Na primeira pesquisa do CNI/Ibope que indica novidades no panorama das candidaturas já lançadas, muito antes das Convenções, as surpresas não fazem cócegas nos eleitores, mas oferecem índices a serem seguidos nas próximas rodadas para a identificação das tendências para cima ou na degringolada de escada abaixo.
No primeiro cenário, candidato de oposição, governador José Serra, de São Paulo (PSDB) mantém folgada dianteira com 35% das intenções de voto, manchada por uma perda de quatro pontos em relação à pesquisa de junho. Em segundo, em ascensão, com 17%, o candidato Ciro Gomes. A ministra Dilma Rousseff, candidata lançada pelo presidente Lula e engolida pelo PT fazendo careta, caiu três a quatro pontos, com 15% e a ex-ministra Marina Silva, que se desligou do PT para se filiar ao Partido Verde (PV) emplaca 8%.
No outro cenário, com o governador mineiro Aécio Neves na vaga do governador José Serra, a disparada de Ciro Gomes, na liderança com 28%, seguido de Dilma Rousseff com 18%, em terceiro o governador de Minas, Aécio Neves, com 13% e a candidata do PV, Marina Silva com 11%, ou sejam, dois ponto abaixo do governador Aécio Neves.
As duas pesquisas podem ser viradas e reviradas à vontade do freguês. Na sua significação relativa, antes das convenções para o lançamento oficial das chapas, aponta por um lento despertar de interesse da minoria do eleitorado, que é convidado a antecipar a sua tendência de voto.
Depois do regresso do presidente Lula e a retomada da pré-campanha ostensiva, com a fantasia da inauguração de obras ou da fiscalização do andamento dos canteiros do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a ministra Dilma Rousseff passará pelo teste de reverter à tendência de queda e iniciar a ascensão até a lua cheia da eleição. O alto índice de rejeição é, sem duvida, preocupante.
Acontece que o governo entrou no túnel de vários dissabores, como a desastrada autorização de Brasília para o asilo do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya com mais de setenta pessoas, na modesta embaixada do Brasil. Sem água, sem víveres, sem espaço é evidente que uma solução negociada não pode tardar. O presidente de fato do país, Roberto Michelettti, foi duro no recado ao Brasil: ou entrega Zelaya ao governo do pais ou lhe dá asilo no Brasil.
O Itamaraty anda necessitando de uma benção de fé: colecionou mais um desastre com a derrota do egípcio Farouk Hosni, apoiado pelo Brasil, para a direção-geral da Unesco. O candidato apoiado pelo Brasil é acusado de antissemitismo. Não estávamos em boa companhia.
Fonte: Villas Bôas Corrêa
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