da Folha Onlineda Folha de S.Paulo
O vírus da gripe de origem suína é mais perigoso do que aquele que causa as epidemias anuais da doença, mas é vulnerável a drogas antivirais já existentes, como o Tamiflu e o Relenza. A conclusão é de pesquisa realizada nos EUA e publicada pela revista "Nature" --veja a pesquisa no site (em inglês).
Saiba mais sobre a gripe suínaSaiba quais são os sintomas da gripe suína
O primeiro estudo detalhado caracterizando a ação do vírus em proveta e em modelos animais, feito por uma equipe de 52 pesquisadores do Japão e dos EUA, mostrou que o novo vírus é capaz de infectar células profundamente nos pulmões, o que aumenta o risco de pneumonia e de morte.
A equipe liderada por Yoshihiro Kawaoka, das universidades de Wisconsin-Madison (EUA), Kobe e Tóquio (Japão), avaliou a ação do vírus em furões, macacos e camundongos infectados com o H1N1 e com o vírus da gripe comum.
Os porcos foram infectados, mas não exibiram sintomas de doença. Já nos outros animais a doença foi mais severa que a causada por variantes sazonais do H1N1. Os vírus H1N1/09 usados vieram de pacientes dos EUA, da Holanda e do Japão.
Os resultados indicam que o vírus da gripe suína se reproduz em maior número no sistema respiratório, provocando mais danos aos tecidos, principalmente nos pulmões. Além disso, os pesquisadores destacam que o vírus H1N1 tem capacidade de penetrar de maneira mais profunda no tecido respiratório --o que aumentaria as chances de a gripe virar uma pneumonia.
O estudo sugere que, apesar dos potenciais danos que pode causar ao sistema respiratório, a gripe suína produz, na maioria dos casos, apenas sintomas leves e o vírus ainda é sensível aos antivirais.
Gripe espanhola
Além de avaliar os danos causados no sistema respiratório, a pesquisa ainda sugere que o H1N1 estaria estreitamente relacionado com o vírus que causou uma grande pandemia em 1918, que matou milhões de pessoas.
No estudo, Kawaoka descreve que o vírus da "gripe espanhola" também causava mais danos ao sistema respiratório do que a gripe comum. Além disso, os pesquisadores compararam amostras de pessoas que sobreviveram à pandemia de 1918 e observaram que elas pareciam ter mais imunidade para combater o H1N1.
De acordo com o estudo, "a transmissão contínua do vírus entre humanos poderia resultar no surgimento de variantes patogênicas do vírus, assim como ocorreu em 1918".
Nesta segunda-feira, a diretora de vacinas da OMS (Organização Mundial da Saúde), Marie-Paule Kieny, afirmou nesta segunda-feira que a pandemia de gripe suína --como é chamada a gripe A (H1N1)-- não pode ser contida e que, por isso, todos os países precisam da vacina contra o novo vírus.
Segundo Kieny, é bastante improvável que a vacina esteja disponível antes do início do inverno no hemisfério norte, já que, se forem cumpridos todos os requisitos para autorizar o remédio, o processo poderia durar até dezembro.
Pandemia
Segundo os dados mais recentes da OMS, a pandemia de gripe suína atingiu, desde o início dos registros, 94.512 pessoas em mais de 120 países e causou a morte de 429 pessoas. Na América do Sul, a Argentina é o país mais afetado, com 94 mortes e 2.928 casos confirmados de gripe suína.
O país aparece apenas atrás de Estados Unidos (211) e do México (121) em número de mortes. O Brasil registrou três mortes e 1.027 casos.
A gripe suína é uma doença respiratória causada pelo vírus influenza A, chamado de H1N1. Ele é transmitido de pessoa para pessoa e tem sintomas semelhantes aos da gripe comum, com febre superior a 38ºC, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal.
Para diagnosticar a infecção, uma amostra respiratória precisa ser coletada nos quatro ou cinco primeiros dias da doença, quando a pessoa infectada espalha vírus, e examinadas em laboratório.
Fonte: Folha Online
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