volta das 16h00, mas teve de ser repetido. A urna recebeu uma cédula a mais, e os senadores optaram por refazer a votação. Durante o segundo procedimento, Renan Calheiros (MDB) disse que seu principal adversário, Davi Alcolumbre (DEM-AP), "virou Golias" e se retirou da disputa.
As determinações de Toffoli pelo voto secreto atenderam aos pedidos feitos pelos partidos MDB e Solidariedade, que se queixaram de que as decisões tomadas na noite de sexta-feira, quando uma votação no plenário determinou voto aberto para a eleição da presidência, iam contra o regimento interno da Casa e contra a Constituição.
O movimento do STF havia sido uma vitória de Renan, que buscava presidir a Casa pela quinta vez, em oposição ao grupo de Davi Alcolumbre (DEM-AP), apoiado por Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil do Governo Bolsonaro. Os aliados avaliavam que uma votação secreta favoreceria Renan, já que há campanha nas redes sociais contra o alagoano, investigado na Operação Lava Jato, réu em outros processos e símbolo da "velha política".
Em tese, o presidente Jair Bolsonaro se apresentou como neutro na disputa. Ele já fez acenos a Renan, que nesta sexta foi visto exibindo proximidade do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente e investigado por improbidade administrativa no Ministério Público do Rio. Por isso, a eleição no Senado era vista como decisiva para testar o poder de articulação de Onyx, uma variável importante na tramitação do pacote de reformas econômicas prometidas pelo Planalto.
Na sessão deste sábado, após decidirem que cumpririam a decisão do STF, os senadores entraram em acordo para que a votação fosse em cédula, não no painel eletrônico. Os que defendiam o sigilo do voto queriam escondê-lo a todo custo. E os que eram favoráveis ao voto aberto queriam mostrar a cédula para fotógrafos e cinegrafistas, antes de as depositarem na urna.

Em destaque

Após apreensão de arma, Bolsonaro recorre ao STF para evitar perda da prisão domiciliar

Publicado em 28 de junho de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Defesa  pede a Moraes que descarte falta grave Luís...

Mais visitadas