quinta-feira, novembro 01, 2018

Bolsonaro logo vai perceber que seu governo terá um prazo curto de validade


Carlos Newton
Interessante notar que há um descompasso entre a realidade e a ficção na cobertura da imprensa. Os jornais e seus sites abrem espaços enormes para assuntos sem grande importância, relacionados à escolha dos ministros de Bolsonaro e ao dia a dia do presidente eleito, enquanto relegam para segundo plano o que realmente interessa ao país. A verdade é que o Brasil vive a pior crise da História Republicana, o governo federal e a grande maioria dos governos estaduais e municipais estão pré-falidos. Não há dinheiro para nada.
Aliás, causa espécie que tantas pessoas se habilitem a disputar eleições altamente cansativas e estressantes, mesmo sabendo que a vitória significará apenas o desgaste de administrar massas falidas, com todos os gravíssimos problemas decorrentes desta situação.
EXEMPLO DE ZEMA – Os exemplos de multiplicam. Veja-se o caso de Minas Gerais, que teve a administração pública destruída pelas sucessivas gestões dos tucanos Aécio Neves e Antonio Anastasia, que entregaram a massa falida ao despreparado e corrupto petista Fernando Pimentel, que nem conseguiu chegar ao segundo turno. E agora o vencedor Romeu Zema (Novo) vai ter de enfrentar um problema praticamente insolúvel.
Aos 54 anos, Zema é um executivo rico, presidente do conselho do grupo empresarial da família, que atua de maneira mais intensa no setor de varejo de eletrodomésticos e na distribuição de combustíveis, com presença em cerca de 460 cidades mineiras.
Pela primeira vez, o novo governador vai administrar uma falência e não terá dinheiro para apoiar o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, que já anunciou que irá a Brasília em janeiro, pedir “de joelhos” ajuda financeira ao presidente Bolsonaro, que nada terá a lhe oferecer.
RIO AFLITO – O governo do Rio de Janeiro também está quebrado, embora tenha melhorado um pouco com os royalties do petróleo, mas a situação é sinistra.
Além de corrupto ainda impune, o governador Pezão é um completo idiota. Acaba de afirmar que seu antecessor Sérgio Cabral não é culpado pela crise financeira do Estado e diz que tem vontade de ir à cadeia para abraçá-lo. Caramba, Pezão deveria ser preso por dar uma declaração como essa.
O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, atravessa uma crise desesperadora, devido à irresponsabilidade do antecessor Eduardo Paes, que rapinou os cofres municipais, praticando uma política de terra arrasada, como se dizia antigamente. Mas a imprensa trata Crivella como se fosse culpado de tudo, não se publica uma linha contra Eduardo Paes, porque foi muito “generoso” com a mídia na fartura da Copa e na Olimpíada.
A CRISE VEM AÍ – Estudo realizado pela economista Ana Carla Abrão, ex-secretária da Fazenda de Goiás e sócia da consultoria Oliver Wyman, mostra que em 2022, último ano do mandato dos governadores eleitos nestas eleições, 16 estados e o Distrito Federal já estarão gastando acima de 80% das suas receitas somente com despesas de pessoal, incluindo pensões e aposentadorias, folha de pagamento e auxílios a servidores.
Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, que enfrentam sérios problemas de caixa, são os casos mais extremos. Em quatro anos, de cada R$ 100 arrecadados, mais de R$ 95 serão gastos com pessoal, se nada mudar.
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P.S. 1
 – Esta é a situação de nosso país, embora ninguém toque no assunto. Há um clima de euforia, parecemos viver no melhor dos mundos, no estilo de Voltaire. 
P.S. 2 – Há quem pense que o mito Bolsonaro vai tirar o Brasil da crise com a maior facilidade, basta passar no Posto Ipiranga. Mas não é verdade. Seu superministro está mais preocupado em privatizações, quando deveria estar dedicado a achar soluções duradouras que possam socorrer também os estados e municípios. A irresponsabilidade abunda, mas quem se interessa? (C.N.)

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