Denise Rothenburg
Com tantos flancos para atacar na CPI da Petrobras, a oposição se prepara para começar por um alvo que os senadores adversários do Planalto consideram mais fácil: a área de comunicação da empresa e a Agência Nacional do Petróleo (ANP), onde os holofotes estão voltados para dois diretores, podendo chegar a três. O primeiro deles é o diretor-geral, o ex-deputado Haroldo Lima (PCdoB-BA), que terá que responder sobre o pagamento de R$ 178 milhões a usineiros, cujos recursos foram liberados a toque de caixa pelo governo. O segundo é Vitor Martins, envolvido em denúncias sobre desvio de recursos de royalties.
Agora, com o foco de luz dirigido à Fundação Sarney por conta da crise pela qual atravessa o Senado, os oposicionistas pensam em mirar seus esforços ainda para tentar colocar na mira outro diretor da ANP, Alan Kardec Dualibe, maranhanse, genro do advogado José Carlos Souza e Silva, que preside a Fundação Sarney. "Não é possível que uma pessoa seja chamada apenas por ter se casado com a filha de outra", diz o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que é senador pelo PMDB.
A convocação de Alan Kardec, avisam os peemedebistas, não vai "colar", uma vez que a fundação recebeu recursos da Petrobras, e não da ANP. Os caciques peemedebistas afirmam em conversas reservadas que, se os oposicionistas pensam em atingir Sarney, não será pela convocação do genro de um advogado no Maranhão - nem do próprio advogado - que vão conseguir. A ação política na CPI tem que ter limites, avaliam os governistas.
Fundação Sarney Ciente dessa dificuldade, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), recordista de pedidos a serem analisados na CPI, se restringiu a requerer à Fundação José Sarney todas as cópias relativas à prestação de contas de serviços feitos com recursos da Petrobras e não incluiu nenhum pedido de convocação de pessoas vinculadas à instituição, nem mesmo do primeiro escalão da Petrobras ou da ANP.
Até agora, da ANP, Álvaro Dias só pediu documentos. Da Petrobras, a única convocação que ele deseja no primeiro momento é a de Wilson Santa Rosa, gerente-executivo de comunicação da empresa. O objetivo é juntar informações para, na hora de chamar o primeiro escalão, ter o que perguntar. No caso de Santa Rosa, o senador tucano acredita ter munição suficiente. Até porque, durante as investigações do caso que ficou conhecido como o "escândalo dos aloprados", aquele que envolveu a suposta fabricação de dossiê contra o então candidato ao governo de São Paulo, José Serra, foram detectadas ligações de Hamilton Lacerda, coordenador da campanha petista, a Santa Rosa e, deste, para fornecedores da empresa. Até agora, se depender do ânimo dos oposicionistas, Santa Rosa é quem estreará na cadeira de depoentes da CPI.
Fonte: Estado de Minas (MG)
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