sábado, fevereiro 14, 2009

O quadro da sucessão 2010 está consolidado

Por: Pedro do Coutto

A pesquisa que o Instituto Sensus realizou para a Confederação Nacional dos Transportes - os resultados foram publicados em todos os jornais, mas a melhor matéria foi de Daniel Bramati, "O Estado de São Paulo" - consolida mais uma vez o quadro político para a sucessão presidencial de 2010. São muito poucas as alterações percentuais em relação ao levantamento anterior revelado no final de 2008.
José Serra seguiu amplamente na liderança (42,8), seguido de longe por Dilma Roussef (13,5) próxima esta da senadora Heloisa Helena que registrou surpreendentes 11,2 por cento. Numa projeção que substitui Serra por Aécio Neves, o governador de Minas Gerais alcança apenas 23,3%. Heloisa Helena passa para segundo com 18,2, deixando a chefe da Casa Civil em terceiro com 16,4%. Quando colocado o nome de Ciro Gomes, em outra simulação, ele fica no patamar de 10,6. Parece ser a sua escala. Obteve 10% dos votos em 98, 12 pontos em 2002.
O cenário não parece favorecê-lo. Não existe esquema que possa encaixá-lo no próximo jogo sucessório. A grande surpresa continua a ser o prestígio de Heloisa Helena. Mas o PSOL é uma legenda muito pequena. O quadro volta a se restringir não governador de São Paulo e a ministra Dilma, que chegou a 13,5 por cento, representando um avanço de três degraus num prazo de noventa dias. Serra desceu outros três.
Porém o percentual que conquista é suficiente para garantir seu favoritismo no PSDB. Com prévias iu sem prévias, é quase impossível que seja ultrapassado por Aécio. Mas a política, é um processo dinâmico e muda de forma e de rumo a qualquer instante. Porém prever hoje mudanças radicais para amanhã constitui um exercício de futurologia. Só se pode alterar desdobramentos com base nos indicadores concretamente disponíveis. Não em suposições.
Uma delas, entretanto, possui base lógica e sem base lógica não se faz nada na vida. Trata-se da subida de Dilma Roussef. Bastante provável, em função da extraordinária aprovação do presidente Lula e de seu governo. Oitenta e quatro por cento representa um recorde, não só brasileiro, mas mundial. Político algum, presidente algum, alcançou tal índice de popularidade e confiança na história. Claro que Lula vai transferir grande parte dessa confiança e popularidade para Dilma.
Não se pode, neste momento, avaliar o potencial da transferência de votos, algo muito difícil. Mas no caso de Lula, tem que ser substancial. Pois ele está partindo em busca de uma consagração popular inédita nas ruas pó país. Com 84 por cento de aprovação, Lula obtem seu segundo recorde. O primeiro está no fato de ter disputado por cinco vezes a presidência da República. Lula perdeu de 2 a 3. Mas o recorde de disputa lhe pertence. E creio ser imbatível. A não ser por ele próprio, em 2014 ou 2015, conforme decidir o projeto de reforma política quanto a duração do mandato de quem o suceder no Planalto.
O panorama descortinado pela pesquisa Sensus-CNT dificilmente poderá se alterar. É possível que o desfecho termine no segundo turno, colocando Serra e Dilma em confronto isolado. Isso depende da presença de Heloisa Helena e Ciro Gomes na sucessão. Heloisa deve disputar para favorecer sua legenda. Quanto a Ciro Gomes, tenho dúvida.
Fonte: Tribuna da Imprensa

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