Lília de Souza, do A TARDE
É em meio a um cenário de ebulição da aliança entre o PT e o PMDB no Estado e de ressurgimento da tese do terceiro mandato entre aliados em Brasília que o presidente Lula inicia nesta segunda, 25, sua segunda visita à Bahia este ano. Na bagagem, traz obras para entregar à população de Cachoeira e acordos a serem assinados, respectivamente nesta segunda e terça-feiras, com os presidentes do Senegal, Abdoulaye Wade, e da Venezuela, Hugo Chávez, que, em seu país, conseguiu aprovar meios de se reeleger quantas vezes quiser. Chávez vai discutir com Lula a entrada da Venezuela no Mercosul.
Entre uma coisa e outra, o petista encontrará tempo para fazer articulações para sua sucessão em 2010 no intuito de fortalecer a ministra Dilma Rousseff, sua candidata declarada. É neste contexto que Lula será chamado a intervir nas relações entre o governador Jaques Wagner, do PT, e o ministro Geddel Vieira Lima, do PMDB, aliança que foi fundamental para a derrota do carlismo em 2006.
A união do PT e PMDB em nível nacional é apontada como vital para o sucesso da candidatura de Dilma. Mas, na Bahia, como na maioria dos estados, o PMDB segue como uma incógnita entre três possibilidades: repetir o apoio a Wagner ou montar um segundo palanque para Dilma, que seria sustentado pela candidatura de Geddel. As movimentações do ministro incluem, ainda, conversas com o DEM, do ex-governador Paulo Souto e do deputado federal ACM Neto para fortalecer o nome de José Serra na Bahia. PMDB e DEM, inclusive, estão juntos na administração de Salvador.
Petistas reclamam dessas articulações e cobram do aliado uma definição, já que ocupa cargos no governo sem se comprometer com a reeleição de Wagner. Na mesa de negociação, o PMDB, com 115 prefeituras, apresenta hoje “passe” muito mais caro do que o de 2006, quando tinha apenas 22. Segundo fonte do Palácio do Planalto, Geddel teria dito à cúpula do governo federal estar disposto a manter a aliança baiana, o que confirma teor de nota publicada pela Folha de S.Paulo nessa direção. Mas há fatores que dificultam, como a resistência de parte expressiva do PMDB estadual, entre eles o prefeito de Salvador, João Henrique, e deputados que temem dividir bases municipais com candidatos petistas. A avaliação do Planalto é simples: o PMDB, no final das contas, vai para o lado de quem estiver melhor. “Cada um vai sentar e fazer a conta (...) É matemática pura”, disse a fonte.
fonte: A Tarde
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