Folhapress
Se havia alguma dúvida sobre qual será o plano A de Ciro Gomes (CE) para 2010, ela deverá ser dirimida quando for ao ar, hoje à noite, o programa do PSB no horário eleitoral. Ciro se coloca claramente como o "pós-Lula", elogia as duas gestões do presidente, faz questão de dizer que foi parceiro, mas diz a todo o tempo que é preciso "avançar".
"O governo do presidente Lula é só o ponto de partida em relação ao que queremos e devemos fazer", diz um Ciro sorridente, que, na casa de uma beneficiada pelo Bolsa-Família na periferia de Brasília, conduz o programa como mestre de cerimônia --o que mostra que o PSB, que esteve disposto a rifar o deputado federal para agradar a Lula, resolveu dar corda à pré-candidatura própria para decidir só depois o que fazer.
No que pode ser lido como uma alusão à própria resistência de Lula a mais uma candidatura no campo aliado, o programa do PSB começa com um texto que pergunta: "Quantas vezes você sonhou o impossível e depois viu o sonho acontecer?"
Ciro aparece falando sobre o "Brasil do século 21", e elenca os ganhos da era Lula: mais crédito, redução da dívida externa, maior poder de compra para a população e competição de igual para igual com os chamados países ricos.
Sempre falando na primeira pessoa do plural, Ciro, que foi ministro da Integração Nacional no primeiro mandato, diz que muito foi feito ("fizemos"), mas muito está por ser feito. "O Brasil arrumou a casa, mas é preciso avançar, seguir adiante, evoluir", diz.
Na casa da moradora de Ceilândia, Ciro se convida para um "cafezinho" e pede para "tirar o paletó para ficar mais à vontade". Dona Silvana conta como sua vida mudou depois do Bolsa-Família. "Mas a senhora não quer só o Bolsa-Família, quer ir à luta", diz Ciro, mais uma vez tentando se cacifar como o pós-Lula.
No programa, Ciro e o presidente do PSB, Eduardo Campos, também tratam de se apropriar da bandeira da transparência como um ativo do partido. A lei da Transparência, sancionada por Lula, é apresentada como uma ideia do ex-senador João Capiberibe (AP) e tema de jingle, para associá-la ao partido.
O programa vai ao ar hoje, em rede nacional. O publicitário responsável foi Edson Barbosa, da agência Link, que cuidou da conta do PT na crise do mensalão, quando Duda Mendonça caiu em desgraça.
Em reunião nesta semana, Ciro disse aos deputados e senadores do PSB que, se o partido quiser, aceita transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo, para ser opção ao governo do Estado, mas afirmou que não se sentiria "confortável" nessas condições. "Sou candidato a presidente", disse, textualmente, diante da bancada.
Fonte: Tribuna da Bahia
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