sábado, fevereiro 14, 2009

As fantasias deste Carnaval

Por: Carlos Chagas

BRASÍLIA – Vem aí o Carnaval. Encurta-se o prazo para a confecção das fantasias. Há ebulição no ministério, ninguém quer revelar como vai desfilar pelas avenidas, até para não ser copiado. Apesar disso, sabe-se que a Abin anda trabalhando como nunca para enviar ao presidente Lula a relação das preferências de seus auxiliares. Entrando ou não clandestinamente nos e-mails da alta administração, um esboço parece preparado pelos nossos arapongas.
Henrique Meirelles, do Banco Central, repetirá anos anteriores, desfilando como “O espião que saiu do frio”, enquanto Guido Mantega, da Fazenda, inovará como “Hamlet”, aquele do ser ou não ser favorável à queda dos juros. Miguel Jorge, do Desenvolvimento Industrial, dará preferência à fantasia de “Motorista de Fusquinha”, arrependido por haver, décadas atrás, trocado a vice-presidência da Volkswagen pelo agora mísero salário de ministro. Paulo Bernardo, do Planejamento, envergará o boné de pelo de onça do “Monge José Maria”, líder da guerra do Contestado.
Carlos Minc, do Meio Ambiente, e Reinhold Stephanes, da Agricultura, aparecerão de “Irmãos Corsos”, aqueles que se comunicavam por telepatia, enquanto Tarso Genro, da Justiça, prefere a roupa de “Garibaldi”, que unificou a Itália. Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional, encomenda o camisolão de “Antônio Conselheiro”, defensor da monarquia em plena república, ao tempo em que Mangabeira Unger, do Futuro, aparecerá de orangotango, em homenagem a nossos ancestrais. Para não negar seu passado, Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social, virá como “João XXIII”, o verdadeiro Papa.
Dilma Rousseff, candidata, encomendou em segredo as vestes de “Cinderela”, com direito a carruagem de abóbora e ratinhos fazendo as vezes de corcéis.
A febre carnavalesca já toma conta do Congresso, com Ideli Salvatti hesitando entre rainha da bateria da “Escola do Retorno dos Que não Partiram” ou a “Bruxa da Branca de Neve”. O PT formará o bloco de “Napoleão depois da Campanha da Rússia” e o PMDB de “Reis do Universo”, com Michel Temer com a tradicional fantasia de “Mordomo de Filme de Vampiro”. José Sarney, de “Saraminda”, um título à procura de um texto. No ninho dos tucanos, José Serra será o “Zorro preso pelo Sargento Garcia”. Geraldo Alckmin, “Mata Hari”, e Aécio Neves, o “Neto do Tarzan”. Nos demais partidos, Cristóvan Buarque como “Ao Mestre, com Carinho” e Eduardo Suplicy de “São João Baptista, o precursor do Messias”. Pedro Simon virá de “Batman”, tendo o Mão Santa de “Robin”, ao tempo em que Garibaldi Alves será o “Homem que Ri” e Paulo Paim o “Vingador do Rei”.
Há quem suponha o Carnaval chegando ao Supremo Tribunal Federal. Gilmar Mendes seria “O Sombra”, Eros Grau, o “Cupido”, e Helen Gracie, a “Branca de Neve”. Celso Mello, de “Matusalém”.
A pergunta que se faz é a respeito da folia poder chegar ao palácio do Planalto, mas para que fantasias? O Lula seria o Lula...
A mesma tecla
Insiste o senador Pedro Simon em que a impunidade continua sendo a maior desgraça do País. Não há como aceitar que a quase totalidade dos ladrões de colarinho branco permaneçam à margem de processos e de punições, passeando sua arrogância pelas ruas das principais cidades. José Dirceu mostra o implante de seus cabelos, Delúbio Soares prepara sua candidatura a deputado federal por Goiás. O carequinha recompõe suas atividades e manda em Belo Horizonte, enquanto Márcio Lacerda demonstra que Marx e Cristo poderiam unir-se em Belo Horizonte.
Na verdade, os ricos continuam impunes, os ladrões de galinha, atrás das grades. Nem seria preciso mudar a Constituição e as leis. Bastaria um projeto revogando decisão do Supremo Tribunal Federal que manda soltar o preso ainda sem sentença final condenatória e evita a prisão de réu já condenado, mas sem condenação definitiva transitada em julgado.
Ainda esta semana, o STF concedeu habeas-corpus e libertou um estuprador, um ladrão e dois apropriadores de rendas públicas. E mais concederá a quem se habilitar até mesmo o casal que matou uma filha arremessando-a pela janela.
Senadores humilhados
Quinze minutos antes da hora marcada o presidente da Câmara, Michel Temer, cancelou audiência acertada dias atrás com um grupo de senadores liderados por Paulo Paim. Eles iam apelar para que a Câmara vote logo projeto de lei aprovado no Senado determinando a todos os aposentados o mesmo reajuste concedido aos que recebem o salário mínimo. Porque do jeito que as coisas vão, logo todos os aposentados estarão nivelados por baixo. Temer pode ter tido razões de sobra para o adiamento do encontro, mas precisa explicar logo uma delas. Para os senadores ficou a impressão de que a Câmara pretende prestar mais um serviço ao palácio do Planalto...
Uum país descalço
No setor de calçados acabam de ser demitidos 11 mil trabalhadores, sendo que 8.700 só em Nova Hamburgo, no Rio Grande do Sul. “É a crise”, dizem os empresários e o governo, porque as exportações caíram drasticamente. A gente se pergunta para que existe o poder público, porque apesar de inexistirem estatísticas a respeito, pelo menos a metade de nossa população anda de sandálias havaianas. Ignora-se também o número dos pés descalços no País. Não seria o caso de o governo subsidiar a produção e realizar intensa distribuição gratuita de sapatos? Dona Dilma agradeceria os resultados da próxima pesquisa.
Coisas do Brasil
As siderúrgicas passam mal, com o cancelamento de contratos de exportação de aço para a China, Japão e Estados Unidos. Como estamos no Brasil, porém, está em alta a produção de alfinetes. Conclui um gaiato que é para as empresas espetarem notificações de dispensa em seus quadros de aviso...
Fonte: Tribuna da Imprensa

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