É precipitado afirmar que o presidente Lula errou ao assumir o risco de empurrar de goela abaixo do PT - imprensado no beco sem saída da sua crise desde as maracutaias do mensalão, do caixa dois e da voracidade com que ocupa milhares de sinecuras na obesa máquina administrativa - só na Petrobrás são mais de 10 mil petistas especialistas em pesquisas nas águas profundas do pré-sal – a candidatura da ministra Dilma Rousseff, da sua exclusiva escolha, sem consultar ninguém.Se até aqui as coisas corriam num mar sereno, sem ondas, as primeiras e notórias dificuldades, com a campanha eleitoral à vista para a para presidente e vice-presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, a salada dos interesses azeda com a briga pelo voto que garanta a reeleição para um dos melhores empregos do mundo ou para a ocupação do poder federal e nos estados.A candidata Dilma nadou de braçada em mar sereno enquanto o presidente sustentava a sua candidatura, silenciava o PT e, com a ousadia de dono do país, antecipou a campanha eleitoral com a desculpa indigente das visitas às obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que se arrastam como tartarugas em vários estados e comboiando a ministra chefe do Gabinete Civil, travestida de inspetora de obras eleitorais. Para dobrar a parada, Lula lançou o Minha Casa Meu voto com a promessa da construção de um milhão de residências populares.Mas não apenas o bolo sola quando se abre o forno antes dele estar quente. Também as campanhas desandam quando os erros pipocam antes da definida a polarização. O PT não tinha como resistir à ordem do chefe, com a popularidade batendo recordes acima dos 80%, arrastando a candidatura Dilma para modestos índices de duas dezenas. A paralisia da oposição, empanturrada de aspirantes a candidato potenciais que não se definem, deixava livre a pista para a disparada de Lula e a caminhada da candidata.O escândalo do Senado está estragando a festa lulista. Forçado a apoiar os aliados do PMDB, a escora da sua candidata, Lula entrou num desatino oratório, escorregando em contradições, em exageros, em bravatas. E o balcão peemedebista entrega a mercadoria, mas, cobra preços escorchantes. Da vice-presidência ao apoio aos seus candidatos a governador de vários Estados. Além dos seis ministérios e centenas de cargos que movimentam milhões.O martirológio do PT não comove o padrinho da candidata Dilma. Lula não precisa do PT para os seus sonhos para 2014, se a candidata assumir o compromisso de, eleita, não disputar a reeleição ou em 2018, com as barbas brancas e poucos cabelos na progressão da calvície.A especulação deve parar por aqui para não se perder nos simples e suspeitos palpites. Mas, é irresistível para quem gosta, acompanhar os próximos da novela com Lula e a ministra Dilma nos principais papéis.
Fonte: Villas Bôas Corrêa
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