Asilo é asilo. Exílio é exílio. Refúgio é refúgio, o ser humano, o cidadão que luta, que participa, que resiste não pela ambição do golpismo, (ou o golpismo da ambição) mas por convicção e respeito à coletividade, não pode ser desconsiderado, desprezado, desautorizado. Como sempre gosto de citar exemplos e mostrar o que já aconteceu, veja este fato, inteiramente desconhecido.
1968. Quem já estava perseguido e insultado pelos arbitrários e autoritários no Poder, teve que fugir. As embaixadas estrangeiras, todas cercadas, trancadas, muradas, não deixavam ninguém entrar, apesar de estarem
CASSADOS e CAÇADOS.
Afonso Arinos de Mello Franco, ex-chanceler, (excelente figura da nossa História) telefonou para seu amigo embaixador do México, comunicando, “Vou almoçar com você”. A resposta agradável: “É um dia de satisfação para mim”.
O carro de Afonso Arinos chegou, as portas estavam já abertas, entrou o embaixador, esperava o amigo brasileiro. Subiram, a confidência do ex-chanceler: “Embaixador, no porta-malas do meu carro está o deputado Hermano Alves, tive que recorrer a você, ele pode ser morto”.
O embaixador, aturdido e assombrado, ficou um minuto em silêncio, falou: “Você não podia fazer isso, eu não posso negar asilo”. Chamou seu motorista particular e pessoal, determinou: “Leve o carro do chanceler para a garagem”.
Homens de bem agem assim. Afonso Arinos não se vangloriou, o embaixador do México não se orgulhou, os dois cumpriram suas obrigações. Hermano um mês depois foi para Portugal. Casado com uma portuguesa, mora lá até hoje.
Desde o início disse isso. Zelaya queria “o referendo” para tentar mais um mandato, o que não está na Constituição. Como na televisão defendeu essa posição, foi retirado do Poder, o que também não está na Constituição.
O que era preocupante,ficou terrivelmente assustador
Saiu do país, e ganhou apoio de vários lados. Do Brasil e EUA, que “identificaram” golpe contra presidente eleito. E da Bolívia, do Equador, e logicamente do conspirador antidemocrata maior que é Chávez. Como esses três desejam a mesma coisa, golpistas clássicos, se disseram “REVOLTADOS com o golpe contra a democracia”.
Só bom senso e eleição,podem resolver a questão
O presidente da Costa Rica, (Prêmio Nobel da Paz) era o único correto, tentando a mediação com eleição. Agora, Zelaya deu novo golpe e foi se refugiar na embaixada do Brasil em Honduras, sem que se soubesse como chegou lá. Qualquer que seja o caminho percorrido para chegar lá, o Brasil não pode nem admitir entregá-lo.
Zelaya: golpista ecriador de caso
O ex-presidente de Honduras pediu asilo ao Brasil, (oficialmente), não foi para lá exilado, não pediu nem o Brasil concedeu coisa alguma. Embarcou, não se sabe por quais caminhos, criou monumental situação de constrangimento para todos os países envolvidos.
Fato consumado
Com Zelaya na embaixada, o Brasil não pode nem imaginar a possibilidade de entregá-lo aos golpistas DO Poder e NO Poder. Por sua vez o “governo golpista” de Honduras não tem condição de fazer pressão militar sobre a embaixada. Nem devia ou podia PEDIR ao Brasil a entrega do ex-presidente.
Impossíveis as duas posições,então o que fazer com Zelaya?
Essa é a pergunta inútil: Zelaya não pode ficar na embaixada, não pode ser entregue aos golpistas que estão no Poder. Nenhum deles merece confiança. A solução seria entregar o governo ao presidente da Corte Suprema, que comandaria as eleições, entregaria o Poder a quem ganhasse.
* * *
PS- No Brasil em 29 de outubro de 1945, a ditadura foi derrubada, a eleição já estava marcada para 33 dias depois, 2 de dezembro. Entregaram o Poder ao presidente do Supremo, Ministro José Linhares, a eleição foi tranquila.
PS2- Lula pede o absurdo e o impossível: que entreguem o Poder a Zelaya. Isso não, presidente, só por que ele é continuista? Mas é também golpista, se voltar ao Poder não faz eleição nem deixa o Poder.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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