Villas Bôas Correa
O favoritismo da candidatura da ministra Dilma Rousseff, escorada na popularidade recordista do seu patrono, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, esbarra na primeira dificuldade previsível, mas que não foi levada em consideração, da fragilidade da malha partidária, tecida com a linha das siglas estaduais, com os seus interesses prioritários na briga pela eleição de governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores.A campanha presidencial, mesmo quando empolga a sociedade, dissolve-se no voto na urna eletrônica, quando o partido é ignorado e o que decide é o desempenho pessoal, o carisma do candidato, conferido no seu desempenho no horário eleitoral e, especialmente nos debates televisionados e cobertos pela mídia.Com a sedutora biografia do menino nascido no Nordeste, que viajou com a mãe cinco irmãos para São Paulo quando tinha sete anos e aprendeu na luta pela vida a ler e escrever em três escolas públicas e fez o curso secundário no Senai, em que se matriculou no curso de torneiro mecânico. E que se projeta nacionalmente como o maior líder operário do país, funda o PT e o resto é história de ontem. Lula ainda escorrega na deficiência do seu vestibular na escalada vertiginosa de deputado federal constituinte de 1988, candidato a presidente da República, três vezes derrotado, sendo duas por Fernando Henrique Cardoso e a última por Fernando Collor de Melo, hoje senador por Alagoas e dos seus mais recentes amigos de infância.Esta longa e fastidiosa introdução é uma tentativa de facilitar a compreensão das primeiras e sérias barreiras que desafiam a eleição da ministra Dilma Rousseff. O primeiro soar da estridente sirene de alarme soou no Rio Grande do Sul, com a desobediência às ordens de Lula para adiar a escolha do candidato a governador para não atrapalhar as alianças nacionais ao lançar em grande estilo a candidatura do ministro da Justiça, Tarso Genro ao Palácio Piratini. Afinal, era o inevitável e esperado, pois o PMDB do presidente, deputado Michel Temer (SP) e o PTB gaúcho do falecido governador Leonel Brizola são inimigos que não se cumprimentam.Mas, como o sinal para o estouro da boiada, o governador de Minas, Aécio Neves anuncia que é candidato a presidente da República e, se for vencido na prévia do PSDB pelo governador José Serra, de São Paulo, provavelmente optará por uma cadeira no Senado.Em São Paulo, o PT da ministra Marta Suplicy não tem cacife eleitoral para disputar o governo do Estado e encontrará embaraços para uma aliança com o PMDB de Orestes Quércia.No Rio, as pretensões de petistas esbarram na ampla liderança nas pesquisas de popularidade do governador Sérgio Cabral e do prefeito do Rio, Eduardo Paes.Até o fim do ano e começo do decisivo 2010, muitas dúvidas serão esclarecidas e outras tantas bravatas desmoralizadas.Mas, o presidente sabe, e não receia o desafio, que terá que transferir os seus votos cativos para a ministra Dilma Rousseff, que vem subindo nas pesquisas com a pré-campanha eleitoral, liderada por Lula, a pretexto de acompanhar as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e mais do Minha Casa Meu Voto, para a construção de um milhão de residências populares, que ainda não começou. E o PAC enfrenta inesperados problemas com as inundações do Norte, Nordeste e no Sul e com a tragédia cíclica das secas nordestinas.Uma sucessão que, à margem dos escândalos do Senado e as novidades com as lambanças da Câmara, vale a pena acompanhar. Mesmo com o risco de uma úlcera no estômago.
Fonte: http://www.vbcorrea.com.br/
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